Alienando a extrema direita europeia, conspiração alienígena e ataque tarifário
Segundo a mídia suíça, os Estados Unidos tiveram uma semana marcada por diversos fenômenos de alienação - de sequestros intergalácticos a uma longa lista de perrengues bem terrestres.
Bem-vindos à nossa análise da cobertura da imprensa sobre os acontecimentos nos Estados Unidos. Todas as quintas-feiras, analisamos como a imprensa suíça tem noticiado e reagido a três notícias importantes nos EUA.
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Donald Trump é um exemplo clássico de como perder amigos e afastar as pessoas, segundo a emissora pública suíça SRF. Isso se estende até mesmo aos aliados europeus organicamente próximos do presidente dos EUA.
“No início do segundo mandato de Trump, a direita europeia acolheu com satisfação sua reeleição, na esperança de impulsionar seus próprios objetivos políticos. Mas desde então, Trump afastou até mesmo aqueles que antes gostavam dele”, afirmou Eveline Kobler, especialista em economia da SRF.
A lista de amizades azedadas é longa: a primeira-ministra italiana Giorgia Meloni, o líder do partido Reform UK, Nigel Farage, o partido Alternativa para a Alemanha, e Marine Le Pen, líder parlamentar do partido Rassemblement National na França.
Os correspondentes internacionais da SRF enumeram as queixas, desde insultar o Papa, sequestrar o ex-presidente da Venezuela Nicolás Maduro até os danos econômicos da guerra com o Irã.
E Farage parece ver Trump como um risco eleitoral, segundo a correspondente da SRF no Reino Unido, Fiona Endres. “Potenciais eleitores citam a amizade entre Trump e Farage como motivo para não votar no Reform UK”, escreve ela.
E as coisas não parecem muito melhores para Trump em seu próprio país. A SRF aponta para pesquisas que mostram que a aprovação geral de suas políticas está em 40%, enquanto 58% as desaprovam. Apenas 39% apoiam atualmente a política econômica dos EUA, enquanto 60% não apoiam.
- A perspectiva dos correspondentes internacionais da SRFLink externo (em alemão)
- A SRFLink externo destrincha as pesquisas de intenção de voto nos Estados Unidos (em alemão)
O jornal Le Temps revelou uma nova estratégia utilizada pelos EUA para impor tarifas punitivas à Suíça. Em março, os EUA abriram uma investigação sobre a possível “importação de bens produzidos por trabalho forçado” por empresas suíças.
A Suíça nega tal acusação, mas o jornal Le Temps acredita saber por que o país está sendo novamente destacado: as relações comerciais suíças com a China por meio de um tratado de livre comércio (TLC), que está em processo de atualização.
“Será que esse tratado de livre comércio com Pequim poderia se tornar um ponto de discórdia entre Berna e Washington?”, questiona o jornal. Os repórteres buscaram a opinião de Laurent Wehrli, que preside o intergrupo parlamentar suíço-chinês. “Com os americanos, tudo é possível hoje em dia”, disse ele.
A reportagem também revela outras pistas. Durante uma reunião com líderes empresariais suíços em novembro passado, a Casa Branca teria exigido que a Suíça cumprisse as regras de controle de exportação dos EUA e restabelecesse as sanções americanas contra Pequim.
O jornal alerta que a mais recente ameaça dos EUA pode dar força aos críticos internos do TLC sino-suíço, justamente quando as negociações para atualizá-lo chegam a um estágio avançado.
- A análise do Le TempsLink externo (em francês, paywall)
Em fevereiro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que divulgaria documentos confidenciais sobre vida extraterrestre. O anúncio deixou os entusiastas de OVNIs entusiasmados e apreensivos, o que levou a um aumento nas teorias da conspiração.
Grupos em redes sociais identificaram uma dúzia de cientistas que foram sequestrados ou assassinados por terem conhecimento de pesquisas ultrassecretas dos EUA sobre alienígenas, escreve o Neue Zürcher Zeitung. Entre eles está o general aposentado da Força Aérea William Neil McCasland, de 68 anos, que desapareceu de sua casa uma semana após o anúncio de Trump.
O desaparecimento de McCasland é um tema quente para os teóricos da conspiração, que acreditam que ele já chefiou um centro secreto de pesquisa da Força Aérea que examina destroços de OVNIs. A trilha levou a “sequestros” ou assassinatos de outros especialistas em OVNIs.
Trump alimentou a intriga ao iniciar investigações. “Trump, que entende de entretenimento, está constantemente se esforçando para manter o público envolvido. De certa forma, com as investigações do FBI sobre os cientistas desaparecidos, ele está oferecendo um verdadeiro drama policial em tempo real”, disse o NZZ.
No entanto, o jornal também ressalta que não é incomum que pessoas saiam de casa e não voltem. Cerca de 600 mil casos de pessoas desaparecidas são registrados a cada ano nos EUA.
- Análise do NZZLink externo (em alemão, paywall)
A próxima edição de “Notícias dos EUA” será publicada na quinta-feira, 30 de abril de 2026. Até lá!
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Adaptação: Eduardo Simantob, com ajuda do Deepl
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