Derrota trabalhista em eleições locais britânicas impulsiona partido anti-imigração Reform UK
O primeiro-ministro britânico, o trabalhista Keir Starmer, declarou nesta sexta-feira (8) que descarta renunciar, apesar dos resultados “duros” nas eleições locais para seu partido, que sofreu uma importante perda de cadeiras, enquanto o partido anti-imigração Reform UK registrou um forte avanço.
Para o partido de Starmer, os resultados foram ainda mais dolorosos com a perda do controle do Parlamento do País de Gales, pela primeira vez desde a descentralização de poderes em 1999, em eleições autônomas vencidas pelo partido nacionalista de esquerda Plaid Cymru.
“Não vou partir e deixar o país afundar no caos. Os resultados são duros, muito duros, e não vou maquiá-los”, disse o premiê, depois que seu partido perdeu centenas de vereadores na Inglaterra.
“Isso dói, e deve doer, e eu assumo a responsabilidade”, acrescentou.
Na noite desta sexta-feira, o Partido Trabalhista já havia perdido centenas de vereadores e 20 prefeituras, enquanto o Reform UK havia conquistado mais de 1.000 representantes locais.
Os trabalhistas, por exemplo, perderam para o Reform UK o controle de Sunderland, no norte da Inglaterra, um de seus históricos redutos operários.
Alguns veículos britânicos apontam que a ex-vice-primeira-ministra Angela Rayner ou o ministro da Saúde, Wes Streeting, poderiam tentar deslocar Starmer após os resultados.
“Os trabalhistas venceram as eleições gerais de 2024 principalmente porque os conservadores eram profundamente impopulares após 14 anos no governo”, afirma à AFP Mark Garnett, analista político e ex-professor da Universidade de Leicester.
Para Garnett, as eleições locais “mostram que o Partido Trabalhista levou menos de dois anos para se tornar igualmente impopular, se não ainda mais”.
Uma demonstração disso é que, após liderar o Parlamento galês desde sua criação em 1999, os trabalhistas agora conservaram apenas nove cadeiras, segundo a contagem definitiva da BBC.
Os nacionalistas de esquerda do Plaid Cymru lideram com 43 assentos de 96, sem maioria absoluta, seguidos de perto pelo Reform UK (34).
Na Inglaterra, os resultados quase definitivos — completos para 129 dos 136 conselhos locais — colocam o Reform amplamente na liderança com 1.426 cadeiras conquistadas, frente às 954 do Partido Trabalhista, que perde 1.375.
Na Escócia, os independentistas do Scottish National Party (SNP) mantiveram o primeiro lugar, mas sem maioria absoluta, com 57 deputados de 129, segundo a apuração quase definitiva às 21h30 GMT (18h30 de Brasília).
Eles superam o Partido Trabalhista, que recua para 17 cadeiras (-3), e o Reform UK, que obtém 15.
– Avanço do Reform UK –
O líder do Reform UK, Nigel Farage, comemorou os resultados, estimando que eles demonstram que seu partido “veio para ficar”.
“Estamos assistindo a uma mudança histórica na política britânica”, afirmou Farage.
“Somos competitivos em todas as regiões do país. Somos o partido mais nacional, viemos para ficar”, acrescentou o líder do Reform UK.
No total, mais de 5 mil cadeiras locais estavam em disputa nestas eleições na Inglaterra, de um total superior a 16 mil.
Nestas eleições, não houve votação para as prefeituras de cidades como Londres, embora tenha havido disputa nos conselhos municipais de 32 de seus distritos. A eleição para a Prefeitura da capital está prevista para 2028.
Também não foram eleitos os principais dirigentes de cidades como Liverpool ou Newcastle, nem houve votações em Manchester ou Birmingham, mas sim em suas regiões metropolitanas, Greater Manchester e West Midlands, respectivamente.
Os conservadores, liderados por Kemi Badenoch, perderam centenas de vereadores, embora tenham conseguido manter o controle de Westminster, no centro de Londres.
Os Verdes, que se deslocaram mais à esquerda, conquistaram a eleição de 160 vereadores e assumiram o controle de várias prefeituras, incluindo Hastings, no sudeste da Inglaterra.
– “Referendo para Starmer” –
A popularidade de Starmer caiu após uma série de erros, mudanças de posição e polêmicas, o que despertou dentro de seu partido a tentação de substituí-lo em 10 Downing Street.
“Estas eleições foram vistas como um referendo para Starmer. Alguns de seus apoiadores podem se sentir aliviados porque os resultados não foram ainda piores”, afirma o analista Garnett.
A imigração também concentra o descontentamento de muitos britânicos, enquanto o número de migrantes clandestinos que chegaram pelo Canal da Mancha desde 2018 se aproxima de 200 mil.
A impopularidade de Starmer aumentou nos últimos meses após nomear Peter Mandelson embaixador em Washington, apesar de seus vínculos com o falecido criminoso sexual americano Jeffrey Epstein.
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