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UBS é orientado a moderar lobby em embate com o governo suíço

O maior banco da Suíça está em desacordo com o governo há quase dois anos devido a planos para obrigá-lo a aumentar os seus requisitos de capital em até US$ 26 bilhões.
O maior banco da Suíça está em desacordo com o governo há quase dois anos devido aos planos de obrigá-lo a aumentar os seus requisitos de capital em até US$ 26 bilhões. Keystone / Claudio Thoma

O UBS foi orientado a moderar sua campanha de lobby no embate com o governo suíço em torno das reformas de capital. O banco também avalia prorrogar o mandato de seu diretor-executivo para além do próximo ano.

O maior banco da Suíça está em desacordo com o governo há quase dois anos devido aos planos de Berna de obrigá-lo a aumentar suas exigências de capital em até US$ 26 bilhões (CHF 20 bilhões). Nas últimas semanas, porém, a posição do governo endureceu e a ministra das Finanças rejeitou a principal proposta de compromisso que havia sido apresentada.

Parlamentares alertaram o UBS para reduzir a exposição pública de seu diretor-executivo, Sergio Ermotti, na oposição às mudanças, disseram duas pessoas familiarizadas com o assunto. “Uma grande parte do parlamento suíço, na verdade, concorda com o banco [em um ponto central de divergência], mas dissemos a eles que o lobby da instituição, e, em particular, as declarações de Ermotti, não são úteis neste momento”, afirmou um dos parlamentares.

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Outro parlamentar da câmara alta suíça disse ter aconselhado, em privado, a instituição a “reconsiderar sua campanha de lobby”, particularmente após o desgaste da relação entre a direção do banco e a ministra das Finanças, Karin Keller-Sutter.

Em dezembro, um conjunto de propostas de compromisso para a reforma de capital foi apresentado por um grupo suprapartidário de políticos suíços, o que foi visto como um possível avanço para o banco.

A ministra das Finanças, no entanto, rejeitou as propostas de compromisso, que recomendavam uma versão consideravelmente diluída do projeto inicial do governo, acabando, assim, com as esperanças de que os dois lados pudessem achar uma solução viável.

A mudança na posição do governo forçou o UBS a revisar seu planejamento sucessório. Agora, o conselho do banco considera estender o mandato de Ermotti para além do próximo ano, de acordo com fontes próximas ao caso.

Ermotti voltou a comandar o UBS em 2023, após a aquisição do Credit Suisse, organizada pelo governo suíço. O diretor-executivo planejava deixar o cargo em abril de 2027, quando a integração das duas instituições estivesse concluída, relatou o Financial Times em janeiro.

Com 65 anos, Ermotti havia declarado anteriormente que ocuparia o cargo até “pelo menos” o final de 2026 ou o início de 2027, mas não especificou uma data.

Agora, no entanto, o conselho de administração está aberto à possibilidade de estender a permanência de Ermotti no comando do banco, para que ele possa continuar à frente da instituição até que haja maior clareza sobre sua futura posição de capital, disseram as fontes. Ermotti ainda não tomou uma decisão definitiva sobre sua permanência no cargo além de abril de 2027, acrescentaram.

O jornal suíço NZZ foi o primeiro a noticiar que o UBS estava avaliando estender o mandato de Ermotti.

O conselho do banco já listou alguns possíveis sucessores para o cargo de diretor-executivo, entre eles os codiretores de gestão de patrimônio, Iqbal Khan e Robert Karofsky; o diretor de gestão de ativos, Aleksandar Ivanovic, e a diretora de operações, Bea Martin.

Uma pessoa familiarizada com os esforços de lobby do UBS disse que reduzir a exposição pública de Ermotti não é algo que o banco esteja disposto a considerar.

O UBS afirmou que Ermotti “continuará como diretor-executivo do grupo pelo menos até o início de 2027”, e acrescentou: “com a integração apenas substancialmente concluída no fim de 2026, como planejado, e com o importante trabalho pela frente de preparar o banco para a próxima fase de sua estratégia e trajetória de crescimento, é prematuro especular sobre quando Sergio deixará o cargo”.

“Quando chegar o momento de decidir sobre um sucessor, o conselho poderá escolher entre um leque de fortes candidatos internos, mas, é claro, também cumprirá seu dever fiduciário de avaliar candidatos externos”, afirmou o banco.

Copyright The Financial Times Limited 2026
Adaptação: Clarice Dominguez

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