Suíça tem plano para nuclear iraniano
Depois de ter parcipado da Conferência de Munique sobre segurança, o negociador iraniano para o nuclear esteve reunido segunda-feira (12/02) em Berna com a presidente em exercício e ministra das Relações Exteriores Micheline Calmy-Rey.
Oficialmente, o Ministério suíço das Relações Exteriores (DFAE) informou que houve “discussões informais”, mas em Teerã o Ministério iraniano das Relações Exteriores disse que o Irã considera que as propostas suíças poderiam relançar o diálogo com o Ocidente.
O conteúdo das discussões foi de “natureza confidencial”, segundo o Ministério suíço das Relações Exteriores. Mas um porta-voz do DFAE declarou que a Suíça é favorável a uma solução diplomática para a atual controvérsia e “se engaja pela retomada das negociações sobre o nuclear iraniano”.
A chanceler Micheline Calmy-Rey incitou as autoridades iranianas a terem uma grande transparência nesse dossiê, afirma um comunicado do DFAE. A Suíça reconhece o direito de utilização pacífica da tecnologia nuclear mas rejeita toda forma de proliferação.
“A Suíça desempenha um papel facilitador. Nós consideramos que isso é construtivo”, declarou o negociador iraniano para o nucler, Ali Larijani, à televisão suíça TSR.
A Suíça está sempre envolvida com as questões iranianas porque representa os interessses dos Estados Unidos no Irã desde 1981, pois os dois países romperam as relações diplomáticas em 1980, depois do crise dos reféns americanos.
Examinar a «proposição suíça»
Ao exprimir-se diante da imprensa segunda-feira (12/02) em Teerã, o porta-voz do Ministério iraniano das Relações Exteriores falou da existência de uma “proposição suíça” para solucionar a crise do nuclear iraniano.
“Ainda não conhecedos exatamente o conteúdo do que os suíços propuseram mas se a proposta garante o direito do Irã em matéria nuclear, ela poderá ser examinada”.
Segundo diplomatas ocidentais em Bruxelas, Berna teria apresentado a Ali Larijani um projeto de compromissso dos países europeus, dentre eles a Alemanha, que preside atualmente a UE e o G-8.
Esse projeto, segundo as mesmas fontes, prevê que Teerã conserve suas instalações de enriquecimento de urânio mas sem alimentar suas centenas de centrifugadoras com exafluoreto de urânio, em troca de compensações negociadas com as grandes potências.
Compromisso anteriormente rejeitado
O ex-embaixador suíço no Irã, Tim Guldimann e o ex-diretor adjunto da Aência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Bruno Pellaud, tinham proposto em 2005 um “comopromisso” para solucionar o impasse nas negociações do nuclear iraniano. Em troca de controles mais severos da AIEA, Teerã teria direito a uma produção limitada de urânio.
Mas o ministro francês das Relações Exteriores, Philippe Douste-Blazy, rejeitou segunda-feira (12/02) qualquer solução que não seja a “suspensão de toda atividade nuclear sensível”, com verificação da AIEA. Os Estados Unidos mantêm sua posição, afirmando que o Irã deve começar por suspender as atividades ultra-sensíveis de enriquecimento de urânio.
Por sua vez, os ministros das Relações Exteriores da União Européia (UE) ofereceram segunda-feira ao Irã retomar as negociações relativas ao programa nuclear, leembrando que que aderem às sanções decididas na ONU, em dezembro.
Uma mudança no discurso
É difícil atualmente saber o que sairá das discussões em curso. Professor no Istituto Universitário de Estudos Internacionais, em Genebra, Mohammed-Reza Djalili, considera que o essas conversações em si são um sinal positivo.
“Observamos uma mudança no discurso iraniano, afirmou à Rádio suíça RSR. O tom é bem mais conciliante e tenho a impressão que Teerã quer retomar as negociações com a comunidade internacional, sobretudo com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), em Viena.”
O professor acrescenta que “as pressões internacionais começam a surtir efeito e também há vozes discordantes dentro do regime iraniano. Acho que é possível retomar o diálogo com Teerã rapidamente”, conclui Mohammed-Reza Djalili.
swissinfo com agências
A comunidade internacional suspeita que o Irã pretende ter a arma atômica, camuflada de programa nuclear civil.
Esse desejo não é novo. O regime precedente ao atual, nos anos 70, já pretendia obter a bomba atômica.
Mas a comunidade internacional não quer a bomba iraniana. O Conselho de Segurança da ONU, em duas resoluções, exige que o Irã suspenda o enriquecimento de urânio, o que a República Islâmica recusa.
Em dezembro, o Conselho de Segurança adotou sanções contra o Irã. Teerã corre o risco de novas medidas se não atender às exigências até 21 de fevereiro.
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