Rubio apoia Israel em seu objetivo de erradicar o Hamas
O secretário de Estado, Marco Rubio, disse nesta segunda-feira (15) em Jerusalém que os Estados Unidos darão “apoio inabalável” a Israel na guerra em Gaza e pediu a eliminação do movimento islamista Hamas.
A visita do chefe da diplomacia americana coincidiu com uma cúpula de países árabes e muçulmanos em Doha, capital do Catar, para onde tem previsto viajar na terça-feira.
Durante a reunião, o emir deste país do Golfo voltou a criticar Israel por seu bombardeio em 9 de setembro, que teve como alvo líderes do Hamas que estavam na capital do Catar e pretendiam examinar uma nova proposta de trégua dos Estados Unidos para Gaza.
“O povo de Gaza merece um futuro melhor, mas esse futuro melhor não pode começar até que o Hamas seja eliminado”, disse Rubio a jornalistas em Jerusalém, acompanhado do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.
“Vocês podem contar com nosso apoio inabalável e compromisso para tornar isso uma realidade”, acrescentou.
Netanyahu afirmou que a visita de Rubio é uma “mensagem clara” de que Washington apoia seu país e elogiou o presidente americano, Donald Trump, por seu apoio, ao chamá-lo de “o maior amigo que Israel já teve na Casa Branca”.
Por outro lado, o secretário de Estado acusou aliados dos Estados Unidos, como o Reino Unido e a França, de encorajarem o Hamas com suas intenções de reconhecer oficialmente a existência de um Estado palestino.
“Eles não têm absolutamente nenhum impacto em nos aproximar de um Estado palestino. O único impacto que têm é fazer o Hamas se sentir mais encorajado”, afirmou.
Rubio sublinhou que Trump quer que a guerra em Gaza “acabe”, o que implicaria na libertação dos reféns capturados no ataque do grupo islamista em 7 de outubro de 2023, que desencadeou o conflito, e na garantia de que o Hamas “deixe de ser uma ameaça”.
Mas as negociações para encerrar o conflito se complicaram na semana passada, quando o governo Trump foi pego de surpresa pelo bombardeio israelense no Catar – outro aliado próximo de Washington. O próprio presidente republicano não se mostrou satisfeito.
Nesta segunda-feira, Trump disse aos jornalistas em Washington que Netanyahu “não atacará” no Catar outra vez.
– “Rever” relações com Israel –
Em Doha, a cúpula da Liga Árabe e da Organização para a Cooperação Islâmica adotou uma declaração final pedindo a revisão das relações com Israel.
No documento ao qual a AFP teve acesso, os países instaram os quase 60 membros a tomar medidas, “incluindo (…) rever as relações diplomáticas e econômicas, e iniciar processos legais” contra Israel.
Após o mal-estar causado pelo ataque, Rubio visitará o emirado na terça-feira e expressará o apoio de Washington à sua “soberania”, indicou o porta-voz do Departamento de Estado, Tommy Pigott.
Mas o Conselho de Cooperação do Golfo, integrado por Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Catar, Kuwait e Omã, instou Washington, nesta segunda, a usar sua influência para conter Israel.
Depois de visitar no domingo o Muro das Lamentações – o lugar mais sagrado do judaísmo – com Netanyahu, Rubio se reuniu com familiares de reféns.
Das 251 pessoas sequestradas em 7 de outubro, 47 continuam retidas em Gaza, 25 das quais faleceram, segundo o Exército israelense.
Em outro gesto muito simbólico, o chefe da diplomacia americana assistiu na noite de segunda-feira à inauguração de um túnel para turistas religiosos que passa por baixo do bairro palestino de Silwan até os locais sagrados.
Rubio, um católico devoto, escreveu no X que a chamada Rota de Peregrinação reflete um “vínculo cultural e histórico duradouro entre os Estados Unidos e Israel” e os “valores judaico-cristãos que inspiraram os pais fundadores” do seu país.
Em Jerusalém, o funcionário americano também se mostrou pessimista quanto à possibilidade de uma solução “diplomática” em Gaza, classificando o Hamas como “animais bárbaros”.
Enquanto isso, o Exército israelense continuou sua ofensiva na Cidade de Gaza, a principal do território, governado pelo Hamas, onde pelo menos 49 pessoas morreram nesta segunda-feira em ataques israelenses, segundo a Defesa Civil local.
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No ataque de de 2023, comandos islamistas do Hamas mataram 1.219 pessoas em Israel, a maioria civis, segundo uma contagem da AFP baseada em fontes oficiais.
A campanha de retaliação israelense já deixou mais de 64.900 mortos em Gaza, também em sua maioria civis, segundo dados do Ministério da Saúde do território governado pelo Hamas, que a ONU considera confiáveis.
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