Protestos contra queimadas no Brasil em várias cidades suíças

Manifestantes protestando contra a onda de incêndios na Amazônia e a política ambiental do presidente brasileiro Jair Bolsonaro. Sérgio Ferrari

Aproximadamente 150 pessoas organizaram um protesto espontâneo contra os incêndios na Amazônia em Berna, capital da Suíça. Os participantes caminharam nas proximidades da Embaixada do Brasil. Cantando e dançando, chamaram a atenção para a onda de incêndios que se alastram pelas matas do Norte e Centro-Oeste e já podem ser sentidos até no céu de São Paulo.

Este conteúdo foi publicado em 23. agosto 2019 - 15:45
ATS e agências

O protesto durou algumas horas e foi dissolvido sem contratempos. A polícia acompanhou o cortejo. Os organizadores criticaram a destruição de grandes áreas florestais no Brasil e a política ambiental do presidente Jair Bolsonaro. "Os crimes do governo põem em risco os nossos meios de subsistência e prejudicam irreversivelmente o meio ambiente. O movimento internacional do clima opõe-se claramente a estes crimes", declararam.

Outras manifestações ocorreram também em Zurique, Basileia e Genebra. Os organizadores fazem parte do movimento mundial "Fridays for Future". Porém no comunicado enviado à imprensa, declaram que o protesto em Berna foi extraordinário. "Não pretendemos sair à rua todas as sextas-feiras, pois não vemos nenhum benefício estratégico nisso", explica Lena Bühler. Os ativistas do clima na Suíça organização uma primeira greve nacional em 28 de setembro.

Protestos em Genebra

Uma centena de pessoas protestaram frente ao Consulado do Brasil em Genebra contra a política de Bolsonaro. Os manifestantes exigiram que a floresta amazônica seja salva, pois está "em chamas".

"O atual governo não se importa com a floresta, pois só quer explorá-la", declarou a imigrante brasileira Carla Silva Hardmeyer, representante do Comitê Lula Livre em Genebra. Assim como outros manifestantes, ela respondeu ao chamado do movimento global.

Muitos dos presentes na praça criticavam abertamente Bolsonaro. Um dos cartazes empunhados exibia os dizeres "Bolso + Trump = criminosos" e "Queimar fascistas e não as florestas". A manifestação foi acompanhada pela polícia local. Os participantes bloquearam por alguns minutos o acesso à entrada do consulado.

Bombeiros em Porto Velho combatendo um incêndio na floresta em 18 de agosto de 2019. A região da Amazônia registrou mais da metade dos 71.497 incêndios detectados este ano, entre janeiro e agosto. É um aumento de 83% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Keystone / Porto Velho Firefighters Handout

"Nos últimos meses, os incêndios devastaram florestas e a tundra no Ártico. E agora os pulmões da terra estão sendo incendiados", criticou Inès Marthaler, do grupo Fridays for Future, no comunicado enviado à imprensa. "O mundo inteiro vê. Não pode continuar assim! ", acrescentou.

Incêndios e desmatamento

Desde a posse de Jair Bolsonaro, dia 1º de janeiro de 2019, aumentou a frequência das queimadas na região da Amazônia. O presidente brasileiro declarou que ONGs seriam culpadas pela origem dos incêndios. Na quinta-feira, Bolsonaro acusou mais uma vez ativistas ambientais, que convocaram manifestações em várias partes do planeta.

Segundo a agência brasileira de notícias EBC, o presidente brasileiro admitiu que tem havido incêndios criminosos e que, segundo ele, isso pode significar uma tentativa de afetar a soberania brasileira sobre a Amazônia. Ele comparou os incêndios no Brasil a outros que acontecem anualmente em regiões como a Califórnia, nos Estados Unidos.

Embora a dimensão e evolução dos incêndios na maior floresta tropical do mundo seja difícil de avaliar, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) relatou quase 2.500 novas queimadas em 48 horas em todo o Brasil. O desmatamento para abertura de pastos é a principal causa dos incêndios.


Este artigo foi automaticamente importado do nosso antigo site para o novo. Se há problemas com sua visualização, pedimos desculpas pelo inconveniente. Por favor, relate o problema ao seguinte endereço: community-feedback@swissinfo.ch

Partilhar este artigo