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Facebook já tem mais de 500 milhões de usuários

Expansão acelerada Reuters

A rede social Facebook acaba de superar 500 milhões de usuários, cerca de 7% da população mundial.

Mesmo se na Suíça é cada vez mais difícil resistir à plataforma popular, muita gente ainda consegue ficar fora dela.

Já parece um continente. A soma dos usuários do Facebook equivale às populações dos Estados Unidos, do Japão e da Alemanha, reunidas. É um exército que desde 2004 se mantém em contato através do portal criando pelo estudante norte-americano Mark Zuckerberg, um dos mais jovens miliardários no mundo.

Ao anunciar o recorde histórico, seu fundador recordou-se da ideia – vagamente utópica – que depois se tornaria a formidável máquina de ganhar dinheiro: “Criar um mundo mais aberto e mas conectado, no qual seria possível ficar sempre em contato com as pessoas que gostamos.”

Sempre mais

Até quando Facebook continuará a crescer? “Ninguém pode responder com certeza a essa pergunta, mesmo se esse fenômeno é anômalo comparado às outras redes sociais, que tinham um pico de inscrições e depois caiam, em média, dois anos depois”, explica Paulo Attivissimo, jornalista especializado em internet e autor de um popular blog.

Facebook, ao contrário, continua a crescer há seis anos. “Ele provavelmente atingiu uma tal massa crítica que é difícil não se inscrever no portal”. Essa é uma tendência constatada pela swissinfo.ch: presente no Facebook desde meados de 2009, ela já tem 43.756 seguidores.

Entre os fatores de sucesso de Facebook está a facilidade de utilizá-lo, que atrai inclusive os menos jovens. “Pelo menos em aparência, o portal é efetivamente simples a utilizar. Rapidamente pode-se criar um perfil e dividir conteúdos – por exemplo fotos – com outros usuários”, acrescenta Attivissimo.

Linha direta

Porém, Facebook não é apenas um instrumento de contato e troca de conteúdo. Muitos dos usuários o utilizam para promover seus produtos e manter um contato constante com a clientela.

Principalmente nos países de língua inglesa, Facebook é um canal de comunicação muito utilizado, pois consegue dar visibilidade e diálogo direto com os que se interessam por determinado produto ou um tema particular. Como exemplo, a BBC (rede pública britânica de comunicação) e muitas outras criaram páginas no Facebook.

Até na Suíça, ministérios e empresas estatais como Postfinance e Swisscom desfrutam das possibilidades da rede social. O objetivo é atrair um público mais jovem e majoritariamente refratário aos meios tradicionais de publicidade.

Mas na Suíça, Facebook ainda é utilizado sobretudo pelos jovens. Uma sondagem recente contatou que metade dos usuários da rede estão na faixa de 18 a 35 anos; para a faixa dos 35 anos 44 anos, o percentual cai para 16% e aos 55 anos é de apenas 3%.

Aprender a utilizar

No entanto, é preciso considerar o outro lado da medalha, como os riscos de abuso na utilização dos dados pessoais. Na Suíça, o responsável pela proteção de dados já advertiu mais de uma vez a população: os usuários das redes sociais não têm como controlar a utilização de seus dados e não são raras as pessoas que foram confrontadas a situações indesejáveis.

“Publicar dados pessoas é delicado porque é muito difícil saber quem terá acesso ou não. A consequência é que, às vezes, são divulgadas informações que deveriam ser confidenciais”, adverte Attivissimo.

Apesar das limitações tecnicas, “muitas pessoas não pensam que, por exemplo, dados relativos à vida profissional publicados no Facebook podem ter consequências negativas. No final das contas, é uma questão de responsabilidade pessoal e de familiarização com um novo meio de comunicação.”

Facebook foi sujeito a críticas por causa de alguns grupos que suscitaram indignação como o que propunha usar crianças como escudo o que se alegrava pela morte de soldados em Kabul.

Segundo Attivissimo, “muitas pessoas são movidas pelo desejo de serem conhecidas, de emergir do grande universo do Facebook. Mesmo para isso é necessário utilizar corretamente o novo instrumento e respeitar regras.”

Não é indispensável

Seja por razões de segurança ou por outro motivo, Facebook não atrai a todos. Sara Contini, 35 anos, trabalha no setor de comunicações e não está no Facebook: “Ainda não encontrei um motivo válido para me inscrever. Acompanhei o desenvolvimento da internet e desde o início tenho e-email, mas não vejo utilidade no Facebook.”

Ela também discorda do discurso pró-Facebook: “Me parece que é mesmo discurso dos celulares de última geração, com um montão de recursos, mas poucas funções realmente úteis. No final, você acaba sendo usado pelo instrumento ao invés de utilizá-lo”, afirma Sara Contini.

Mas como trabalhar em comunicação ignorando um istrumento tão popular? “Não tem problema, posso encontrar as informações que procuro nos meios que já existem: blog, fórum, sítios etc.”, responde.

Outra razão para não aderir ao Facebook é a falta de tempo fora do horário de trabalho. “Um dia tem 24 horas. Se dedico apenas uma a discutir com pessoas que estão a 10 mil km de distância, perco um tempo importante para mim que é estar com minha família. Não posso ficar sem internet, mas sem Facebook posso. Existe vida sem computador e seria pecado não ter tempo de vive-la.””

Andrea Clementi, swissinfo.ch
(Adaptação: Claudinê Gonçalves)

Seis dos sete ministérios na Suíça e a Chncelaria Federal decidiram bloquear o acesso ao Facebook desde 15 de setembro de 2009.

Pesquisa feita pela Secretaria Federal de Informática e Telecomunicação concluiu que Facebook era o segundo sítio mais consultado pelos funcionários da administração federal.

Depois de um imediato apelo à moderação , um novo levantamento contatou uma melhora sensível da situação.

No entanto, nos ministérios do Interior, Justiça e Polícia, Defesa, Finanças, Economia, Transportes e na Chancelaria Federal, o acesso ao Facebook continua bloqueado.

Os funcionários que devem acessar a rede por razões profissionais, precisam de autorização de um superior hierárquico.

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