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Exame de consciência termina na Suíça

A comissão presidida por J-F.Bergier - 5° da direita p/ esquerda Keystone Archive

Uma comissão independente passou ao pente fino, durante 5 anos, o criticado papel da Suíça durante a 2a. Guerra Mundial. A "Comissão Berger" terminou sua missão e entregou síntese de seu trabalho ao governo.

Em meados da década passada, a Suíça era alvo de freqüentes críticas, principalmente por parte de comunidades judaicas norte-americanas e israelenses. Na época, o principal objeto de denúncia eram as contas inativas de vítimas do nazismo.

A questão das contas foi resolvida até 1999. Uma comissão de peritos, presidida por Paul Volcker, ex-presidente do banco central americano, vasculhou todos os arquivos dos bancos e saíu com uma lista quilométrica de possíveis pretendentes.

Indenização bilionária

Bancos suíços concluíram no mesmo ano um acordo com comunidades judaicas, aceitando pagar indenização de US$ 1.25 bilhão.

Para esclarecer a atitude da Suíça em relação à Alemanha nazista, o Parlamento suíço aprovou por unanimidade a criação de uma comissão independente de especialistas – metade suíça, metade estrangeira. A presidência foi confiada ao historiador suíço, Jean-François Bergier. Daí seu nome.

A Comissão Bergier, formada por 9 membros, 5 suíços e 4 estrangeiros, recebeu carta branca, podendo aceder a todos os arquivos, públicos e privados. Desde agosto, a Comissão começou a publicar os resultados de seu trabalho.

A imagem da Suíça saiu arranhada e o país deve modificar seus manuais escolares de história…

Colaboração com o inimigo

A Comissão constatou, p. exemplo, que o país discriminou os judeus que fugiam do nazismo. Acolheu 20 mil e rejeitou 24 mil. A tese que derrubou por terra a imagem de um país que abrira generosamente suas fronteiras aos refugiados.

Mostrou que a Alemanha de Hitler e a Itália de Mussolini tiveram respaldo de setores da economia e das autoridades suíças. E concluiu que “as autoridades suíças contribuíram – intencionalmente ou não – para que o regime nacional-socialista atingisse seus objetivos”.

São ao todo 25 relatórios. Entre a parte ainda não publicada (em março), a versão final sobre transações de ouro nazista.

Todas as atenções se voltam para a síntese de todo o trabalho da Comissão Bergier, entregue na quarta-feira, 19/12, ao governo suíço. O governo vai reagir só em março. É quando será publicada.

swissinfo.

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