Berna pede suspensão dos assentamentos israelenses
A Suíça conclamou o governo israelense a suspender todos os projetos de assentamentos nos territórios palestinos ocupados. Outros países ocidentais também pressionam Israel.
Na avaliação de Berna, os projetos de assentamento e a destruição de casas palestinas violam o direito humanitário internacional.
“O Ministério suíço das Relações Exteriores (DFAE) está extremamente preocupado com a destruição de casas palestinas próximas à cidade antiga de Jerusalém Oriental, bem como com os planejados despejos”, conforme comunicado publicado nesta quarta-feira (22/7) em seu site.
O ministério faz um apelo ao governo israelense para que “suspenda essas atividades imediatamente e pare todos os projetos de assentamentos nos territórios palestinos ocupados”, continua o texto, que foi enviado diretamente às autoridades israelenses.
O apelo dirige-se principalmente contra a polêmica construção de novas casas no bairro árabe Sheikh Jarrah, em Jerusalém Oriental. Famílias palestinas receberam ordens de despejo.
Assentamentos incompatíveis com a paz
Segundo o DFAE, “Jerusalém Oriental é parte integrante dos territórios palestinos ocupados. Israel tem o compromisso, com base no direito humanitário internacional, de garantir a proteção da população.”
A construção de novas casas israelenses em Jerusalém Oriental contraria os planos de transformar o território em capital de um futuro Estado palestino. “A continuidade da atividade de assentamento israelense é incompatível com um verdadeiro processo de paz para a elaboração de uma solução duradoura para o conflito israelense-palestino”, diz o comunicado do ministério dirigido por Micheline Calmy-Rey.
Na opinião do governo suíço, os projetos de assentamento israelenses e a destruição de casas em territórios palestinos ocupados violam o direito humanitário internacional, que proíbe uma potência ocupante de destruir bens em territórios ocupados ou transferir civis para lá. “Não há qualquer necessidade militar para essa destruição de casas ou para o despejo de famílias palestinas.”
Pressão sobre Israel
Na terça-feira (21/7), a Alemanha, a França e a Suécia – país que exerce a presidência rotativa da União Europeia no segundo semestre de 2009 –, se juntaram aos governos ocidentais que pressionam Israel a suspender a ampliação de assentamentos na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental.
Segundo a agência de notícias Reuters, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que reluta a congelar as obras nos territórios palestinos ocupados, pareceu dar um sinal de flexibilidade. De acordo com o renomado jornal israelense Haaretz, o governo tem um plano secreto para retirar mais de 20 postos avançados construídos ilegalmente por colonos.
O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, diz que só retomará as negociações de paz com Israel se todas as construções nos assentamentos forem suspensas. As negociações foram abandonadas desde a eleição do direitista Netanyahu, em fevereiro deste ano.
swissinfo.ch (com agências)
Há uma semana, notícias sobre um encontro entre diplomatas suíços e um representante do grupo islâmicos Hamas (que há dois anos controla a Faixa de Gaza) gerou atritos entre Berna e Tel-Aviv.
Israel cobrou, através de sua embaixada em Berna, uma explicação sobre o encontro com Mahmud al-Zahar, do Hamas, que manteve conversações também em outras capitais europeias.
“A Suíça conversa com todas as partes, também com o Hamas”, explicou uma porta-voz do Ministério suíço das Relações Exteriores. “O Hamas é um ator importante, que não pode ser ignorado na solução do conflito (do Oriente Médio)”, disse a ministra Micheline Calmy-Rey, na ocasião, à rádio RSR.
“Estamos perplexos com o fato de que a Suíça deu visto de entrada a representantes de uma organização que foi declarada organização terrorista por grande parte da comunidade internacional”, disse a embaixada israelense em Berna em um comunicado.
Ao contrário da União Europeia, a Suíça não considera o Hamas uma organização terrorista.
Certificação JTI para a SWI swissinfo.ch
Mostrar mais: Certificação JTI para a SWI swissinfo.ch
Veja aqui uma visão geral dos debates em curso com os nossos jornalistas. Junte-se a nós!
Se quiser iniciar uma conversa sobre um tema abordado neste artigo ou se quiser comunicar erros factuais, envie-nos um e-mail para portuguese@swissinfo.ch.