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Trump diz que Irã concordou em entregar suas reservas de urânio enriquecido

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira (16) que o Irã aceitou entregar suas reservas de urânio enriquecido e que ambas as partes estão “perto” de alcançar um acordo de paz que ponha fim a seis semanas de conflito no Oriente Médio.

Esse avanço coincide com os esforços de mediação do Paquistão entre Irã e Estados Unidos para alcançar um segundo ciclo de diálogos, após as conversas do fim de semana passado em Islamabad, que terminaram sem acordo.

Trump declarou a repórteres na Casa Branca que o Irã concordou em entregar suas reservas de urânio enriquecido.

“Eles aceitaram nos devolver o ‘pó’ nuclear”, disse Trump em alusão ao urânio enriquecido que, segundo Washington, poderia ser usado para fabricar armas nucleares.

“Há muitas chances de chegarmos a um acordo” com Teerã, acrescentou o presidente dos Estados Unidos.

O embaixador do Irã na ONU, Amir Saeid Iravani, expressou que está “cautelosamente otimista” em relação às negociações com os Estados Unidos.

O conflito no Oriente Médio, que começou em 28 de fevereiro com bombardeios dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, deixou milhares de mortos, sobretudo no Irã e no Líbano, e abalou a economia mundial.

Com a mediação do Paquistão, Estados Unidos e Irã acordaram uma trégua que entrou em vigor em 8 de abril e expira na próxima semana.

O influente chefe do Exército do Paquistão, Asim Munir, está no Irã e se reuniu nesta quinta-feira com o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, principal negociador do país, que perdeu vários dirigentes na guerra, começando pelo líder supremo Ali Khamenei, no primeiro dia do conflito.

– “Uma encruzilhada histórica” –

Paralelamente à diplomacia, o chefe do Pentágono, Pete Hegseth, havia ameaçado o Irã com bombardeios caso “tome uma má decisão” e prometeu manter bloqueados os portos iranianos “pelo tempo que for necessário”.

O Irã sustenta que seu programa atômico tem fins civis e, na quarta-feira, a chancelaria reiterou que ninguém pode “tirar” do país seu direito de usar a energia nuclear de forma pacífica, mas destacou que o nível de enriquecimento de urânio é “negociável”.

Israel também aumentou a pressão e o ministro da Defesa, Israel Katz, declarou que, se o Irã rejeitar uma proposta de Washington para renunciar ao “armamento nuclear”, seu país lançará ataques “ainda mais dolorosos”.

“O Irã está em uma encruzilhada histórica: um caminho consiste em renunciar ao terrorismo e ao armamento nuclear, em conformidade com a proposta americana; o outro leva a um abismo”, afirmou o ministro durante uma cerimônia.

“Se o regime iraniano escolher a segunda opção”, descobrirá muito rapidamente que Israel pode bombardear alvos “ainda mais dolorosos”, acrescentou.

– Pressão sobre o petróleo –

Por enquanto, o Irã mantém fechado o Estreito de Ormuz, uma via crucial para o transporte de hidrocarbonetos, e Washington impôs desde segunda-feira um bloqueio a navios que vêm de ou se dirigem a portos iranianos.

Além disso, o Irã ameaçou também bloquear o mar Vermelho, mas insistiu em sua disposição para negociar.

A disputa pelo tráfego marítimo nessa região, onde se concentram os grandes exportadores de petróleo do Golfo, mantém elevados os preços do petróleo, e o barril de Brent do mar do Norte subia por volta das 21h00 GMT (18h00 de Brasília) 3,24%, para 98,01 dólares, nesta quinta-feira.

De qualquer forma, por enquanto não foi fixada “nenhuma data” para uma segunda rodada de negociações, disse à imprensa o porta-voz da chancelaria paquistanesa.

– Início de trégua entre Israel e Líbano –

Em outra frente do conflito, entrou em vigor o cessar-fogo de 10 dias entre Israel e o Líbano às 21h00 GMT (18h00 de Brasília0 desta quinta-feira, após um mês e meio de conflito entre Israel e o movimento libanês pró-Irã Hezbollah.

No entanto, nos bairros do sul de Beirute foram ouvidos disparos na madrugada de sexta-feira, poucos minutos depois de a trégua entrar em vigor, segundo relatos da imprensa estatal e de jornalistas da AFP.

Pouco antes da entrada em vigor da trégua, o Exército israelense afirmou ter atacado lançadores de foguetes do Hezbollah após disparos provenientes do Líbano.

Trump disse que convidou à Casa Branca o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o presidente libanês, Joseph Aoun, e afirmou que o encontro ocorrerá nos próximos “quatro ou cinco dias”.

Por sua vez, o deputado do Hezbollah Ibrahim al Musawi declarou à AFP que seu grupo respeitará o cessar-fogo se Israel deixar de atacar o movimento xiita, aliado do Irã.

“Nós, no Hezbollah, aderiremos cautelosamente ao cessar-fogo, desde que haja uma interrupção total das hostilidades contra nós”, disse o parlamentar.

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