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Matemática para compreender a vida

Uma das primeiras pesquisas do programa é voltada para a produção de insulina pelas células do pâncreas (SystemsX.ch)

A biologia sistêmica, o estudo das interações entre as componentes de um sistema biológico, faz sonhar a comunidade científica helvética. Nessa área ela quer estar entre os líderes.

Nesse sentido, as politécnicas federais e seis universidades suíças unirão seus conhecimentos e recursos no projeto intitulado “SystemsX.ch”. Mais de 400 milhões de francos serão investidos no setor nos próximos anos.

“As ciências da vida são um tema essencial. Para que a Suíça possa progredir, a política científica deve ser suficientemente flexível para agarrar as oportunidades”, declarou Charles Kleiber, secretário de Estado para Educação e Pesquisa, em Berna durante a apresentação do “pool” científico SystemsX.ch.

As Escolas Politécnicas Federais de Lausanne (EPFL) e Zurique (EPFZ), além das universidades de Genebra, Lausanne, Friburgo, Berna, Basiléia e Zurique participam do programa, qualificado também como a mais importante iniciativa de encorajamento temático dos últimos anos.

Três institutos científicos helvéticos – Instituto Paul Scherrer (Villigen), Instituto Friedrich Miescher (Basiléia) assim como o Instituto Suíço de Bioinformática também estão incluídos.

Sem precedentes

Segundo Kleiber, trata-se de uma cooperação sem precedentes, que poderá servir, sob diversos aspectos de modelo no processo de reorganização da paisagem universitária. O secretário de Estado para Educação e Pesquisa ressalta também o potencial de futuro da biologia sistêmica, tanto em termos científicos como organizacional, já que esse setor é extremamente interdisciplinar.

A biologia sistêmica é a continuação lógica dos projetos atuais de decodificação do patrimônio genético humano e de inúmeros outros genomas de plantas, animais e micro-organismos como explica Rudolf Aebersold, presidente do comitê de direção científica do projeto SystemsX.ch. “Ela vista encontrar não apenas uma forma de “ortografar” a linguagem da vida como é feita hoje em dia, mas também de aprender a ler e compreende-la”.

“Conseguir ler todas as palavras de um dicionário não é suficiente para compreender um texto. Para isso é necessário conhecer a gramática e a sintaxe”, explica ainda o pesquisador para ilustrar suas teses. Deste modo, essa etapa suplementar é necessária para poder avançar na compreensão dos efeitos de diversos elementos (genes, proteínas) nos organismos e suas disfunções.

“Com essa conquista será possível compreender melhor o aspecto molecular de algumas doenças. Poderemos também reconhecer eventuais modificações no interior das células com uma certa antecedência e, dessa forma, poder elaborar novas possibilidades de diagnóstico”, revela Rudolf Aebersold à swissinfo.

Indústria farmacêutica

Em sua opinião, a indústria farmacêutica também irá lucrar com as pesquisas na área. Ela precisaria ter uma nova abordagem para ultrapassar a longa fase de pane em inovações, apesar dos milhões que foram investidos nos últimos anos.

O Parlamento helvético destinou na sua sessão de outono 200 milhões de francos para apoiar as pesquisas na área de biologia sistêmica entre 2008 e 2011. Para aproveitar dos fundos oficiais, as universidade beneficiárias deverão contribuir com uma soma equivalente.

Outra fonte de financiamento é a indústria, sobretudo as empresas farmacêuticas. O setor privado já investiu 8 milhões até então. Um dos objetivos do projeto SystemsX.ch é convencê-lo a disponibilizar 400 milhões de francos. Dessa forma a Suíça seria o país que mais investe na biológica sistêmica, por habitante.

Os requerimentos de projeto, incluindo também aqueles que já estão em curso em Lausanne, Basiléia e Zurique, devem ser entregues até o final do ano. Até o momento, 18 pedidos de financiamento já chegaram às mesas oficiais. Os projetos de pesquisa, tecnologia e desenvolvimento aprovados poderão ser iniciados já na primavera de 2008. Seu potencial competitivo será um aspecto importante.

swissinfo com agências

Biologia Sistêmica é o estudo das interações entre as componentes de um sistema biológico, e como essas interações fazem emergir função e comportamento no sistema (por exemplo, genes, enzimas e metabólitos numa via metabólica). Pode ser útil a ilustração de conceber a Biologia Sistêmica como a aplicação da Teoria de sistemas à Biologia.

O termo Biologia Sistêmica parece mais adequado como uma versão para o Português de Systems Biology do que Biologia de Sistemas ou ainda Biologia Sistemática (Chave (biologia)). Isto porque seria uma analogia natural com outros termos já incorporados na nossa língua como: Principios e Conceitos Sistêmicos, Pensamento sistêmico, Redes sistêmicas, Lingüística sistêmica, etc. Entretanto, em outras línguas escolheu-se uma tradução “ao pé da letra” como para o Francês em Biologie des systèmes, Espanhol Biología de sistemas ou o Italiano em Biologia dei sistemi. Cabe ainda a comunidade científica falante do Português dar a palavra final neste assunto.

A abordagem da Biologia Sistêmica é caracterizada pelo uso, em alternância cíclica, de: teoria, modelagem computacional/matemática e experimentos para descrever quantitativamente células e processos celulares.

Uma vez que o objetivo é modelar todas as interações de um sistema, as técnicas experimentais que melhor se ajustam ao seu paradigma são as técnicas modernas de larga-escala (tradução tentativa para high-throughput), também conhecidas como as técnicas da família “ôma” (numa tradução tentativa para omics) (como genomics ou genomica, transcriptomics ou transcriptoma, proteomics ou proteoma, metabolomics ou metaboloma, e assim por diante).

O estudo do *oma é frequentemente considerado como o mesmo que Biologia Sistêmica, entretanto, a relação entre elas é semelhante a relação entre a Biologia Computacional e a Bioinformática. A Biologia Sistêmica é mais detalhada e de escopo mais limitado que o *oma. (Texto: Wikipédia em português)

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