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Encontro discute diferenças Norte-Sul

Islamabad, Paquistão. Apesar dos esforços da ONU, pobreza continua sendo o maior flagelo. Keystone

A Cúpula Mundial da Sociedade da Informação (CMSI) quer lançar os alicerces de uma sociedade mais eqüitativa.

Apesar do esforço, já fazem anos que a ONU organiza reuniões destinadas a reduzir as disparidades entre ricos e pobres, sem resultados evidentes.

Esses eventos permitiram traçar o perfil de um planeta em plena mutação. Conseguiram também inscrever na agenda dos governos certos temas, como o do desenvolvimento sustentável.

Vale constatar, porém, que as declarações políticas e numerosos projetos adotados no encerramento desses encontros dificilmente se concretizam, por falta de mecanismo de aplicação.

Os dados fornecidos pelas diferentes agências da ONU mostram que as disparidades econômicas e sociais se reduziram muito pouco nos últimos anos.

Para muitas organizações não-governamentais, as desigualdades entre ricos e pobres até se agravaram.

A esse respeito, as críticas contra uma globalização qualificada de neo-liberal prosperaram, tornando cada vez mais virulentas. Em particular por ocasião das famosas conferências paralelas, sistematicamente organizadas à margem de cada uma das grandes conferências da ONU.

Com a implosão do bloco comunista no fim do anos 80, a Organização das Nações Unidas achou que finalmente chegara a sua hora.

O fim do confronto ideológico leste-oeste levava a acreditar em um consenso planetário baseado na economia de mercado e na democracia.

Convencida disso, a ONU duplicou esforços com o fim de construir uma nova ordem mundial mais justa e mais pacífica.

Uma mobilização planetária

As Nações Unidas decidiram, então, enfrentar os principais problemas do planeta, mobilizando seus membros e organizando grandes conferências temáticas.

Basta mencionar as conferências do Rio de Janeiro sobre o meio ambiente e o desenvolvimento sustentável, de Viena (direitos humanos), Cairo (demografia e recursos naturais), Istambul (moradia), Pequim (mulher), Copenhague (pobreza) e Durban (racismo).

Lembremos-nos também da assembléia geral extraordinária de setembro de 2000, realizada pelo conjunto dos Estados membros da ONU e marcada pelo milênio nascente.

No encerramento dessa reunião, os Estados adotaram um texto que retoma em grande parte os objetivos definidos pelas precedentes conferências.

Essa famosa declaração do milênio visava reduzir fortemente a extrema pobreza e melhorar a educação e a saúde dos mais pobres.

Uma nova parceria

Tirando lição da década passada, a ONU pretende inovar com a Cúpula Mundial da Sociedade da Informação (CMSI), de Genebra.

Essa cúpula das cúpulas – como a descreveu pomposamente seu presidente Adama Samasséko – visa reativar os objetivos do Milênio.

E, para criar as condições necessárias, a CMSI decidiu inaugurar uma fórmula de negociações amplas de que participem os governos, a sociedade civil, as empresas privadas e as organizações internacionais.

Os organizadores dessa cúpula já previram uma segunda etapa em Túnis, em 2005, para fazer um primeiro balanço das medidas adotadas em dezembro de 2003, em Genebra.

Ressurgimento de antigos conflitos

Pelo menos de uma coisa se pode ter certeza : a realização da CMSI constitui um grande desafio para seus organizadores: as Nações Unidas, a Suíça e a Tunísia.

“A CMSI é uma cúpula global que reativa boa parte de contenciosos internacionais dos últimos anos”, confirma Alain Modoux, conselheiro para a UNESCO.

Será debatida, por exemplo, uma antiga reivindicação dos países do Sul: como contrapartida ao respeito aos direitos humanos, defendidos pelos países ricos, eles exigem o respeito aos direitos econômicos e sociais.

Mas tem mais : a CMSI poderia levar a um regresso da liberdade pública. As organizações não-governamentais (ONGs) afirmam que certos Estados procurariam a restringir a liberdade de expressão, em nome da soberania nacional e da luta contra o terrorismo.

Sair do impasse

“Essa cúpula é uma oportunidade histórica de debater seriamente os principais flagelos que ameaçam nosso planeta”, estima, no entanto, Adama Samassékou.

E o presidente da CMSI prossegue : “O sistema das Nações Unidas está em plena crise, como acontece também com a OMC, a instância que rege o comércio internacional. A economia perde o fôlego e a violência e insegurança progridem”.

“Não se pode fechar os olhos e deixar tudo assim, conclui Adama Samassékou”.

swissinfo, Frédéric Burnand em Genebra

– Desde o fim da guerra fria, a ONU tenta reconstruir uma ordem mundial eqüitativa.

– Essa visão foi sintetizada em 2000, na Declaração do Milênio.

– O texto estabelece 8 objetivos para reduzir as desigualdades mais gritantes e uma prazo (2015).

– A Cúpula Mundial da Sociedade da Informação (CMSI) visaria facilitar a realização desses objetivos.

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