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Apesar das diferenças, Lula e Trump saem satisfeitos de encontro em Washington

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Apesar de suas diferenças ideológicas, Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva saíram satisfeitos de sua reunião nesta quinta-feira (7) na Casa Branca, enquanto o presidente brasileiro descartou que o republicano vá exercer “qualquer influência” nas eleições de outubro.

A cinco meses das eleições, Lula buscou com sua visita dissipar nuvens de incerteza com os Estados Unidos.

“Eu saio muito, muito satisfeito da reunião. Acho que foi uma reunião importante para o Brasil e importante para os Estados Unidos. Eu sempre acho que a fotografia [após o encontro] vale muito. E vocês perceberam que o presidente Trump rindo é melhor do que ele de cara feia?”, relatou Lula em uma coletiva de imprensa posterior na embaixada do Brasil em Washington.

Lula fazia alusão a várias fotos publicadas em sua conta no Instagram nas quais ambos aparecem sorridentes na Casa Branca.

“Ele aprendeu que rir é muito bom”, disse aos jornalistas, ao comentar que brincou com Trump.

O presidente americano também declarou palavras de elogio ao “muito dinâmico” Lula em uma mensagem na rede social Truth Social.

“Falamos sobre muitos temas, entre eles o comércio e, concretamente, as tarifas. A reunião transcorreu muito bem”, escreveu o republicano.

A visita de Lula à Casa Branca, que incluiu um almoço, se estendeu por mais de duas horas.

Os líderes tiveram uma relação de altos e baixos. Mas, além das diferenças ideológicas, ambos os países têm importantes interesses comerciais em jogo.

O Brasil resistiu firmemente às tarifas de Trump no ano passado, até que Washington suspendeu algumas dessas taxações devido às pressões inflacionárias sobre commodities como café e carne bovina.

Washington manifestou interesse nas reservas brasileiras de terras raras, as segundas maiores do mundo depois das chinesas.

Lula defende que o Brasil controle todo o processo, mas afirmou que transmitiu a Trump que o país já possui “um marco legal” para que os Estados Unidos invistam nesses elementos estratégicos, depois que a Câmara dos Deputados aprovou na quarta-feira um projeto de lei que regula o tema.

– Trump não terá “qualquer influência” nas eleições –

Lula, de 80 anos, e Trump, de 79, fizeram um primeiro contato ao se cruzarem na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas em setembro passado e concordaram em se reunir pessoalmente para dissipar mal-entendidos, depois que Trump acusou o Brasil de fazer “uma caça às bruxas” contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Trump é um antigo aliado do ex-presidente, condenado e preso por tentativa de golpe de Estado. 

Após uma reunião na Malásia em outubro e várias conversas por telefone, a reunião na Casa Branca foi adiada e negociada diplomaticamente e, nesse meio tempo, eventos como a captura do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e a guerra contra o Irã tomaram conta do cenário político. 

O petista tem sido uma voz crítica da política externa de Trump, mas nesta quinta-feira assegurou que não iria “brigar” com o republicano apesar de suas divergências em relação à guerra com o Irã.

Lula enfrenta um ano eleitoral complicado, com uma oposição conservadora que lhe impôs algumas derrotas no Congresso e com pesquisas que apontam um empate técnico em outubro com o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Outro filho, Eduardo Bolsonaro (PL-SP), mudou-se para os Estados Unidos no ano passado para fazer lobby em nome de seu pai e mantém contato regular com o governo Trump.

Mas Lula descartou nesta quinta-feira que Trump vá interferir nas eleições presidenciais de outubro.

“Eu não acredito que [Trump] terá qualquer influência nas eleições brasileiras. Até porque quem vota é o povo brasileiro. E eu acho que ele vai se comportar como um presidente dos Estados Unidos, deixando que o povo brasileiro decida o seu destino”, afirmou.

– Combate ao crime –

Os dois líderes também abordaram a cooperação no combate ao crime organizado.

Os Estados Unidos e o Brasil assinaram um acordo em abril para combater o tráfico de armas e drogas. Por meio desse acordo, compartilham dados, como inspeções por raio-X de contêineres que viajam dos Estados Unidos para o Brasil.

Trump priorizou o combate ao que chama de “narcoterrorismo” em seu segundo mandato e designou grandes cartéis latino-americanos como organizações terroristas estrangeiras.

Lula disse que propôs a Trump “construir um grupo de trabalho com todos os países da América Latina” para enfrentar a ameaça.

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