Ajuda ao desenvolvimento será mais concentrada no futuro
Para ser mais eficaz, a Direção de Desenvolvimento e Cooperação (DDC) vai reduzir de 17 para 14 o número de países onde mantém projetos prioritários.
Em 2007, a agência governamental suíça vai se engajar em favor de créditos a juros baixos para os países pobres.
Temas prioritários
A Suíça vai manter, em contrapartida, seus programas especiais em oito regiões de crise, especialmente na Palestina, África Austral e na região dos Grandes lagos africanos.
Falando de um espírito de transparência na coletiva à imprensa de quinta-feira (18/01), em Berna, o diretor da DDC Walter Fust explicou que 65 a 75% da ajuda bilateral (ou seja, 532 milhões de francos no orçamento de 2007) vão diretamente aos países prioritários. A cooperação suíça vai se concentrar ainda em 12 temas em que provou ter sólidas competências.
Por exemplo, vai continuar investimento em saúde, educação, água potável, meio ambiente e boa governância, sempre com prioridade ao espaço que as mulheres ocupam no desenvolvimento.
Orçamento estável
Com praticamente o mesmo orçamento de 2006 (1,3 bilhões de francos), a DDC vai concentrar ainda mais os recursos disponíveis para ter um melhor impacto possível. Foi o que declarou Walter Fust, quinta-feira, na sede da agência, em Berna, capital suíça.
“No Sudão, por exemplo, devemos ter uma certa flexibilidade em função do orçamento”, explico Fust a swissinfo. “Todo ano examinados em detalhe todos os projetos. Quando algum se distancia dos objetivos pré-fixados e que não conseguir corrigi-lo, devemos interrompe-lo”.
Até 2010, a DDC reduzirá o número de países do Sul considerados “prioritários”. Eles passarão de 17 a 14. Atualmente, a DDC está presente em sete países da África, quatro da América Latina e seis na Ásia. Ele pretende se retirar do Equador e reduzir seus programs no Butão e na Índia, precisou Walter Fust.
Leste Europeu
Com relação aos países do leste, os programas da DDC na Romênia e na Bulgária terminarão até o final de 2007 porque os dois países entraram na União Européia em 1° de janeiro último.
Caberá também à DDC aplicar a nova lei de ajuda dez países que aderiram à UE um ano atrás (com exceção da Bulgária e da Romênia). Votada pela povo, trata-se uma ajuda de 1 bilhão de francos em dez anos, prevista nos acordos bilaterais da Suíça com a UE.
Walter Fust ressalvou que as verdas ainda não foram alocadas pelo Parlamento e pelo governo. Ele espera que isso será feito até junho para iniciar os programas de desenvolvimento nesses países no segundo semestre de 2007.
Como lembrete, a DDC e a Secretaria Federal de Economia (SECO) devem arcar, cada uma, com 300 milhões de francos nesses programas do Leste, sem que isso prejudique a ajuda aos países do Sul.
Reformar os métodos da ONU
No plano mais geral, a DDC vai basear suas atividades dentro do que foi decidido em maio de 2006 pelo governo federal.
Esse plano prevê a realização dos Objetivos do Milênio para o Desenvolvimento, como a redução até 2015 de metade da pobreza no mundo. Fixa também como prioridade a gestão de situações ligadas às mudanças climáticas. Segundo a DDC, os países em desenvolvimento são os mais atingidos pelas mundaças climáticas.
Este ano, a DDC participará ainda da reforma do sistema das Nações Unidas, que visa simplificar suas estruturas. A Suíça participa de projetos no Vietnã e no Paquistão.
Sobre a questão dos créditos com pequenas taxas de juros para os países pobres, a DDC e a SECO participarão das negociações, na próxima primavera, que deverão permitir reconstituir o capital da Associação Internacional de Desenvolvimento (AID) do Banco Mundial e do Fundo Africano de Desenvolvimento (FAD).
swissinfo com agências
Os países prioritários atuais da DDC são_
Benin
Burkina Faso
Mali
Níger
Chade
Moçambique
Tanzânia
Bolívia
Equador
Peru
Nicarágua
Bangladesh
Butão
índoa
Nepal
Paquistão
Vietnã
A Direção de Desenvolvimento e Cooperação (DDC) terá este ano um orçamento de 1,3 bilhão de francos suíços, equivalente ao do ano passado.
A DDC emprega cerca de 500 pessoas em Berna e no estrangeiro e 1.150 colaboradores locais.
A Suíça dedica 0,4% de seu Produto Nacional Bruto (PNB) ao desenvolmento, bem inferior aos 0,8% preconizados pela ONU.
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