Ao menos 12 mortos em ataques israelenses na Faixa de Gaza (Defesa Civil)
Ataques israelenses neste domingo(15) na Faixa de Gaza deixaram pelo menos 12 mortos, denunciou a Defesa Civil do território palestino, no que o exército de Israel chamou de reposta a violações do cessar-fogo.
Apesar da trégua em vigor desde 10 de outubro, que entrou em sua segunda fase no mês passado, as hostilidades persistem no território palestino, onde Israel e o movimento islamista Hamas acusam-se mutuamente de violar o acordo.
Segundo a Defesa Civil, uma organização de primeiros socorros que opera sob a autoridade do Hamas, um dos ataques atingiu uma tenda que abrigava deslocados internos no norte de Gaza, matando cinco pessoas.
Osama Abu Askar disse à AFP: “Israel não entende o que é um cessar-fogo ou uma trégua. Estamos vivendo sob uma trégua há meses, mas eles nos atacam. Dizem uma coisa e fazem outra”. Askar, que tinha um sobrinho entre os mortos do dia, relatou que quatro civis perderam suas vidas ao amanhecer no campo de Jabalia, “enquanto dormiam na rua”.
Dezenas de pessoas se reuniram no Hospital Naser, onde alguns dos falecidos foram velados envoltos em panos brancos.
Outro ataque também deixou cinco mortos em Khan Younis, no sul do território, de acordo com a Defesa Civil. Além disso, uma pessoa morreu vítima de disparos israelenses na Cidade de Gaza e outra em Beit Lahia, também no norte do território.
O Hospital Al-Shifa, na Cidade de Gaza, no norte, e o Hospital Nasser, em Khan Younis, confirmaram ter recebido os corpos de várias pessoas.
– “Instalações subterrâneas” –
O exército de Israel alegou ter realizado ataques após identificar “vários terroristas armados refugiando-se sob escombros” perto de seus soldados, “provavelmente após saírem de instalações subterrâneas”, no setor de Beit Hanoun, no norte.
Também afirmou que respondeu a uma “violação” da trégua pelo movimento islamista palestino na parte norte do território.
Os militares acrescentaram, em um comunicado, que esses homens haviam cruzado a Linha Amarela, que demarca a área ainda ocupada por soldados israelenses desde a entrada em vigor do cessar-fogo.
O porta-voz do Hamas, Hazem Qassem, acusou o exército israelense de violar a trégua. “Atacar pessoas deslocadas em suas tendas é uma grave violação do acordo de cessar-fogo”, disse ele em um comunicado.
O Ministério da Saúde de Gaza, que opera sob a autoridade do governo do Hamas, afirma que pelo menos 601 pessoas foram mortas desde que o cessar-fogo entrou em vigor. Esses números são considerados confiáveis pela ONU.
Israel relata que pelo menos quatro de seus soldados morreram no mesmo período. Devido às restrições impostas à imprensa em Gaza e as dificuldades de acesso ao terreno, a AFP não pôde verificar de forma independente as informações e os números de nenhum dos lados.
Os Estados Unidos anunciaram em janeiro o início da segunda fase do plano do presidente Donald Trump para Gaza, que prevê uma retirada gradual de Israel do território, o desarmamento do Hamas e o envio de uma força internacional de estabilização.
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