Trump: Brasil e Suíça já estão na mira
Trump decidiu, e cerca de 60 países, entre eles Brasil e Suíça, agora tentam medir o impacto do pacote de tarifas imposto unilateralmente pelos Estados Unidos. O tema dominou a cobertura da imprensa suíça ao longo da semana.
A incerteza expõe a Suíça à nova ofensiva protecionista de Washington, que transforma tarifas em instrumento de pressão econômica e diplomática, ameaça parceiros comerciais e promete taxar em até 200% a importação de medicamentos genéricos nos próximos anos.
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Tarifas de 100% sobre medicamentos
Os artigos, publicados por diversos jornais importantes da Suíça, abordam um tema de grande relevância internacional: a escalada da disputa alfandegária entre os Estados Unidos e vários de seus parceiros comerciais, entre eles Brasil, Canadá, União Europeia e Suíça. O governo de Donald Trump pretende tornar permanentes novas sobretaxas, apresentadas como instrumentos para combater práticas comerciais consideradas desleais, aumentar a arrecadação e incentivar a transferência da produção industrial para o território americano.
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Por que o Pix incomoda tanto Donald Trump?
Entre as medidas anunciadas está o aumento progressivo das tarifas sobre medicamentos genéricos importados. Esses produtos permaneceriam isentos por dois anos, passariam a ser tributados em 100% por um ano e poderiam chegar a 200% em 2029. Washington afirma que a estratégia busca pressionar empresas farmacêuticas a construir fábricas nos Estados Unidos. Paralelamente, o Brasil foi atingido por tarifas de 25% sobre diversos produtos, enquanto o Canadá recebeu uma sobretaxa adicional de 50%, demonstrando a disposição do governo americano de usar a política comercial também como instrumento de pressão diplomática.
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Entra em vigor tarifaço de Trump sobre o Brasil enquanto EUA prepara novas medidas comerciais
Na Suíça, o valor da tarifa permanece incerto e provoca preocupação entre empresas e autoridades. Muitos especialistas se questionam se Donald Trump manterá a alíquota geral de 10%, seguirá a recomendação de 12,5% formulada pelo representante comercial Jamieson Greer ou adotará uma medida mais severa, possivelmente próxima dos 25% aplicados ao Brasil. A taxa de 12,5% estaria relacionada à avaliação americana de que a legislação suíça não proíbe de maneira suficientemente rigorosa a importação de produtos fabricados com trabalho forçado. Outras investigações sobre subsídios e excesso de capacidade produtiva ainda podem elevar o percentual final.
Berna já ofereceu concessões, comprometendo-se a reduzir obstáculos à entrada de automóveis e dispositivos médicos americanos, mas não recebeu garantias equivalentes de Washington. Experiências anteriores mostram que Trump pode alterar as tarifas no último momento, o que aumenta a insegurança sobre o futuro das relações comerciais. A ampla repercussão do tema na imprensa suíça reflete o temor de que novas sobretaxas prejudiquem as exportações, a competitividade e os empregos no país, inserindo a Suíça em uma disputa comercial de alcance mundial.
Fonte: letemps.ch, Link externo24heuresLink externo, watson.chLink externo, laliberte.chLink externo, 21 e 22.07.2026 (francês e alemão)
Incêndios na Amazônia estão no nível mais baixo da história
O artigo, publicado por quase todas as mídias na Suíça, recebeu ampla repercussão por abordar um tema considerado especialmente relevante no país: a proteção das florestas tropicais brasileiras e sua importância para o combate às mudanças climáticas. Segundo dados da rede de monitoramento MapBiomas, os incêndios na Amazônia brasileira caíram, em 2025, para o menor nível desde o início dos registros, em 1985. A área atingida pelo fogo recuou de 15,8 milhões de hectares, em 2024, para 3,1 milhões no ano seguinte.
A redução foi atribuída a uma combinação de fatores climáticos e políticos. O deslocamento da estação chuvosa dificultou a formação de condições favoráveis à propagação das chamas, enquanto a queda contínua do desmatamento desde o retorno de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência, em 2023, reduziu as áreas suscetíveis a incêndios. O impacto dos grandes incêndios de 2024 também teria levado comunidades locais a adotar mais precauções no uso do fogo. Em todo o Brasil, a extensão queimada caiu para 12,7 milhões de hectares, o menor nível desde 2018.
Apesar dos resultados positivos na Amazônia, o artigo alerta que a situação continua preocupante em outras regiões, especialmente no Cerrado, onde os incêndios permaneceram em níveis semelhantes aos do ano anterior. Especialistas também temem a possível chegada de um “super El Niño”, que poderia prolongar a estação seca e aumentar novamente o risco de queimadas. O governo Lula busca destacar a redução do desmatamento e dos incêndios como parte de sua política ambiental, embora enfrente críticas por apoiar projetos de exploração de petróleo próximos à região amazônica.
Fonte: 20min.chLink externo; blick.chLink externo; laliberte.chLink externo; srf.chLink externo, 21.07.2026 (francês e alemão)
Lionel Messi é o melhor jogador de todos os tempos?
O artigo da Agência France-Presse (AFP), reproduzido por diversas mídias suíças, retoma a discussão sobre quem é o melhor jogador de futebol da história, colocando em perspectiva Pelé, Lionel Messi, Diego Maradona e Cristiano Ronaldo. O texto concentra a comparação principalmente em Pelé e Messi e sustenta que a derrota do argentino para a Espanha na final da Copa do Mundo enfraqueceu a possibilidade de colocá-lo definitivamente acima do brasileiro.
No critério dos títulos, Pelé mantém uma vantagem incomparável por ser o único jogador tricampeão mundial, com as conquistas de 1958, 1962 e 1970. Messi, por sua vez, disputou três finais, venceu a edição de 2022 e acumulou recordes de participações, gols e assistências. Cristiano Ronaldo aparece ao igualar Messi como um dos primeiros atletas a disputar seis Copas, enquanto Maradona permanece como uma referência inevitável na avaliação da trajetória do capitão argentino.
O artigo ressalta, porém, que a importância de um jogador não pode ser medida apenas pelo número de troféus. Pelé foi decisivo em duas campanhas vitoriosas, mas atuou ao lado de grandes nomes da seleção brasileira. Já Messi é apresentado como o centro técnico e emocional da Argentina, fundamental para o título de 2022 e para a campanha posterior. Sua longevidade no mais alto nível, chegando a uma terceira final aos 39 anos, é apontada como um feito singular, ainda que sua influência tenha sido neutralizada pela Espanha na decisão.
Quanto ao legado, Pelé é descrito como a primeira superestrela global do futebol e o símbolo do estilo brasileiro que marcou gerações. Messi, depois de superar as constantes comparações com Maradona, tornou-se o principal jogador de sua época, combinando velocidade de execução, precisão e capacidade de dominar um futebol cada vez mais físico. A análise da AFP não encerra definitivamente o debate, mas sugere que Pelé preserva uma posição histórica privilegiada, enquanto Messi se distingue pela influência individual, pelos recordes e pela extraordinária longevidade esportiva.
Fonte: blick.ch em 20.07.2026Link externo (alemão)
Racha na aliança “dinheiro e dejetos” abala o Mercosul
Publicado no portal de notícias 20 Min, o de maior circulação na Suíça, o artigo da jornalista Christina Pirskanen analisa o impasse em torno do acordo de livre comércio entre a Suíça, por meio da EFTA, e os países do Mercosul. Embora o presidente Guy Parmelin já tenha assinado o tratado, o Conselho Nacional o rejeitou após uma aliança entre representantes do setor agrícola e partidos de esquerda. Os agricultores exigem compensações muito superiores às propostas pelo governo, temendo perdas com o aumento das importações de carne, vinho e outros produtos sul-americanos, enquanto socialistas e verdes cobram regras mais rígidas contra o trabalho forçado e o desmatamento.
A rejeição provocou forte reação do setor empresarial, que acusa os agricultores de usar o acordo como instrumento de pressão para obter subsídios. Para o governo e a indústria, o tratado abriria às empresas suíças um mercado de cerca de 270 milhões de consumidores, eliminaria tarifas sobre aproximadamente 96% das exportações ao Mercosul e permitiria uma economia anual superior a 155 milhões de francos. O futuro do acordo depende agora do Conselho dos Estados e de eventuais concessões capazes de conciliar os interesses da agricultura, da indústria e dos defensores de normas ambientais e sociais mais exigentes.
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O que é preciso saber sobre o acordo UE-Mercosul
Pirskanen estabelece um paralelo com o acordo comercial entre a Suíça e a Malásia, aprovado pelas duas câmaras do Parlamento apesar da oposição do PS e dos Verdes. Nesse caso, as críticas relacionadas a direitos humanos, clima, desmatamento e produção de óleo de palma não impediram a aprovação parlamentar, mas levaram os partidos de esquerda a lançar um referendo. A comparação evidencia dois caminhos distintos: enquanto o acordo com o Mercosul permanece bloqueado por uma combinação de interesses agrícolas, econômicos e ambientais, o tratado com a Malásia avançou no Parlamento e terá sua contestação transferida para uma possível votação popular.
Fonte: 20min.ch em 19.07.2026Link externo (alemão)
Engraçada, essa diplomacia
Publicado no jornal dominical NZZ am Sonntag, um dos mais prestigiosos da Suíça, o artigo do jornalista Mirko Plüss analisa o funcionamento da Swissnex, rede de embaixadas científicas vinculada ao governo suíço.
Com escritórios em centros estratégicos como São Francisco, Boston, Nova York, Bangalore, Xangai, Osaka, Rio de Janeiro e São Paulo, a Swissnex se apresenta como uma rede de educação, pesquisa e inovação. Seus cerca de 80 funcionários atuam como “diplomatas da ciência”, promovendo ideias, pesquisadores, universidades, startups e empresas suíças no exterior, além de facilitar contatos com instituições e mercados locais.
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Emilia Pasquier: promovendo negócios suíços nos EUA
O texto mostra que a organização combina uma cultura institucional jovem e informal com uma missão pública relevante. Suas atividades incluem programas de internacionalização para startups, eventos científicos, iniciativas culturais, apoio à inovação e ações de promoção da imagem da Suíça.
Ao mesmo tempo, Plüss levanta dúvidas sobre a clareza do mandato, a transparência financeira e a mensuração dos resultados da rede. O governo federal investiu mais de 32 milhões de francos na Swissnex nos últimos cinco anos, mas informações detalhadas sobre custos, receitas, distribuição de pessoal e eficácia dos projetos não são divulgadas integralmente.
O artigo também menciona episódios controversos, como os elevados investimentos na antiga sede de São Francisco, instalada em um imóvel alugado, e uma função paralela politicamente sensível exercida por uma funcionária da unidade de Bangalore.
Outro ponto discutido é a possível sobreposição de atribuições com instituições suíças como a Switzerland Global Enterprise e a Innosuisse, que também apoiam empresas, startups, exportações e projetos de inovação.
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Brasil continua importante para intercâmbio de conhecimentos da Suíça
Em síntese, o artigo da NZZ am Sonntag apresenta a Swissnex como um instrumento original da diplomacia científica suíça: uma rede que conecta conhecimento, inovação e interesses econômicos no exterior, mas cuja autonomia, estrutura de custos, objetivos e critérios de avaliação ainda precisam ser explicados com maior transparência. A organização está sendo submetida a uma revisão de despesas e a uma avaliação externa.
Fonte: nzz.ch em 19.07.2026Link externo (alemão)
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Publicaremos nossa próxima revista da imprensa suíça em 31 de julho. Enquanto isso, tenha um bom fim de semana e boa leitura!
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