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Putin aperta o cerco à Nestlé na Rússia

Por que razão Putin está a colocar a Nestlé sob administração judicial
O presidente russo, Vladimir Putin, colocou duas subsidiárias da Nestlé sob administração compulsória, aumentando a pressão sobre empresas ocidentais que continuam operando na Rússia. Keystone-SDA

O Kremlin colocou duas subsidiárias da Nestlé sob administração compulsória, numa medida que pode abrir caminho para a expropriação de ativos da gigante suíça no país.

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Por que Putin está fazendo isso?

A decisão foi tomada após uma denúncia apresentada por uma empresa russa, que acusou a Nestlé de não ampliar sua produção no país e de não realizar exportações.

Esses argumentos, no entanto, parecem mais um pretexto do que uma justificativa real. Normalmente, esse tipo de acusação não levaria o governo russo a impor uma administração compulsória sobre empresas privadas.

Casos anteriores mostram que esse tipo de intervenção costuma ser o primeiro passo para uma eventual expropriação pelo Estado russo. Depois disso, os ativos frequentemente acabam nas mãos de empresários ou grupos com fortes ligações com o Kremlin.

Por isso, especialistas acreditam que interesses políticos ou econômicos mais poderosos podem estar por trás da denúncia apresentada contra a Nestlé.

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Quem está por trás da iniciativa?

Ainda não se sabe.

A empresa que apresentou a queixa contra a Nestlé é uma pequena companhia russa praticamente desconhecida até o surgimento desse caso.

Mas vale observar o que ocorreu com empresas estrangeiras que já passaram por processos semelhantes. Entre elas estão a cervejaria dinamarquesa Carlsberg e a fabricante francesa de alimentos Danone.

No caso da Danone, as operações russas da empresa passaram para o controle de pessoas ligadas ao líder checheno Ramzan Kadyrov, um dos aliados mais fiéis de Putin.

Há quem veja esse tipo de transferência de ativos como uma forma de recompensar aliados políticos ou garantir sua lealdade ao Kremlin. Ainda assim, o caso da Nestlé apresenta características diferentes.

O que torna o caso Nestlé diferente?

Nos episódios envolvendo Danone, Carlsberg e outras multinacionais, as empresas pretendiam deixar a Rússia após o início da guerra contra a Ucrânia.

Antes que conseguissem vender seus ativos ou encerrar suas operações, foram colocadas sob administração compulsória e posteriormente expropriadas.

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A mensagem era clara: companhias ocidentais que decidissem abandonar o mercado russo poderiam sofrer retaliações.

A Nestlé, porém, não tinha planos de sair do país. A empresa vinha seguindo as regras impostas pelas autoridades russas e mantinha suas operações locais.

Por isso, a decisão atual foi recebida com surpresa.

O que essa escalada pode significar?

Ainda é cedo para saber exatamente quais são as intenções do Kremlin. Mas alguns sinais já podem ser identificados.

Até agora, muitas empresas ocidentais que permaneceram na Rússia acreditavam estar relativamente protegidas desde que não demonstrassem intenção de deixar o país.

O caso da Nestlé sugere que essa segurança pode ter desaparecido.

Ao mesmo tempo, sair da Rússia tornou-se cada vez mais difícil. A situação cria um ambiente em que o governo russo pode pressionar empresas estrangeiras quando desejar, usando a ameaça de expropriação como instrumento de negociação e influência.

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Guerra e dificuldades econômicas

A medida também pode ser interpretada no contexto dos desafios enfrentados pela economia russa após mais de quatro anos de guerra na Ucrânia.

Com o aumento dos gastos militares, as sanções internacionais e a pressão sobre as contas públicas, o Kremlin busca novas formas de obter recursos e amenizar os impactos econômicos do conflito.

Nesse cenário, empresas estrangeiras que ainda operam no país podem se tornar alvos cada vez mais vulneráveis de intervenções estatais.

Adaptação: Fernando Hirschy

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