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Guerra comercial entre os EUA e o Canadá se intensifica, 11 de setembro e uma inovação médica

As Torres Gêmeas do World Trade Cente
As Torres Gêmeas do World Trade Center estão em chamas atrás do Empire State Building, em Nova York, em 11 de setembro de 2001. Keystone/Swissinfo

Bem-vindos à nossa análise da cobertura da imprensa suíça sobre os principais acontecimentos nos Estados Unidos. Todas as quintas-feiras, acompanhamos de perto como os meios de comunicação suíços noticiam e interpretam três temas de destaque da atualidade norte-americana — na política, na economia e na ciência.

Vinte e cinco anos atrás, eu trabalhava como jornalista em Londres. No início da tarde de 11 de setembro, todas as televisões espalhadas pelas paredes do escritório em plano aberto começaram, de repente, a transmitir as mesmas imagens: a cena surreal das Torres Gêmeas em chamas e, pouco depois, o seu colapso.

Um edifício vizinho, o One Canada Square, também conhecido como Canary Wharf Tower, onde eu havia trabalhado um ano antes, foi evacuado após surgirem rumores de que um avião que partira de Heathrow estava desaparecido. Na época, por ser o edifício mais alto do Reino Unido e um símbolo do capitalismo, o One Canada Square era considerado um alvo óbvio.

Como sabemos, nada aconteceu. E nós voltámos ao trabalho, tentando encontrar uma explicação para o que, naquele momento, parecia simplesmente inexplicável.

Vinte e cinco anos depois, os ataques terroristas mais mortíferos da história continuam a lançar uma sombra sobre os assuntos globais e a política dos EUA. Como escreveu o jornal suíço NZZ nesta semana, o 11 de setembro é o “primeiro e último momento do século 21 que uniu os americanos”.

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Fumaça no World Trade Center
As pessoas fogem da zona do World Trade Center na sequência do ataque terrorista. Keystone

Esta sexta-feira marca 25 anos desde os ataques terroristas de 11 de setembro contra os Estados Unidos – ataques que, segundo o NZZ, “mudaram a relação dos americanos com seu país e com o mundo” e resultaram em “profunda desconfiança e grave polarização”.

“Na manhã de 11 de setembro de 2001, o tempo foi dilacerado”, escreveu o editor-chefe adjunto da NZZ, que iniciou seus estudos de graduação nos EUA pouco antes do 11 de setembro. “O mundo assistiu hipnotizado às imagens que se sucediam nas telas: dois aviões se chocando contra as Torres Gêmeas, repetidamente, em um loop infinito.”

Uma das consequências dos ataques, que deixaram quase três mil mortos, foi que “os americanos se viram como vítimas de um ataque pérfido e se uniram em torno de seu presidente”, disse. “Isso estava longe de ser inevitável, apenas alguns meses antes, George W. Bush havia vencido uma das eleições mais controversas da história americana por uma margem mínima. No entanto, após o 11 de setembro, 90% da população o apoiava, segundo as pesquisas. É um número recorde, completamente impensável nos dias de hoje.”

O governo republicano aproveitou esse apoio. A CIA deteve suspeitos em campos secretos e os torturou. A chamada “Lei Patriótica” (USA Patriot Act) permitiu que as autoridades realizassem buscas domiciliares em suspeitos de terrorismo sem mandado judicial.

“No início, os americanos aceitaram que o Estado quisesse mais controle e estivesse adotando uma postura mais agressiva tanto no país quanto no exterior”, escreveu o NZZ. “Logo, porém, as categorias da política externa de Bush tornaram-se difusas: de repente, os EUA queriam democratizar o Oriente Médio e libertar as mulheres do jugo do islamismo. O petróleo, o gás e outros interesses estratégicos também tiveram seu papel, no entanto. Os americanos invadiram o Iraque em 2003.”

Os índices de aprovação do governo caíram pela metade, enquanto os EUA afundavam cada vez mais no atoleiro das “guerras eternas”, continuou o NZZ. “Bush passou de um líder forte a um presidente que dividiu o país mais do que qualquer outro antes dele: embora os republicanos continuassem a apoiá-lo, apenas uma minoria ínfima de democratas ainda o apoiava. Essa polarização acentuada permanece como um legado duradouro da era Bush. A divisão entre os partidos se aprofundou ainda mais sob Obama, Biden e Trump.” Como resultado, o NZZ afirmou que o 11 de setembro é o “primeiro e último momento do século 21 que uniu os americanos”.

“Desde o 11 de setembro, os americanos passaram a ver o mundo exterior de maneira diferente”, concluiu o NZZ. “Ele parece mais perigoso, mais confuso. E eles estão se isolando. Bilionários paranóicos que se preparam para o fim do mundo e milícias cada vez mais radicais são a expressão mais extrema de uma cultura do medo que está se espalhando pelos EUA. Os cidadãos comuns, também, estão cada vez mais se refugiando nos subúrbios e em suas comunidades de pessoas com ideias semelhantes.”

O jornal de Zurique afirmou que a ascensão das redes sociais vem reforçando ainda mais essas “bolhas de filtro”. “Hoje, os americanos vivem em mundos paralelos, dependendo de suas convicções políticas. Há muitas razões para isso. No entanto, os aviões que se chocaram contra as Torres Gêmeas em Nova York em 11 de setembro de 2001 atuaram como catalisadores.”

Bandeira do Canadá e EUA
Dois terços dos canadianos apoiam uma postura firme em relação aos EUA. Copyright 2026 The Associated Press. All Rights Reserved

Na terça-feira, a Casa Branca intensificou sua disputa comercial com o Canadá ao proibir a importação de certos produtos canadenses, notadamente bebidas alcoólicas, e ao aumentar os direitos aduaneiros sobre outras mercadorias. O jornal francófono Tribune de Genève afirma que não há fim à vista para a crise.

Uma variedade de produtos, de colchões a lanchas e carrinhos de golfe, estará sujeita a uma sobretaxa de 50% a partir de 15 de setembro, informou o jornal Le Temps na quarta-feira. Uma proibição de importação de todos os tipos de bebidas alcoólicas, bem como de produtos lácteos, como o soro de leite, entrará em vigor em 29 de setembro.

Uma boa notícia, de certa forma, é que certos produtos canadenses não estarão mais sujeitos à sobretaxa de 50%. Essa lista é significativamente mais curta, mas o papel higiênico está nela.

Essa medida retaliatória ocorre logo após o Canadá ter imposto tarifas alfandegárias sobre produtos americanos – em resposta às sobretaxas introduzidas por Washington em 22 de agosto.

“Para justificar a proibição das importações de bebidas alcoólicas do Canadá, o presidente dos EUA, Donald Trump, citou o boicote, que ele descreve como ‘discriminatório’, contra bebidas destiladas americanas no Canadá”, explicou o Le Temps. “Desde o início de sua ofensiva tarifária no ano passado, os canadenses lançaram um boicote em massa aos produtos dos EUA: vinhos e bebidas destiladas americanas desapareceram das prateleiras na maioria das províncias, que detêm o monopólio de sua venda.”

Conforme relatado no revista de imprensa que publicamos há duas semanas, dois terços dos canadenses apoiam uma postura firme em relação aos EUA.

“Não parece haver fim à vista para a crise no momento”, escreveu o Tribune de Genève na quarta-feira. “O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, alertou na manhã de terça-feira que a estratégia de seu governo para reduzir a dependência dos Estados Unidos teria um ‘custo’ econômico de curto prazo para o país. O ‘custo da inação’ seria muito maior, disse ele em um vídeo publicado no YouTube poucas horas após a entrada em vigor da retaliação tarifária do Canadá.”

Porcos nas montanhas
Porcos a brincar na Suíça central. Será que a utilização de órgãos de outras espécies poderia ajudar a resolver a escassez global de órgãos? Keystone

Os jornais suíços ficaram impressionados no fim de semana com uma notícia ocorrida em Boston, Estados Unidos: um rim de porco funcionou por nove meses no corpo de um homem de 66 anos.

“As perspectivas do homem eram sombrias”, escreveu o jornal Tages-Anzeiger no sábado. “Seus rins estavam gravemente danificados pela diabetes. Por dois anos, ele dependia de diálise, o que o deixava completamente exausto, enquanto a função de seu órgão doente continuava a se deteriorar”. Os médicos estimaram em 9% a probabilidade de ele receber um rim nos próximos cinco anos e em 40% o risco de ele não sobreviver ao período de espera. “Então, os médicos elaboraram um plano que resultaria em um avanço médico.”

Os médicos do hospital Mass General Brigham, em Boston, transplantaram um rim de porco para o paciente, que funcionou tão bem que ele conseguiu ficar sem diálise por 271 dias, informou a equipe na revista científica The Lancet. Anteriormente, rins de porco haviam funcionado no corpo humano por no máximo dois meses. “Pela primeira vez, um ser humano se beneficiou de um xenotransplante por um período prolongado”, escreveu o Tages-Anzeiger, referindo-se a um transplante de uma espécie para outra.

Após cerca de seis meses, tornaram-se evidentes danos nos vasos sanguíneos do rim, o que acabou levando à falência do órgão. O rim teve que ser removido, e o paciente voltou à diálise. No fim das contas, ele teve sorte: 80 dias depois, foi encontrado um rim de um doador humano.

O Tages-Anzeiger destacou que ainda há dúvidas — os médicos não sabem explicar por que o rim do porco acabou falhando —, mas afirmou que agora há um debate sobre se o xenotransplante é uma opção para preencher o tempo de espera por um órgão humano.

“Para a equipe do Mass General Brigham, esse sucesso oferece uma solução potencial para a escassez global de órgãos”, escreveu o Le Matin, de Lausanne, no sábado. “No entanto, os pesquisadores continuam cautelosos: trata-se de um único paciente, monitorado em condições altamente especializadas. Serão necessários mais ensaios clínicos antes que esse tipo de transplante possa ser considerado em maior escala.”

A próxima edição de “Notícias dos EUA” será publicada na quinta-feira, 17 de setembro de 2026. Até lá!

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Adaptação: Alexander Thoele

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