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Qatar financia presença do Islã na Suíça

O Qatar investiu vários milhões de francos em projetos de mesquitas e centros islâmicos na Suíça, de acordo com o livro "Qatar Papers".

Este conteúdo foi publicado em 08. abril 2019 - 11:45
Inaugurado em 2016, o Museu das Civilizações Islâmicas de La-Chaux-de-Fond, no cantão de Neuchâtel, estaria entre os beneficiários da generosidade do Qatar © Keystone / Laurent Gillieron

Para escrever o livro, os jornalistas Christian Chesnot e Georges Malbrunot contaram com um vazamento de documentos internos para uma ONG financiada pela família real do Qatar, revelaram os jornais suíços 24HeuresLink externo e Tribune de GenèveLink externo.

Esses documentos permitem avaliar a extensão do financiamento do emirado em projetos relacionados a organizações muçulmanas na Europa.

O livro afirma que a organização Qatar Charity financiou 140 mesquitas e centros islâmicos na Europa por 71 milhões de euros.

"O Qatar é hoje um dos principais protagonistas no financiamento do Islã na Europa", comentou Georges Malbrunot, coautor do livro e repórter do jornal francês Le Figaro. A Itália é o principal país beneficiado, com mais de 50 projetos financiados.

Salário para acadêmico muçulmano suíço

Baseado em uma nota da organização francesa de monitoramento financeiro Tracfin, o livro revela ainda que Tariq Ramadan, o intelectual suíço preso na França por acusações de estupro e próximo à Irmandade Muçulmana, recebe 35.000 euros por mês da Qatar Foundation, outra ONG do emirado, como "consultor".

Grande defensor do Islã na Europa, o ex-professor da Universidade de Oxford também teria recebido 19.000 euros da Liga dos Muçulmanos da Suíça no início de 2018, no momento de sua prisão na França.

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Cinco projetos financiados na Suíça

Na Suíça, a ONG injetou entre 2011 e 2014 mais de 3,6 milhões de euros (4 milhões de francos) em cinco projetos de organizações muçulmanas em Prilly (cantão de Vaud), Biel (Berna), La Chaux. Fonds (Neuchâtel) e Lugano (Ticino).

Mohamed e Nadia Karmous, responsáveis do Museu de Civilizações Islâmicas de La Chaux-de-Fonds, teriam desempenhado um "papel central". De acordo com o "Qatar Papers", o casal, apreciado nas mais altas esferas do movimento Irmandade Muçulmana (“Frères musulmans”, em francês), recebeu pelo menos sete transferências de fundos para o museu, para um total de quase 1,4 milhões de francos.

Contatado pela equipe editorial dos jornais suíços, Mohamed Karmous não quis comentar o livro sem tê-lo lido, mas assegurou "respeitar as leis suíças".

O Complexo Cultural Muçulmano de Lausanne em Prilly (1,6 milhão de francos) e a Mesquita Salah-Eddine, em Biel, também estão entre as estruturas que receberam dinheiro do emirado.

Tráfico de influência

"O Qatar se conecta com as redes ligadas ao movimento da Irmandade Muçulmana, o que facilita seu acesso", afirma Georges Malbrunot.

"Há um enorme investimento do Qatar para influenciar o islamismo europeu", disse o jornalista, observando que o emirado árabe impôs condições para sua ajuda ao museu de La Chaux-de-Fonds: "eles impuseram o hasteamento da bandeira, a presença de líderes do Qatar em reuniões importantes..."

Diante de Georges Malbrunot, o representante da Federação das Organizações Islâmicas da Suíça (FOIS), Pascal Gemperli, lembrou que o financiamento de todas as mesquitas do país era "98%" de origem suíça. "Estamos longe da inundação de fundos estrangeiros", disse.

Pascal Gemperli acrescentou que a Qatar Charity tem parcerias com a Fundação Bill Gates, trabalha com o Programa das Nações Unidas para Alimentação, a Unicef e a Organização Mundial de Saúde. “Ela não é uma organização pária", concluiu.


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