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República Democrática do Congo anuncia novo surto de Ebola

Um homem desinfeta os calçados do lado de fora do Hospital de Referência Wangata, em Mbandaka, noroeste da República Democrática do Congo, em maio de 2018 afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 01. agosto 2018 - 20:34
(AFP)

A República Democrática do Congo reportou nesta quarta-feira (1) um surto de Ebola no leste do país, devastado por conflitos, com 20 mortos, apenas uma semana depois de declarar o fim de uma epidemia no noroeste do país.

A província oriental de Kivu do Norte notificou o Ministério da Saúde de "26 casos de febre com indicações hemorrágicas, dos quais 20 foram fatais", afirmou o ministro da Saúde, Oly Ilunga Kalenga, em um comunicado.

O surto ocorreu na região de Beni, em Kivu do Norte - o bastião de uma milícia islamita ligada a Uganda chamada Forças Democráticas Aliadas (ADF).

"Neste ponto, não há indicação de que essas duas epidemias, que estão a mais de 2.500 quilômetros de distância, estejam conectadas", disse.

Seis amostras coletadas de pacientes hospitalizados chegaram a Kinshasa na terça-feira para análise pelo Instituto Nacional de Pesquisas Biomédicas (INRB), acrescentou.

Das seis, quatro testaram positivo para a doença do vírus Ebola.

Doze especialistas do Ministério da Saúde chegarão a Beni na quinta-feira, acrescentou Ilunga.

Em 24 de julho, o próprio Ilunga declarou o fim de um surto de 10 semanas que atingiu o noroeste da República Democrática do Congo, causando 33 mortes e provocando preocupação internacional.

Os casos surgiram na cidade de Mbandaka, nas margens do rio Congo, com uma população de mais de um milhão pessoas.

Para muitos especialistas, a doença contagiosa em um ambiente urbano é muito mais difícil de conter do que no campo, especialmente em um país pobre com um sistema de saúde frágil.

A epidemia foi combatida com a ajuda da Organização Mundial da Saúde (OMS), que apressou a ajuda de emergência, incluindo equipamentos de proteção, e desbloqueou US$ 2 milhões em financiamento acelerado.

A OMS forneceu uma vacina chamada rVSV-ZEBOV, que provou ser altamente eficaz em testes durante a pandemia da África Ocidental.

A vacina sem licença foi dada aos trabalhadores da linha de frente na República Democrática do Congo.

O último surto é o décimo na RDC desde 1976, quando o vírus foi descoberto no norte do país, então chamado Zaire, e recebeu o nome de um rio próximo.

O Ebola, uma das doenças mais temidas do mundo, é uma febre hemorrágica causada por vírus que, em casos extremos, causa sangramento fatal em órgãos internos, boca, olhos ou ouvidos.

O vírus tem um reservatório natural em uma espécie de morcego frugívoro tropical africano, a partir do qual acredita-se que salta para os humanos que matam os animais para alimentação.

A transmissão entre os humanos, então, ocorre através de contato próximo com o sangue, fluidos corporais, secreções ou órgãos de alguém que está infectado com Ebola ou que morreu recentemente.

A taxa de mortalidade média é de cerca de 50%, variando de 25% a 90%, segundo a OMS.

No pior surto de Ebola, a doença atingiu Guiné, Libéria e Serra Leoa, na África Ocidental, entre 2013 e 2015, matando mais de 11.300 pessoas.

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