EUA anuncia bloqueio naval completo; Irã ameaça obstruir exportações de petróleo
O governo dos Estados Unidos intensificou nesta quarta‑feira (15) a pressão sobre o Irã com um bloqueio naval, mas a República Islâmica ameaça obstruir as exportações no Mar Vermelho em represália.
O Comando Central dos Estados Unidos anunciou durante a noite nas redes sociais que o bloqueio foi “plenamente aplicado” e que as forças americanas “interromperam completamente o comércio econômico que entra e sai do Irã pelo mar”.
Contudo, o cenário com base nos dados de rastreamento marítimo de terça‑feira era menos claro. Ao que parece, vários navios que zarparam de portos iranianos atravessaram o Estreito de Ormuz apesar do bloqueio.
A passagem estratégica está bloqueada pelas forças iranianas desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, data dos primeiros ataques de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã.
– Ameaça iraniana –
Nesta quarta-feira, o Irã ameaçou bloquear o Mar Vermelho, ao qual não tem acesso territorial.
Se Washington prosseguir com o bloqueio marítimo e “criar insegurança para os navios comerciais do Irã e para os petroleiros”, isto significará “o prelúdio” de uma violação do cessar-fogo, em vigor desde 8 de abril, afirmou o general Ali Abdollahi Aliabadi, chefe do comando central das Forças Armadas iranianas.
“As poderosas Forças Armadas da República Islâmica não permitirão qualquer exportação ou importação no Golfo Pérsico, no Mar de Omã ou no Mar Vermelho”, acrescentou, segundo um comunicado divulgado pela televisão estatal.
Com o bloqueio, analistas afirmam que Trump pretende não apenas asfixiar as receitas iranianas, mas também pressionar a China, maior compradora de petróleo do Irã, para que convença Teerã a reabrir o estreito.
O presidente americano disse que pediu ao homólogo chinês, Xi Jinping, que não forneça armas ao Irã e que o chefe de Estado do país asiático respondeu que não estava fazendo, em uma entrevista ao canal Fox Business exibida nesta quarta‑feira.
Em declarações ao jornal New York Post na terça-feira, Trump abriu, no entanto, a porta para o reinício das negociações de paz com o Irã “nos próximos dois dias”, após o fracasso da primeira rodada de conversações no fim de semana passado.
Um funcionário de alto escalão do governo americano declarou nesta quarta-feira que “prosseguem as gestões (…) para alcançar um acordo” e desmentiu as informações de que Washington teria aceitado prolongar por duas semanas a trégua com o Irã.
A televisão estatal iraniana afirmou que receberá uma delegação paquistanesa liderada pelo comandante do Exército, Asim Munir, depois que o Ministério das Relações Exteriores do Irã confirmou que as conversações com os Estados Unidos continuaram após as negociações, graças à mediação do Paquistão.
– “Grande acordo” –
A disputa de décadas sobre o programa nuclear iraniano é o principal fator que condiciona o processo de negociações entre Estados Unidos e Irã.
Segundo o vice-presidente americano, JD Vance, um “grande acordo” foi oferecido à República Islâmica.
Trump iniciou a guerra com o argumento de que o Irã estava próximo de fabricar uma bomba atômica, uma afirmação que não encontra respaldo no órgão de controle nuclear da ONU. Teerã insiste que seu programa nuclear tem fins civis.
Segundo a imprensa americana, o governo dos Estados Unidos solicitou uma suspensão de 20 anos do programa de enriquecimento de urânio do Irã durante as conversações em Islamabad, enquanto Teerã propôs a suspensão das atividades nucleares por cinco anos, uma oferta rejeitada pelos representantes americanos.
Vance afirma que Trump prometeu “fazer o Irã prosperar” se o país assumir o compromisso de “não ter uma arma nuclear”.
O Ministério das Relações Exteriores do Irã reiterou nesta quarta-feira que o direito de Teerã de enriquecer urânio é “indiscutível”, mas que o nível do processo é “negociável”.
– “Oportunidade histórica” –
Na outra frente de batalha da guerra, Washington pressiona pelo fim do conflito entre Israel e o grupo libanês pró‑iraniano Hezbollah, por temer que coloque em perigo o cessar‑fogo de duas semanas com o Irã e uma solução para o conflito.
O Líbano foi arrastado para a guerra em 2 de março, quando o Hezbollah abriu uma frente contra Israel.
Os embaixadores dos dois países se reuniram na terça-feira em Washington para as primeiras conversações diretas de alto nível entre as partes desde 1993, com a mediação do secretário de Estado americano, Marco Rubio.
O Departamento de Estado afirmou que “todas as partes concordaram em iniciar negociações diretas em um momento e local mutuamente acordados”.
“É uma verdadeira oportunidade histórica para acabar com décadas de domínio do Hezbollah sobre o Líbano”, declarou nesta quarta-feira o porta-voz do governo israelense, David Mencer. Ele insistiu, no entanto, que “nenhum cessar-fogo está sendo negociado” com o grupo islamista xiita.
Israel ocupa partes do sul do Líbano e resiste a qualquer trégua nos combates com o Hezbollah, alegando que o grupo continua sendo o principal obstáculo à paz.
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