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Mahmoud Ahmadinejad causa indignação em Genebra

O presidente iraniano discurso na conferência de Genebra

(Keystone)

Diplomatas europeus saíram da Conferência Antirracismo da ONU em Genebra, aberta nesta segunda-feira, reagindo ao discurso do presidente iraniano, que chamou o governo isralense de cruel e racista.

Na manhã de segunda-feira, o governo isralense chamou seu embaixador em Berna para consultas, depois do encontro, domingo, entre o presidente suíço Hans-Rudolf Merz, e o presidente iraniano.

Como era esperado, o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad criticou Israel, a Europa e os Estados Unidos, afirmando que eles desestabilizam o mundo.

No entanto, o presidente iraniano declarou acolher positivamente "a nova política norte-americana para o Irã", precisando que espera "mudanças concretas." O novo governo norte-americano do presidente Barack Obama de fato estendeu a mão ao Irã depois de quase 30 anos de ruptura das relações entre os dois países.

Os diplomatas europeus deixaram imediatamente a sala quando o presidente iraniano declarou que "depois do fim da Segunda Guerra Mundial, eles (os Aliados) recorreram à agressão militar para privar de terras uma nação inteira sob o pretexto do sofrimento judeu (...) Eles enviaram migrantes da Europa, dos Estados Unidos e do mundo do Holocausto para instaurar um governo racista na Palestina ocupada".

Ele também criticou duramente os ataques israelenses contra a população palestina em Gaza. "É preciso colocar um ponto final aos abusos perpetrados pelos sionistas", declarou o presidente iraniano em um discurso de pouco mais de 30 minutos.

Pouco antes, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, tinha advertido o presidente Mohmoud Ahmadinejad contra qualquer amálgama entre sionismo e racismo. A reunião entre ambos durou uma hora e meia no Palácio das Nações.

Primeiras reações

O ministro norueguês das Relações Exteriores, Gahar Stoere, condenou o discurso de Mahmoud Ahmadinejad. "Eu ouvi com atenção o presidente iraniano e vi a incitação ao ódio através de uma mensagem de intolerância", declarou na tribuna depois do discurso do presidente iraniano.

Suas palavras "vão ao encontro da dignidade e do espírito da conferência", declarou o ministro, acusando o Irã de querer "tomar como refém a vontade comum da maioria."

Em Paris, o presidente Nicolas Sarkozy denunciou um "apelo intolerável ao ódio racista". O discurso do presidente iraniano é um "apelo intolerável ao ódio racista, ele ignora os ideais e valores inscritos na Declaração Universal dos Direitos Humanos", afirmou o presidente francês através de um comunicado.

Os lamentos do secretário-geral

Na manhã de segunda-feira, o secretário-geral da ONU Ban Ki-moon havia aberto a conferência lamentando "profundamente que certos países haviam decidido não participar". De fato, uma dezena de países boicotam a conferência: Israel, Estados Unidos, Canadá, Alemanha, Itália, Holanda, Polônia, Austrália e Nova Zelândia.

"Estou profundamente decepcionado. Nós enfrentamos desafios imensos nesse período difícil em várias frentes", afirmou. O racismo persiste e nenhuma sociedade é poupada, declarou Ban Ki-moon.

"Somos fracos, divididos e bloqueados por velhos clichês... Falamos de tolerância e de respeito mútuo, mas continuamos a apontar com o dedo e a formular as mesmas acusações dos últimos anos, ou mesmo das últimas décadas", declarou.

Note-se que se a Suíça decidiu participar da conferência, a ministra das Relações Exteriores, Micheline Calmy-Rey não participa dos debates. A Suíça é representada por seu embaixador na ONU, Dante Martinelli.

Tensões israelo-suíças

Por outro lado, Israel reagiu duramente segundaa-feira ao encontro de domingo, em Genebra, entre o presidente suíço Hans-Rudolf Merz e o presidente iraniano.

O primeiro-ministro israelense Benjamin Nétanyahou e o ministro das Relações Exteriores Avigdor Lieberman decidiram chamar a Jerusalém, para consultas, o embaixador israelense em Berna. Ao mesmo tempo a encarregada de negócios da embaixada suíça em Tel-Aviv foi convocada para uma reunião urgente. As autoridades israelenses queriam comunicar seu descontentamento.

Hans-Rudolf Merz reagiu dizendo que compreendia as críticas, mas que elas eram injustificadas. A Suíça considera necessário seu papel de diálogo, explicou o presidente da Suíça às emissoras de rádio. Existe no Oriente Médio um potencial de conflito de grande amplitude, precisou Merz.

Para o deputado Gerri Müller, presidente da Comissão de Política Estrangeira da Câmara, o encontro entre Hans-Rudolf Merz e o presidente iraniano foi apropriado porque a Suíça representa os interesses dos Estados Unidos no Irã, lembrou.

Recentemente observados um início de reaproximação entre os Estados Unidos e o Irã, sinal que o diálogo continua necessário, concluiu o deputado.

swissinfo com agências

Durban

Setembro 2001. A ONU organizou uma conferência contra o racismo em setembro de 2001, em Durban, na África do Sul. Durante a conferência houve discursos pela destruição de Israel e uma declaração da sociedade civil considerada por alguns como antissemita.

Declaração. A conferência tinha evitado o fracasso na última hora pela adoção à unanimidade de uma declaração final e de um plano de ação cujo conteúdo foi admitido pelo governo israelense, que havia se retirado das negociações bem como os Estados Unidos.

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Genebra

Acompanhamento. Como geralmente ocorre na ONU, a conferência de Durban deveria ser seguida de outra conferência, encarregada de avaliar a aplicação dos textos adotados em 2001. É essa conferência que ocorre em Genebra, até 24 de abril.

Boicote. Depois de Israel, Canadá, Estados Unidos, Austrália, Nova Zelândia, Alemanha, Holanda, Itália e Polônia boicotam a conferência. Esses países temem que na conferência ocorram ataques antissemitas.

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