Hizbullah usa Brasil como base para financiar operações globais
Relatórios apontam que o Brasil se tornou um "porto seguro" para o Hizbullah. O grupo xiita originário do Líbano usaria o bairro do Brás (SP) e parcerias com organizações criminosas para financiar operações via tráfico e contrabando. Esta e outras notícias foram destaque na imprensa helvética nesta semana.
Alexander Busch vive há muitos anos no Brasil e, como correspondente do prestigiado jornal zuriquense NZZ, está constantemente em busca de notícias. Agora, ele confirma uma suspeita antiga por meio de uma reportagem publicada no início da semana: a de que a milícia xiita Hizbullah está ativa no Brasil e utiliza o país como base estratégica, tanto financeira quanto operacional, para atividades criminosas. Leia o texto abaixo.
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Quando os alemães ensinaram a “bomba” para o Brasil
A crítica do livro recém-publicado Os alemães e a bomba atômica – uma história de medo, ambivalência e responsabilidadeLink externo, de Joachim Krause, foi publicada no jornal suíço NZZ e analisa a relação complexa e contraditória da Alemanha com as armas nucleares.
O texto destaca que, embora a Alemanha nunca tenha possuído armas nucleares, teve papel relevante em sua história e proliferação, desde a descoberta da fissão nuclear por cientistas alemães até a participação indireta em programas nucleares de outros países. Krause argumenta que a política alemã é marcada por dois tabus: um histórico, imposto internacionalmente após a Segunda Guerra Mundial para impedir o país de obter armas nucleares, e outro atual, autoimposto, que dificulta qualquer debate interno sobre dissuasão nuclear.
Segundo o autor, essa postura resulta de traumas históricos e de uma cultura política avessa ao tema, mas se mostra inadequada diante da realidade contemporânea, especialmente com a ameaça nuclear da Rússia sob Vladimir Putin. Krause defende uma abordagem mais pragmática: não propõe que a Alemanha desenvolva sua própria bomba, mas considera essencial que o país participe mais ativamente da estratégia de dissuasão nuclear europeia, especialmente em cooperação com a França.
A crítica conclui que o livro oferece uma análise esclarecedora das ambivalências alemãs e alerta para a necessidade de uma posição mais realista diante dos desafios atuais de segurança.
Fonte: NZZ, 23.04.2026Link externo (alemão)
Racismo, colonialismo e capitalismo
A entrevista conduzida pelo jornalista Maxime Maillard com o historiador senegalês Ibrahima Thioub foi publicada no jornal francófono Le CourrierLink externo e aborda um tema de forte relevância para leitores brasileiros, portugueses e africanos: as raízes históricas do colonialismo, do tráfico de escravos e do racismo.
O ponto de partida é a exposição “Colonialismo, um envolvimento suíço”, que revela como a Suíça – apesar do mito de neutralidade – participou ativamente de redes coloniais entre os séculos 16 e 20, inclusive com ligações ao Brasil e ao comércio atlântico. Thioub insere essa história em um contexto global, destacando que o colonialismo foi um fenômeno transnacional, sustentado por interesses econômicos, políticos e ideológicos.
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Como a Suíça se aproveitou do colonialismo
Na entrevista, o historiador argumenta que o racismo não foi a causa inicial da escravidão, mas sim uma construção posterior para justificá-la. Segundo ele, o sistema capitalista criou mecanismos (primeiro religiosos e depois científicos) para legitimar a exploração, naturalizando desigualdades e desumanizando populações africanas. Essas ideias, difundidas por teorias racialistas e pela cultura europeia, ainda influenciam as sociedades atuais.
Thioub também enfatiza que o colonialismo envolveu cumplicidades locais na África e que interpretações baseadas apenas na cor da pele ocultam desigualdades sociais mais profundas. Por fim, defende que o combate ao racismo estrutural passa pela educação histórica crítica, pela revisão das narrativas econômicas e pela superação de visões simplificadoras baseadas em raça.
Fonte: Le Courrier, 21.04.2026Link externo (francês)
Brasil se tornou refúgio para o Hizbullah
O artigo foi publicado pelo NZZ e escrito por Alexander Busch. O texto analisa a crescente infiltração da milícia xiita Hizbullah no Brasil, onde o país é descrito como uma base estratégica financeira e operacional do grupo.
Segundo a reportagem, o Hizbullah se apoia na ampla diáspora libanesa e se integra a redes de crime organizado, especialmente em São Paulo e na tríplice fronteira entre Brasil, Argentina e Paraguai. O grupo estaria envolvido em atividades como tráfico de cocaína, contrabando, pirataria e lavagem de dinheiro, operando em cooperação com organizações como o PCC e máfias internacionais.
O artigo destaca que o Brasil se tornou um “porto seguro” para a milícia, favorecido por fatores como fronteiras porosas, corrupção, grande mercado informal e a ausência de classificação oficial do Hizbullah como organização terrorista pelo governo brasileiro. Além disso, mudanças geopolíticas como a perda de apoio na Venezuela e pressões sobre o Irã teriam ampliado a importância estratégica do país para o grupo.
Por fim, o texto ressalta que, embora as autoridades brasileiras acompanhem a situação e tenham aumentado prisões, tratam o Hizbullah mais como parte do ecossistema do crime organizado do que como uma ameaça terrorista prioritária, evitando também tensões diplomáticas com os Estados Unidos.
Fonte: NZZ, 21.04.2026Link externo (alemão)
Lula experimenta “currywurst” na Alemanha
O artigo publicado pelo jornal Basler Zeitung relata a visita do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva à Feira Industrial de Hannover, onde se encontrou com o chanceler alemão Friedrich Merz. Em tom leve, o texto destaca o desejo de Lula de comer uma típica salsicha de rua alemã, algo que não se concretizou como esperado, apesar de Merz ter providenciado uma seleção de salsichas em um almoço oficial no Palácio de Herrenhausen.
Mesmo com a recepção formal, Lula demonstrou frustração por não ter experimentado a autêntica bratwurst (linguiça alemã grelhada) vendida em barracas de rua, algo que valorizava como parte da experiência cultural. O episódio ilustra o contraste entre o protocolo diplomático e as preferências pessoais do presidente, que costuma enfatizar o contato direto com a cultura local durante viagens internacionais.
Além do tom descontraído, o artigo ressalta o conteúdo político da visita: Lula criticou duramente o presidente dos EUA, Donald Trump, especialmente por excluir a África do Sul da próxima cúpula do G20. O líder brasileiro alertou para os riscos dessa decisão e pediu apoio da Alemanha, reforçando sua posição em defesa da inclusão e do multilateralismo.
Fonte: bazonline.ch, 20.04.2026Link externo (alemão)
Alemanha precisa mais do Brasil do que o contrário
A análise da jornalista Susann Kreutzmann, publicada na edição de domingo do NZZ, examina a relação entre Alemanha e Brasil sob uma perspectiva crítica. O texto sustenta que Berlim negligenciou por décadas a América Latina e agora tenta recuperar terreno por necessidade estratégica, em um contexto global mais competitivo.
Um episódio simbólico dessa relação desigual foi a repercussão negativa de comentários do chanceler Friedrich Merz sobre Belém, que reforçaram a percepção de arrogância alemã. Segundo a análise, há um descompasso entre o discurso de parceria em pé de igualdade e atitudes que ainda refletem uma visão hierárquica.
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Brasil avança no agro, atrai turistas e entra no radar estratégico da Suíça
Ao mesmo tempo, o cenário mudou significativamente: a Alemanha precisa do Brasil como parceiro comercial e fornecedor de matérias-primas estratégicas, especialmente terras raras, fundamentais para tecnologias avançadas e para a transição energética. Esse novo contexto cria uma relação mais equilibrada e até favorável ao lado brasileiro.
O governo de Luiz Inácio Lula da Silva tem deixado claro que não aceitará um modelo de exploração baseado apenas na exportação de recursos brutos. O Brasil exige participação no processamento e na geração de valor, buscando evitar a repetição de padrões históricos de dependência econômica.
Por fim, o artigo conclui que a Alemanha “perdeu o momento” ao subestimar o potencial do Brasil, enquanto países como China, EUA e outros já avançaram. Ainda assim, há espaço para reaproximação desde que Berlim desenvolva uma estratégia mais consistente e reconheça o peso crescente do Brasil em um cenário geopolítico cada vez mais polarizado.
Fonte: NZZ, 19.04.2026Link externo (alemão)
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Publicaremos nossa próxima revista da imprensa suíça em 1.º de maio. Enquanto isso, tenha um bom fim de semana e boa leitura!
Até a próxima semana!
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