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Igrejas podem ficar fechadas no Natal

A Igreja luta contra a falta de vocações mas os fiéis também dimimuem. Keystone

Por falta de padres e pastores, as Igrejas poderão ficar fechadas no Natal. Metade das paróquias catálicas não tem mais sacerdotes e também há penúria de pastores.

Enquanto cada vez mais pessoas abandonam as religiões oficiais, as Igrejas se reorganizam recorrendo aos laicos.

Chega o Natal e as igrejas, pelo menos nessa época, ficam cheias. O rito secular se repete mas demonstra a difícil situação atual das Igrejas: a crise de vocações é evidente e a “holding celeste” tem problemas para recrutar pessoal terreno.

A situação é particularmente difícil na Igreja católica porque os sacerdotes estão se tornando raros. Agnell Ickenmann, secretário-geral da Conferência Episcopal suíça, não quer dramatizar: “é verdadade que muitas paróquias menores não têm seu próprio sacerdote mas atualmente a Igreja tenta garantir um serviço religioso mínimo.”

Não se pode negar a evidência. Na Suíça de língua alemã, metade das comunidades católicas não tem padre e, por isso, recorre cada vez mais aos laicos, inclusive muitas mulheres. Mas a severa divisão entre sacerdócio e assistência pastoral cria dificuldades crescentes.

Protestantismo e desilusão

Na outra frente, a Igreja protestante já partiu para o contra-ataque, próprio da época que antecede o Natal.

Para relançar a imagem da instituição da fé, na Suíça de língua alemã foi lançada uma campanha convidando os jovens a conhecerem o trabalho pastoral e as faculdades de teologia abriram suas portas.

Assim, tenta reagir ao esvaziamento acelarado das igrejas protestantes. Em Basiléia, metade da população não está mais inscrita na Igreja. Em Genebra, cidade protestante por excelência, a situação é análoga. A responsabilidade individual pregada pelo protestantismo provoca o distanciamento da instituição.

Paralelamente, a vontade de dedicar a vida à comunidade não parece muito viva. Mesmo se os “ministros da palavra” protestante podem casar-se e não têm a função sacramental exigida pelo catolicismo.

Olivier Favrod, responsável da formação pastoral na Suíça de expressão francesa, confirma a tendência. “Só no Cantão de Vaud, faltam 60 pastores em um total de cerca de 360”.

As vagas são preenchidas com candidaturas vindas do estrangeiro. No Cantão de Argóvia, na Suíça de expressão alemão, dos 20 novos pastores, 12 vêm da Alemanha.

As vocações nacionais são raras também na Suíça de língua francesa e na Suíça de expressão italiana. Nessas regiões, os pastores vêm da França e da Itália.

A escassez de vocações

A falta de pessoal nas duas principais confissões na Suíça é um sintoma da difícil situação que atravessam as igrejas tradicionais, como confirma Agnell Rickenmann.

“Não é um questão limitada à Igreja católica nem devida ao celibato, mas uma questão de fundo. Falta identificação com a mensagem evangélica e com a vida eclesiástica”.

“A necessidade de espiritualidade é mais presente do que nunca”, afirma Olivier Favrod, indicando o sucesso das seitas com uma orientação mais ou menos cristã. A campanha lançada visa fazer os jovens descobrirem o interesse pela fé.

Mesmo se, do lado católico, não se quer mais abrir conventos e igrejas somente em dia de votação, as coisas não vão mudar para este Natal. “Em 2005, lançaremos o ano das vocações em toda a Suíça”, afirma Richkenmann.

O programa ainda não está definido mas o objetivo deverá ser a reconquista dos fiéis e a experiência espiritual.

swissinfo, Daniele Papacella
(adaptação, Claudinê Gonçalves

Existem seis dioceses católicas na Suíça: Basiléia, Coira, St-Gallen, Sion, Lausanne-Friburgo-Genebra e Lugano.
Nas 1.700 paróquias católicas, faltam 650 padres.
A Igreja Reformada existe nos 26 cantões (estados) suíços.
2,6 milhões de protestantes estão organizados em comunidades locais.

– Igreja protestante tenta estimular jovens a abraçarem a atividade pastoral.

– Através de estágios, os interessados podem conhecer o cotidiano do trabalho em comunidade. A intenção é mostrar que um pastor não se limita a preparar o serão de domingo.

– Essa divulgação é feita pelas faculdades de teologia protestante junto aos alunos dos liceus.

– A Igreja católica, mais atingida pela crise de vocações, também reage. 2005 será o “ano da vocação”, com uma campanha para tentar atrair os jovens para a vida monástica e sacerdotal.

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