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Mortes por chuvas em Petrópolis chegam a 204

Bombeiros e voluntários durante operação de resgate na localidade de Caxambu, em Petrópolis, 19 de fevereiro de 2022 afp_tickers

As chuvas torrenciais que devastaram bairros de Petrópolis, na região serrana do Rio de Janeiro, causaram pelo menos 204 mortos, informaram nesta quarta-feira (23) as autoridades, que continuam recuperando corpos mais de uma semana após a tragédia.

Cerca de 51 pessoas seguem desaparecidas, um número que está diminuindo à medida que os corpos recuperados são identificados e as famílias se reúnem com parentes vivos, de acordo com o último relatório da polícia.

Entre os mortos, 188 corpos já haviam sido identificados, confirmou a polícia.

Mais de 800 pessoas continuam recebendo cuidados em abrigos de emergência.

No dia 15 de fevereiro, chuvas torrenciais transformaram as ruas em rios que arrastaram árvores, carros e ônibus e provocaram deslizamentos de terra em bairros construídos nas encostas das montanhas ao redor de Petrópolis, pitoresco destino turístico da zona serrana do Rio de Janeiro.

A tempestade em Petrópolis e uma das últimas a atingir o Brasil recentemente. Segundo especialistas, a intensidade desses fenômenos e sua frequência pelas mudanças climáticas se tornarão cada vez mais fortes.

Na semana passada, a cidade recebeu em poucas horas um volume de água superior ao previsto para todo o mês de fevereiro, no que foram as piores chuvas no município desde 1932, segundo as autoridades.

O grande número de vítimas, no entanto, se deve principalmente à construção de casas em áreas de risco.

As ocupações irregulares em Petrópolis dobraram entre 1985 e 2020, segundo dados da rede de análise territorial MapBiomas e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados pelo portal de notícias G1.

Entre esses anos, apesar de ter passado por outros desastres semelhantes, o espaço ocupado por assentamentos irregulares cresceu mais de 108%.

O bairro Morro da Oficina, o mais atingido pelos últimos deslizamentos, está entre os 48 assentamentos irregulares identificados pelo IBGE em Petrópolis, cuja população total é de cerca de 300 mil habitantes.

A cidade, que foi a capital de veraneio da família imperial no século XIX, tem um histórico de catástrofes relacionadas à estação chuvosa, incluindo as de 1988 (171 mortes) e 2013 (33 mortes).

Em 2011, pelo menos 73 pessoas morreram em Petrópolis após uma tempestade que atingiu também outras cidades da região serrana do Rio de Janeiro e deixou mais de 900 mortos.

O Centro de Monitoramento de Desastres Naturais (Cemaden) estima que no Brasil 9,5 milhões de pessoas vivem em áreas de risco de deslizamentos ou inundações, muitas delas em favelas, sem estruturas de saneamento básico.

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