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Indígenas hondurenhos acampam por justiça para ambientalista Berta Cáceres

Jovens protestam em frente ao Supremo Tribunal de Justiça durante julgamento pelo assassinato da líder indígena e ativista ambiental Berta Cáceres, em Tegucigalpa, em 12 de maio de 2021 afp_tickers

Dezenas de integrantes de movimentos indígenas e populares hondurenhos acampavam nesta quarta-feira (12) em frente à Corte Suprema de Justiça (CSJ), aguardando a sentença de um dos supostos autores intelectuais do assassinato da emblemática ambientalista Berta Cáceres.

Os representantes das comunidades indígenas e negras que chegaram do interior do país à capital se reuniram na noite de terça-feira com integrantes de organizações sociais e instalaram, sob as árvores, barracas, fogões de cozinha e uma faixa com a frase “Acampamento Feminista Viva Berta.”

“Muitas pessoas das comunidades Lenca, Garífuna, Chortí, Tolupan e mestiças vêm testemunhar o processo de justiça de nossa companheira e irmã Berta Cáceres”, disseram os organizadores em nota, que também construíram um altar com flores e fotos de Cáceres em frente ao portão CSJ.

Eles garantiram que o acampamento organizado – ” por tempo indeterminado” – pela Rede de Direitos Humanos, o Conselho Cívico de Organizações Populares e Indígenas de Honduras (Copinh) e a Organização Fraternal Negra de Honduras (Ofraneh) é pela “busca da justiça, que neste caso é expresso através de um julgamento oral e público contra David Castillo”.

Um tribunal de condenação iniciou na CSJ no dia 7 de abril o julgamento contra Castillo, ex-presidente da Desarrollos Energéticos S.A. (DESA), como suposto autor intelectual do assassinato da renomada ativista, executada à meia-noite de 2 de março de 2016 na comunidade de La Esperanza, no oeste do país.

O crime causou grande comoção entre defensores do meio ambiente em vários países do mundo e organizações como Congresso dos Estados Unidos e União Europeia (UE).

Quatro pistoleiros e três pessoas que os contrataram foram condenados a 50 e 30 anos de prisão, respectivamente, pelo homicídio cometido contra a coordenadora do Copinh, executada por impedir, com manifestações indígenas, a construção de uma hidrelétrica pela DESA no rio Gualcarque.

A acusação e a assistência de acusação, a família e o Copinh, apresentaram no julgamento – que ainda não foi concluído – vazamentos telefônicos que implicam Castillo com os sete condenados e ricos banqueiros sócios da DESA.

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