OMS reitera que risco do hantavírus para população é mínimo
A Organização Mundial da Saúde (OMS) insistiu, nesta sexta-feira (8), em que o risco do hantavírus para a população em geral continua sendo mínimo, enquanto vários países se preparam para repatriar os passageiros do navio de cruzeiro afetado por um surto letal.
Três passageiros do MV Hondius morreram e outros foram infectados por esse vírus pouco comum, que normalmente se propaga através das fezes ou da urina de roedores.
A cepa Andres, única de hantavírus que pode ser transmitida entre humanos, foi confirmada entre os passageiros que tiveram resultado positivo nos testes, alimentando a preocupação internacional.
Espera-se que o navio, que navega sob bandeira holandesa e leva a bordo cerca de 150 pessoas, chegue no domingo de madrugada a Tenerife, nas Ilhas Canárias (Espanha). Nesse mesmo dia vão começar as remoções por avião para os países de origem de passageiros e tripulantes, indicou o governo espanhol.
Mas há pouca margem para colocá-las em prática. “A única janela de oportunidade que temos para realizar esta operação é por volta do meio-dia de domingo e até que as condições [meteorológicas] mudem a partir de segunda-feira”, explicou a jornalistas um porta-voz do governo regional das Canárias, Alfonso Cabello.
Se não ocorrerem antes de segunda-feira, “o navio deverá seguir caminho porque as condições de navegação vão mudar de forma muito significativa na área do porto”, onde o cruzeiro só tem autorização para ancorar e não para atracar, acrescentou.
O governo dos Estados Unidos anunciou que está organizando um voo para evacuar seus cidadãos.
O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, viajará às Ilhas Canárias para participar da coordenação do “dispositivo ativado”, informou nesta sexta-feira o Ministério do Interior espanhol.
As autoridades de saúde insistem em reduzir o alarme social. “Trata-se de um vírus perigoso, mas somente para a pessoa realmente infectada. Quanto ao risco para a população em geral, continua sendo extremamente baixo”, declarou à imprensa em Genebra um porta-voz da OMS, Christian Lindmeier.
“Não está se espalhando nem de longe como a covid se espalhava”, ressaltou.
Ele destacou que, mesmo entre as pessoas que se hospedaram nas mesmas cabines com alguém contaminado a bordo do cruzeiro, “parece que, em alguns casos, não houve contágio”.
A OMS informou na quinta-feira que havia, no total, cinco casos confirmados e três suspeitos do vírus.
Nesta sexta-feira, a Espanha indicou que uma mulher que esteve no mesmo avião que uma paciente holandesa do cruzeiro antes de ela falecer apresenta sintomas compatíveis com o hantavírus e foi hospitalizada.
– Teste de comissária da KLM dá negativo –
A operadora de cruzeiros Oceanwide Expeditions disse que 30 passageiros, incluindo a primeira vítima fatal, desembarcaram na remota ilha britânica de Santa Helena em 24 de abril.
Um voo semanal partiu dali rumo a Joanesburgo, na África da Sul, no dia seguinte, o que gerou uma cadeia de rastreamento de contatos não apenas nessa conexão, mas também nas viagens posteriores para o resto do mundo.
Uma comissária de bordo da companhia aérea KLM, que apresentou sintomas leves e foi hospitalizada em Amsterdã, passou por exames que deram negativo para o hantavírus, anunciou a OMS.
Uma passageira doente, esposa da primeira pessoa que morreu no surto, esteve em um voo de Joanesburgo para os Países Baixos em 25 de abril, mas foi retirada antes da decolagem. Ela morreu posteriormente em um hospital de Joanesburgo.
– Passageiros aliviados –
O MV Hondius, que também tem sido utilizado para expedições polares, zarpou de Ushuaia, no extremo sul da Argentina, em 1º de abril, para um cruzeiro através do Oceano Atlântico até Cabo Verde.
Três casos suspeitos, entre eles dois tripulantes cujos testes deram positivo, foram evacuados de Cabo Verde para os Países Baixos.
O youtuber Kasem Ibn Hattuta, que viaja no Hondius, disse que os passageiros ficaram tranquilos ao saber que médicos haviam embarcado no navio antes da partida rumo a Tenerife.
“Finalmente deixamos Cabo Verde, o que foi um grande alívio para todos a bordo, especialmente sabendo que nossos companheiros doentes finalmente estão recebendo a atenção médica de que precisam”, declarou.
– Origem do foco ainda desconhecida –
Não existe vacina nem tratamento específico contra o hantavírus, cuja infecção pode provocar uma síndrome respiratória aguda.
Os três passageiros falecidos desde o início do cruzeiro são um casal de holandeses e um alemão.
Embora a origem do foco continue desconhecida, segundo a OMS, o primeiro contágio ocorreu antes do início da expedição. O primeiro passageiro que morreu, um holandês de 70 anos, já apresentava sintomas em 6 de abril. Ele e a esposa haviam viajado por Chile, Uruguai e Argentina antes do embarque.
Entretanto, as autoridades provinciais de Terra do Fogo, na Argentina, disseram que “é praticamente nula” a possibilidade de que o casal tenha sido infectado em Ushuaia.
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