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Mortes em cruzeiro levam Brasil a investigar hantavírus em ratos

Rato do campo
A hantavirose é transmitida principalmente por roedores silvestres (ratos do campo/mata), e não pelos ratos urbanos comuns. No Brasil, o principal reservatório é o ratinho-do-arroz (Oligoryzomys nigripes). KEYSTONE/DPA/Sina Schuldt

A morte de três passageiros em um cruzeiro internacional reacendeu o alerta global para o hantavírus, uma doença rara, mas potencialmente letal. Este e outros temas foram destaques nas mídias suíças nesta semana.

O fantasma da pandemia voltou a rondar as páginas dos jornais e revistas do país. Não por acaso, ao longo da semana multiplicaram-se os artigos dedicados ao tema. Nesse contexto, chamou atenção a iniciativa de pesquisadores do Instituto Pasteur de São Paulo, que passaram a investigar como o hantavírus circula entre ratos urbanos na maior cidade da América do Sul. O objetivo é antecipar possíveis surtos e impedir que futuras epidemias escapem do controle.

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Brasil: país onde as famílias se afogam em dívidas

O artigo, publicado pelo jornal francófono 24 Heures, aborda uma realidade brasileira que também interessa e atinge muitos suíços: o endividamento das famílias. No Brasil, a situação chegou a um recorde, com cerca de 80% das famílias endividadas, em um cenário marcado por desigualdade extrema. O texto contrapõe essa realidade à reação de uma juíza que, apesar de receber salário e benefícios muito acima da média nacional, reclamou da possível perda de privilégios, expondo o contraste entre a elite do funcionalismo público e a população que luta para pagar contas básicas.

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Imóveis na Suíça

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Demografia

Hipotecas baratas ampliam riscos e dívidas na Suíça

Este conteúdo foi publicado em Crédito barato impulsiona imóveis na Suíça, mas dívida recorde preocupa. Só 20% conseguem comprar casa e aposentados podem perder imóveis.

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Segundo o artigo, o endividamento resulta de uma combinação de fatores: juros muito altos, facilidade de acesso ao crédito, empregos precários, aumento do custo de vida, baixa educação financeira e expansão dos serviços financeiros digitais. Muitos brasileiros recorrem ao cartão de crédito para despesas essenciais, parcelam compras cotidianas e, em casos de emergência, contraem novos empréstimos para pagar dívidas antigas. A popularização do Pix, dos celulares e dos serviços bancários digitais ampliou o acesso ao crédito, mas também expôs milhões de pessoas a produtos financeiros complexos e caros.

O texto também destaca o papel crescente das apostas on-line, vistas pelo governo Lula como um agravante da crise. Para muitas famílias, os jogos de azar se transformam em uma tentativa desesperada de obter dinheiro rapidamente, mas acabam aprofundando o ciclo de endividamento. Diante desse quadro, o governo negocia com bancos e instituições financeiras um novo programa de renegociação de dívidas, com descontos que podem chegar a 90%, numa tentativa de aliviar a pressão sobre milhões de brasileiros e reduzir o impacto político e social da crise.

Fonte: 24heures.chLink externo, 14.05.2026 (francês)

União Europeia veta carne do Brasil

O tema ganhou destaque em diversos veículos da imprensa suíça por tratar de uma questão considerada estratégica para a Europa: a segurança alimentar. A União Europeia publicou uma lista de países autorizados a exportar carne ao bloco, desde que cumpram rigorosas normas sanitárias e regras contra o uso inadequado de antibióticos na criação de animais. O Brasil ficou de fora da relação, o que provocou reação imediata do governo brasileiro, que afirmou ter sido “surpreendido” pela decisão e prometeu adotar rapidamente as medidas necessárias para reverter a exclusão.

A medida ocorre em meio às críticas de agricultores europeus e do governo francês ao acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul. Bruxelas busca demonstrar maior rigor no controle sanitário dos produtos importados, reforçando que os mesmos padrões exigidos dos produtores europeus devem valer para países exportadores.

Açougueiro pendurando carnes
Açougueiro preparando cortes de carne em um açougue, em Brasília, Brasil, na segunda-feira, 4 de agosto de 2025. Copyright 2025 The Associated Press. All Rights Reserved

As regras europeias proíbem o uso de antibióticos para estimular crescimento animal ou aumentar produtividade, além de restringirem medicamentos destinados ao tratamento humano. A política faz parte do combate global à resistência antimicrobiana, considerada uma das maiores ameaças à saúde pública. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), as superbactérias resistentes a antibióticos causam diretamente mais de um milhão de mortes por ano no mundo e estão associadas a quase cinco milhões de óbitos anuais.

Fonte: nau.chLink externo, cash.chLink externo, 13.05.2026 (alemão)

Onde as pessoas vivem melhor?

Em um artigo publicado no portal suíço Bluewin, o jornalista Nicolas Barman destaca os resultados do HelloSafe Prosperity Index 2026, ranking que mede não apenas a riqueza dos países, mas também como ela se traduz em qualidade de vida, desenvolvimento humano e distribuição de renda.

A Suíça aparece na 4ª posição mundial, atrás apenas de Noruega, Irlanda e Luxemburgo, consolidando sua capacidade de transformar riqueza econômica em prosperidade real para a população.

Barcos em um lago
Navios à vapor passeando no lago dos Quatro Cantões, em Lucerna. Keystone / Urs Flueeler

O estudo ressalta que um alto PIB não garante automaticamente bem-estar social. Países como Estados Unidos e Cingapura, por exemplo, perdem posições devido aos elevados níveis de desigualdade. Na América Latina, o Uruguai lidera o ranking regional, seguido por Chile e Panamá. Já Brasil e Colômbia são penalizados por apresentarem grandes desigualdades sociais e altas taxas de pobreza relativa, fatores que impactam negativamente sua colocação no índice.

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A análise reforça a principal conclusão do levantamento: prosperidade não depende apenas da produção de riqueza, mas de como ela é distribuída e convertida em melhores condições de vida para a população.

Fonte: bluewin.ch, 13.05.2026Link externo (francês)

Instituição brasileira investiga o hantavírus

Em reportagem publicada pelo prestigioso jornal suíço francófono Le Temps, o jornalista Jean-Claude Gerez aborda um tema extremamente atual e sensível para a saúde pública global: os riscos associados ao hantavírus e o papel dos ratos urbanos na transmissão de doenças potencialmente perigosas para os seres humanos. O texto parte do recente surto registrado a bordo do navio de cruzeiro MV Hondius, que deixou três mortos e reacendeu preocupações semelhantes às vividas durante a pandemia de Covid-19.

Um funcionário do município fumigando
Um funcionário do município fumigando a entrada de um esgoto como parte do início de uma campanha em grande escala para eliminar roedores, a fim de combater um surto do letal hantavírus, transmitido por roedores, em Santiago, no Chile, na terça-feira, 23 de setembro de 1997. AP Photo/Santiago Llanqui

A reportagem explica que a chamada “cepa andina” do hantavírus, de origem sul-americana, é uma das raras variantes capazes de transmissão entre humanos. Até agora, sete casos confirmados e outros dois suspeitos foram registrados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) após o episódio no navio. Embora a OMS afirme que não há sinais de uma nova pandemia, autoridades sanitárias seguem monitorando passageiros e contatos em vários países.

O foco central do artigo está no trabalho conduzido pelo cientista Robert Andreata no Instituto Pasteur de São Paulo. Desde dezembro de 2025, ele lidera um projeto de vigilância viral em populações de ratos urbanos para identificar vírus com potencial zoonótico — ou seja, capazes de passar de animais para humanos. O objetivo é mapear riscos de futuras epidemias em São Paulo, maior cidade da América do Sul, onde o contato entre humanos e roedores é frequente, especialmente em áreas vulneráveis.

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Segundo o pesquisador, o Brasil possui monitoramento relativamente avançado de vírus em aves e morcegos, mas praticamente inexistente em ratos urbanos. O projeto pretende preencher essa lacuna analisando espécies como o rato preto e o rato de esgoto. As equipes irão capturar centenas de animais, sequenciar materiais genéticos e comparar os resultados com bancos de dados internacionais para identificar vírus conhecidos ou até microrganismos ainda desconhecidos por meio de técnicas de metagenômica.

A reportagem destaca ainda que o crescimento das populações de ratos, impulsionado pelo aquecimento global e pela urbanização, aumenta o risco de “spillover”, quando vírus presentes em animais sofrem mutações e passam a infectar humanos. Por isso, além de identificar patógenos, os cientistas querem desenvolver ferramentas de diagnóstico que permitam detectar rapidamente possíveis doenças emergentes, inclusive em pacientes com sintomas leves inicialmente confundidos com simples viroses.

Fonte: Le Temps, 12.05.2026Link externo (francês)

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