Suíça viu avanços na Conferência sobre o Clima
"Precisamos de ações urgentes e coordenadas para evitarmos o aquecimento global”, alerta o presidente da Conferência das Nações Unidas para as Mudanças Climáticas, o húngaro Miklós Persányi.
Na Conferência de Milão, encerrada sexta-feira, a delegação suíço constatou progressos importantes.
O apelo chega na reta final do encontro que reuniu 6.000 delegados de 188 países. E todos estão de acordo. O problema é como fazê-lo.
Mais transparência
A Suíça formou um grupo junto com o México e a Coréia. Segundo o embaixador Beat Nobs, da Agência do Meio Ambiente da Suíça, “foram feitos muitos avanços na legislação que diz respeito ao mecanismo de desenvolvimento limpo”. Ele acrescentou ainda que ‘” as regras estão mais claras e agora os projetos poderão seguir adiante”.
“Desta forma as instituições privadas e públicas vão poder operar com mais transparência, tranquilidade e segurança”, disse Nobs em um seminário.
Dois fundos financeiros já estão ganhando forma e recebendo contribuições voluntárias concentradas no Global Environment Facilities(GEF), orgão subordinado às Nações Unidas.
Um é o fundo Especial para Mudanças Climáticas, já com 410 milhões de dólares retirados das contas da União Européia, Canadá, Islândia, Nova Zelândia, Noruega e Suíça. Esses recursos foram definidos na declaração de Bonn e ratificados em Milão.
Os recursos serão investidos em programas de tranferência de tecnologia e e em projetos de adaptação dos países às alterações climáticas.
Recursos para quem?
No entanto, quanto, como e para que países essa ajuda vai ser destinada somente a próxima Conferência, em Buenos Aires, em dezembro de 2004, terá a resposta.
A outra ajuda financeira é o Fundo para os Países Menos Desenvolvidos, com um orçamento de 29 milhões de dólares, dos quais 11 já estão depositados. Ele também vai contar com a participação do fundo para o Clima.
Em ambos os braços financeiros, está o pensamento pioneiro do suíço Stephan Schmied Heiny, idealizador do World Business Council Sostainable Development. Ele foi o primeiro a propor um consciência empresarial para o desenvolvimento sustentável, onze anos atrás, durante a primeira Conferência, a ECO 92, no Rio de Janeiro.
Expectativa do Brasil
“A Suíça é um país rico, com muitos recursos financeiros e de tecnologia de ponta, bastante avançada em alguns setores. Sem dúvida alguma ela tem como contribuir para minimizar os efeitos da poluição no meio ambiente””, afirmou o chefe da delegação brasileiria, o ministro Everton Vargas, do Itamaraty.
A Agência Suíça para o Desenvolvimento Sustentável é uma das mais atuantes na comunidade internacional. E deve trabalhar ainda mais. Só falta o protocolo de Kyoto sair do papel.
Foram doze dias de intensas negociações entre os países. O protocolo de Kyoto com as suas metas continua sendo o cavalo de batalha para o controle do clima no mundo.
Os países na linha d’água, como as ilhas Maldivas, Tavalu e Barbados, espalhados pelos três oceanos pedem urgência na implantação do protocolo. Só assim os habitantes dos arquipélagos se sentiriam menos vulneráveis e temerosos com o risco de uma elevação do nível do mar.
Protocolo de Kyoto sai reforçado
Ucrânia e Angola afirmaram que vão assinar o documento. Austrália não vai ratificar mas se comprometou a respeitar os objetivos estabelecidos. Enquanto isso, a Rússia ganha tempo até as eleiçoes presidenciais, em março.
Para os ambientalistas e observadores, mesmo sem estar em vigor, o documento de Kyoto sai reforçado e vitorioso desta Conferência. Já os Estados Unidos, que defendem um outro modelo de controle do clima, saem ainda mais isolados da comunidade internacional.
swissinfo, Guilherme Aquino, Milão
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