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Nepotismo e diplomacia, o novo executivo da Apple e o acordo com a Meta

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A Meta concordou em estabelecer medidas de proteção para usuários adolescentes, incluindo limites diários de uso e restrições ao uso entre meia-noite e 6h da manhã em todo o território dos EUA. Keystone/Swissinfo

Bem-vindos à nossa análise da cobertura da imprensa sobre os acontecimentos nos Estados Unidos. Todas as quintas-feiras, analisamos como a imprensa suíça tem noticiado e reagido a três notícias importantes nos EUA na política, economia e ciência.

A Meta, gigante das redes sociais, concordou em pagar até US$ 18 bilhões (CHF 14,5 bilhões) para resolver as acusações de que suas plataformas de redes sociais, que incluem o Facebook e o Instagram, prejudicam as crianças. Um jornal suíço afirmou que isso “enviou um forte sinal” e foi uma “boa notícia” para os jovens. Outro considerou que a Meta “se safou com uma pena leve”. O que você acha?

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Embaixada
A embaixada dos EUA em Berlim não tem embaixador desde julho de 2024. Copyright 2022 The Associated Press. All Rights Reserved

A diplomacia dos Estados Unidos foi transformada, e enfraquecida, pelo presidente Donald Trump, que relegou o Departamento de Estado a um papel secundário em favor de uma política externa conduzida pessoalmente por meio das redes sociais e de enviados especiais sem formação diplomática, afirma a emissora pública suíça RTS.

A recente viagem do diretor da CIA, John Ratcliffe, a Moscou para tentar reativar as negociações de paz sobre a guerra na Ucrânia chamou a atenção, observou a RTS em uma análise publicada na segunda-feira.

“Desde seu retorno à Casa Branca, Donald Trump parece ter abandonado esse tipo de diplomacia mais ou menos tradicional”, afirmou a emissora.

“Convencido de que pode prescindir dos especialistas, ele conduz pessoalmente a política externa dos Estados Unidos por meio de sua rede social, a Truth Social, e de um pequeno círculo de enviados especiais, aliados próximos sem experiência diplomática, como seu genro Jared Kushner ou o empresário Steve Witkoff. O Departamento de Estado, outrora reconhecido por sua expertise internacional, foi claramente relegado ao segundo plano.”

A RTS destaca que, embora os Estados Unidos estejam envolvidos em diversas frentes internacionais, o governo continua reduzindo seu corpo diplomático. Nos últimos 18 meses, mais de 3.000 cargos foram eliminados, o equivalente a cerca de um quinto da força de trabalho do Departamento de Estado.

“Mais de uma centena de embaixadas americanas continuam sem embaixadores, especialmente na África e na América Latina. O Oriente Médio também é afetado: metade das embaixadas na região opera com quadro reduzido, em meio às tensões envolvendo o Irã. Não há diplomatas credenciados na Arábia Saudita nem em vários países do Golfo Pérsico”, explicou a emissora francófona.

A Europa não é exceção, acrescenta a RTS. Os Estados Unidos seguem sem embaixadores na Alemanha e na Ucrânia, apesar da importância estratégica desses postos em meio ao conflito com a Rússia.

“As embaixadas sem embaixador são administradas por encarregados de negócios, que dispõem de menos influência no país anfitrião, menos poder de interlocução e menos acesso aos centros decisórios em Washington. Essa situação enfraquece a liderança americana em diversas regiões do mundo, especialmente diante da China e da Rússia.”

Segundo a RTS, das 101 nomeações para embaixadas feitas por Trump, apenas nove recaíram sobre diplomatas de carreira. Isso significa que mais de 90% das indicações tiveram caráter político. Seus antecessores costumavam reservar entre 25% e 30% desses cargos para aliados políticos e financiadores de campanha.

“O critério deixou de ser o profissionalismo ou a competência e passou a ser a lealdade ao presidente e a defesa de sua agenda ‘America First’.”

Como resultado, conclui a emissora, citando o diretor do escritório em Paris do Conselho Europeu de Relações Exteriores (ECFR, na sigla em inglês), os Estados Unidos passaram a contar com “embaixadores sem experiência diplomática e apoiadores de Trump que alimentam tensões com os aliados europeus do país”.

Ternus e Cook
Ervilhas num iPod? John Ternus (à esquerda) e Tim Cook. Keystone

John Ternus assumiu na terça-feira o cargo de diretor-presidente (CEO) da Apple no lugar de Tim Cook, à frente de uma empresa que está “no auge, mas diante de um problema previsível”, segundo o jornal suíço Neue Zürcher Zeitung (NZZ). A imprensa suíça traçou o perfil do executivo e analisou os desafios que terá pela frente.

“Quase nada se sabe sobre a vida privada do executivo de 51 anos”, observou o Tages-Anzeiger. Nascido na Califórnia, Ternus formou-se em engenharia mecânica na Pensilvânia e trabalha na Apple há 25 anos. Mais recentemente, liderava a equipe de design industrial da empresa.

“Ternus é considerado um profissional competente, focado e criativo na solução de problemas”, afirmou o jornal.

Tudo indica que essa capacidade será necessária.

“Diversos problemas ainda sem solução aguardam Ternus”, escreveu o NZZ. O primeiro deles é a adaptação da Apple à era da inteligência artificial.

“A Apple é a única grande empresa de tecnologia que não mantém equipes próprias de ponta em pesquisa de IA nem investe dezenas de bilhões de dólares em infraestrutura para essa tecnologia”, destacou o diário de Zurique. “Ternus terá de definir qual papel a Apple pretende desempenhar nesse campo.”

Segundo o NZZ, o maior desafio do novo CEO será encontrar um sucessor para o iPhone, “o telefone de 20 anos que sustenta todo o grupo, como uma avó rica que mantém financeiramente toda a família”.

O jornal ressalta que “um de cada dois dólares faturados pela Apple vem do iPhone”. A empresa, portanto, precisa de um novo produto de grande sucesso para impulsionar seu crescimento no futuro.

“Desde os AirPods, lançados há dez anos, a companhia não apresentou nenhum dispositivo realmente novo que tenha conquistado os consumidores”, observou o NZZ.

Isso pode mudar já na próxima quarta-feira, 9 de setembro, durante a tradicional apresentação anual de produtos da Apple, realizada neste ano sob o lema Surprise and Shine (“Surpreenda e brilhe”).

“Ainda não está claro exatamente como a Apple pretende nos surpreender”, afirmou a emissora pública suíça SRF.

Segundo especialistas ouvidos pela rede, Ternus deverá apresentar o primeiro iPhone dobrável da empresa, além de uma central doméstica inteligente com tela sensível ao toque para controlar dispositivos conectados.

“A médio prazo, a Apple também lançará fones de ouvido equipados com câmera”, acrescentou a SRF.

Sobre a divisão de funções entre Cook e Ternus, a emissora explicou que o novo CEO ficará responsável pela gestão cotidiana da companhia, enquanto Cook assumirá a presidência do conselho, concentrando-se na orientação estratégica do grupo.

Essa função inclui a condução das relações políticas da empresa, especialmente os contatos com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de um lado, e com a liderança chinesa, de outro.

“É um delicado exercício de equilíbrio, que ele vem administrando bem até agora”, concluiu a SRF.

Criança ao telemóvel
«É claro que haverá obstáculos à implementação. Os jovens são engenhosos quando se trata de contornar as regras», afirmou o NZZ. Keystone

A gigante das redes sociais Meta aceitou pagar até US$ 18 bilhões (cerca de CHF 14,5 bilhões) para encerrar ações judiciais que a acusam de prejudicar a saúde e o desenvolvimento de crianças e adolescentes. A notícia foi recebida com cautela pela imprensa suíça.

A Meta, controladora do Facebook e do Instagram, também terá de adotar uma série de medidas destinadas a reforçar a proteção de usuários jovens, incluindo limites diários de uso ativados por padrão e bloqueios durante a noite.

“Uma boa notícia para a geração mais jovem”, escreveu o Neue Zürcher Zeitung (NZZ) na quinta-feira, um dia após o anúncio do acordo.

Já o Le Temps demonstrou menos entusiasmo:

“É preciso cautela: não há garantia de que essas medidas serão eficazes.”

Para o NZZ, a mensagem é clara:

“Finalmente, as plataformas de redes sociais estão sendo responsabilizadas. Outras plataformas, assim como outros países, deveriam seguir o mesmo caminho.”

O jornal de Zurique reconhece que a implementação das novas regras não será simples.

“É evidente que haverá obstáculos. Os jovens costumam ser criativos quando se trata de contornar restrições.”

Ainda assim, o periódico considera que o acordo representa um forte sinal político e regulatório.

O Tages-Anzeiger, por sua vez, avalia que a Meta saiu da disputa em posição confortável.

“Agora é oficial: as plataformas da Meta, em especial o Facebook e o Instagram, provocam dependência e causam danos psicológicos”, escreveu o jornal.

Segundo a publicação, o principal problema é que o caso foi encerrado por meio de um acordo extrajudicial, evitando um julgamento que poderia ter resultado em indenizações muito mais elevadas. Quatro estados americanos chegaram a exigir quase US$ 200 bilhões da empresa.

“Um processo teria obrigado a Meta a revelar inúmeros segredos comerciais”, acrescentou o Tages-Anzeiger.

Na avaliação do jornal, o acordo reduziu o impacto financeiro para a empresa a apenas 1,2% de seu valor de mercado, percentual insuficiente para alterar significativamente o comportamento dos investidores ou afetar o preço das ações no longo prazo.

De fato, os papéis da Meta chegaram a subir 4,1% após o anúncio e encerraram o pregão com alta de 1,1%.

Para o Le Temps, a empresa de Mark Zuckerberg, que sempre negou as acusações, parece ter saído fortalecida.

“À primeira vista, a companhia se saiu extraordinariamente bem”, concluiu o jornal.

A publicação ressalta, porém, uma série de incertezas que permanecem sem resposta:

“Essas medidas serão obrigatórias? Exatamente quais jovens serão afetados? Que responsabilidades adicionais recairão sobre os pais? Até que ponto esses mecanismos de proteção poderão ser contornados? Eles serão suficientes? As novas regras valerão apenas para usuários nos Estados Unidos?”

“Há muitas perguntas em aberto.”

A próxima edição de “Notícias dos EUA” será publicada na quinta-feira, 10 de setembro de 2026. Até lá!

Comentário ou críticas? Envie sua mensagem ao seguinte endereço: english@swissinfo.ch

 Adaptação: Fernando Hirschy

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