Estados Unidos sobretaxam produtos brasileiros
Em mais um capítulo da escalada comercial entre Brasil e Estados Unidos, Donald Trump anuncia tarifas de 25% sobre uma série de produtos brasileiros a partir de 22 de julho. Brasília classificou a medida como ilegal e prometeu retaliação. Este foi um dos temas de destaque na imprensa helvética durante a semana.
Mas, se você acompanhou outras manchetes publicadas em jornais e revistas suíços, provavelmente também se deparou com o instigante artigo da historiadora Alexa Stiller. Nele, a autora faz uma crítica ao livro lançado recentemente, intitulado Ajuda Humanitária da Suíça a Criminosos de Guerra da SSLink externo, que aborda como muitos desses criminosos acabaram encontrando refúgio no Brasil.
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Washington impõe tarifas de 25% ao Brasil
O anúncio dos Estados Unidos de que imporão tarifas de 25% sobre uma série de produtos brasileiros ganhou ampla repercussão e foi publicado por diversas mídias suíças, por se tratar de um tema de relevância internacional, com possíveis impactos sobre o comércio global, as cadeias de abastecimento e as relações diplomáticas.
As novas tarifas entrarão em vigor em 22 de julho e resultam de uma investigação comercial iniciada por Washington em 2025. O governo brasileiro classificou as medidas como “ilegais” e anunciou que adotará ações de reciprocidade. Alguns produtos, como laranjas, determinados itens energéticos e peças aeronáuticas, permanecerão isentos por não serem produzidos nos Estados Unidos ou por sua importância para a economia norte-americana.
Além de questões comerciais, de propriedade intelectual, corrupção e desmatamento, os Estados Unidos criticam decisões da Justiça brasileira relacionadas à economia digital e à moderação de conteúdos em redes sociais, consideradas por Washington barreiras comerciais desleais.
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Suíça escapa de tarifas pesadas com acordo bilionário com os EUA
A disputa ocorre em um contexto político sensível, às vésperas das eleições presidenciais brasileiras de outubro, e também está ligada às tensões entre Donald Trump e o Brasil após a condenação de Jair Bolsonaro. Embora algumas sobretaxas sobre produtos agrícolas tenham sido retiradas devido ao risco de inflação, as novas medidas podem agravar as relações entre os dois países. Em 2025, os Estados Unidos exportaram mais de 54 bilhões de dólares para o Brasil e importaram cerca de 40 bilhões.
Fonte: blick.chLink externo, 24heures.chLink externo, 20min.chLink externo, watson.chLink externo em 16.07.2026 (francês e alemão)
Uruguaio silencia o Maracanã
O jornalista Philipp Reich, do portal suíço Watson, relembra um dos momentos mais marcantes da história do futebol: a partida entre Brasil e Uruguai, disputada em 16 de julho de 1950, no estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro.
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O Sequestro da Amarelinha – um podcast sobre futebol, corrupção, sonhos e poder
Grande favorito e jogando em casa diante de cerca de 200 mil torcedores, o Brasil precisava apenas de um empate para conquistar seu primeiro título mundial. A seleção brasileira abriu o placar com Friaça, mas o Uruguai reagiu com gols de Juan Schiaffino e Alcides Ghiggia, vencendo por 2 a 1 e conquistando o campeonato.
A derrota, que ficou conhecida como “Maracanaço”, provocou um choque nacional e continua sendo considerada o maior trauma da história do futebol brasileiro, mesmo após a goleada de 7 a 1 sofrida contra a Alemanha em 2014. O goleiro Moacyr Barbosa foi transformado no principal culpado e carregou esse estigma pelo resto da vida.
O episódio também provocou mudanças simbólicas no futebol brasileiro. A seleção deixou de usar a camisa branca e passou a adotar o uniforme amarelo e azul. Com essas cores, o Brasil conquistaria posteriormente cinco títulos mundiais, em 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002.
Fonte: watson.ch em 16.07.2026Link externo (alemão)
A “tradição humanitária”
Em artigo publicado no WOZ, semanário de esquerda de grande popularidade na Suíça, a historiadora Alexa Stiller, da Universidade de Berna, analisa criticamente o livroLink externo de Peter Hug, intitulado Ajuda humanitária da Suíça a criminosos de guerra da SS. Sobre a criação de uma colônia de colonos étnicos no Brasil.
A obra investiga o envolvimento de organizações humanitárias, autoridades públicas e instituições católicas suíças na criação, em 1951, de uma colônia de aproximadamente 2.500 suábios do Danúbio no Brasil. Entre os colonos encontravam-se pelo menos 16 antigos integrantes da Waffen-SS, alguns deles potenciais criminosos de guerra. Para Stiller, o principal escândalo não está apenas na presença desses homens, mas no amplo consenso institucional suíço de que o projeto era humanitário, legítimo e socialmente desejável.
Segundo a análise, a colônia foi concebida como um assentamento étnica e religiosamente homogêneo, destinado a preservar a identidade alemã e católica dos colonos, sem integração plena à sociedade brasileira. Sua implantação envolveu redes católicas e germanófilas, financiamento ligado às exportações suíças, negociações políticas e até o pagamento de subornos. O projeto também contou com o apoio do governo brasileiro, interessado na modernização agrícola e na política racista de “clareamento” da população por meio da imigração europeia.
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Neutralidade suíça garantiu voz da América Latina na Europa nazista
A população local foi a principal prejudicada: famílias foram desapropriadas, expulsas de suas terras ou submetidas posteriormente a trabalhos agrícolas mal remunerados. Stiller destaca ainda a conclusão de Hug de que a chamada “tradição humanitária” suíça foi, em grande medida, uma construção do pós-guerra, utilizada para encobrir a colaboração econômica e militar da Suíça com a Alemanha nazista e melhorar a imagem internacional do país.
A historiadora considera especialmente revelador que essa reinvenção humanitária tenha ocorrido por meio de um projeto colonial no Sul Global, marcado por interesses econômicos, critérios étnicos, racismo e pela participação de antigos membros da SS. Para ela, o estudo de Peter Hug contribui para desmontar narrativas nacionais idealizadas e demonstra a necessidade de novas pesquisas críticas sobre a história contemporânea suíça.
Fonte: woz.ch em 16.07.2026Link externo (alemão)
Polêmica sobre o acordo com o Mercosul
Em artigo publicado no jornal NZZ, considerado o jornal de maior prestígio da Suíça germanófona, o jornalista Andri Rostetter analisa a forte controvérsia política em torno do acordo de livre comércio entre a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) e o Mercosul.
O acordo prevê a eliminação gradual de tarifas sobre 90% a 95% das exportações suíças para Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. Em contrapartida, a Suíça concederia facilidades para a importação de produtos agrícolas. A proposta, porém, foi provisoriamente rejeitada no Conselho Nacional por uma aliança entre social-democratas, Verdes e representantes do setor rural.
A Federação Suíça dos Agricultores sustenta que o governo subestimou os prejuízos para a agricultura ao utilizar um estudo da Agroscope, publicado em 2020. Seu presidente, Markus Ritter, afirma que mercados como os de carne suína e manteiga poderiam sofrer impactos relevantes e exige compensações de 880 milhões de francos entre 2028 e 2035. O Conselho Federal (n.r.: os sete ministros que governam o país e formam o Poder Executivo) havia proposto apenas 158 milhões de francos.
O Ministério suíço da Economia (SECOLink externo, na sigla em alemão) rejeita as acusações. Segundo o órgão, o estudo já considerava os contingentes tarifários mais sensíveis, foi reavaliado recentemente e continua válido. O governo argumenta que os volumes adicionais representam, em sua maioria, menos de 2% do consumo interno e teriam efeitos mínimos sobre preços e produção.
A principal preocupação dos agricultores não se limita, contudo, ao impacto imediato. Eles temem que a concessão de contingentes agrícolas preferenciais fora das regras usuais da Organização Mundial do Comércio crie um precedente, permitindo que outros países exijam condições semelhantes no futuro.
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O que é preciso saber sobre o acordo UE-Mercosul
Enquanto a indústria suíça considera o Mercosul, com mais de 270 milhões de consumidores, uma oportunidade estratégica para diversificar exportações e fortalecer a resiliência econômica do país, o setor agrícola ameaça impedir definitivamente o acordo. A decisão dependerá agora do Conselho dos Estados (Senado) e poderá antecipar conflitos semelhantes nas negociações da Suíça com a União Europeia.
Fonte: nzz.ch em 16.07.2026Link externo (alemão)
Michelle Bolsonaro reclama de “fraude” e “humilhações”
Em artigo publicado no jornal suíço Basler Zeitung, o jornalista Christof Münger analisa como as disputas internas da família Bolsonaro e a interferência política de Donald Trump estão prejudicando a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro no Brasil.
O principal conflito envolve Flávio e sua madrasta, Michelle Bolsonaro. A ex-primeira-dama, que teria sido preterida por Jair Bolsonaro na escolha do candidato da família, passou a criticar publicamente o enteado e a divulgar mensagens interpretadas como ataques à sua candidatura. A divisão ameaça afastar especialmente eleitoras e integrantes do poderoso segmento evangélico, no qual Michelle possui grande influência.
Mesmo cumprindo prisão domiciliar após ser condenado por tentativa de golpe de Estado, Jair Bolsonaro continua exercendo forte controle sobre a direita brasileira e indicou o filho mais velho para concorrer à Presidência. Flávio chegou a alcançar e até superar Lula da Silva em algumas pesquisas, mas perdeu força, enquanto o atual presidente voltou a ampliar sua vantagem.
Münger destaca também o papel contraditório dos Estados Unidos. Embora Donald Trump seja aliado dos Bolsonaro, suas ameaças de impor novas tarifas ao Brasil acabam favorecendo Lula, que explora o tema da soberania nacional. A situação se torna ainda mais delicada porque Eduardo Bolsonaro teria defendido sanções contra o próprio país, enquanto Flávio viajou a Washington para tentar impedir essas medidas.
Segundo o artigo, Lula utiliza essas contradições para apresentar os irmãos Bolsonaro como “traidores da nação” e fortalecer o discurso de que as eleições brasileiras não devem sofrer interferência estrangeira. Assim, tanto a disputa familiar quanto as intervenções de Trump acabam funcionando como obstáculos à campanha de Flávio e como instrumentos políticos para a reeleição de Lula.
Fonte: tagesanzeiger.ch em 14.07.2026Link externo (alemão)
>>Outros assuntos noticiados na Suíça:
Berna e Londres chegam a um acordo sobre um tratado de livre comércioLink externo (13.07)
Copa do Mundo de 2030: como a América do Sul perdeu a Copa do Mundo do centenárioLink externo (12/07)
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Publicaremos nossa próxima revista da imprensa suíça em 24 de julho. Enquanto isso, tenha um bom fim de semana e boa leitura!
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