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Encontros da 3ª. via em Genebra

Dessa vez as ONGs participam e não saem mais às ruas, como na cúpula do G8, em Gênova, em 2001. Keystone

Com a Cúpula Mundial da Sociedade da Informação (CMSI), a ONU inaugura uma forma inédita de negociações internacionais.

A conferência de Genebra inclui nos debates representantes da sociedade civil e do setor privado.

“No passado, as Nações Unidas tratavam unicamente com os governos. Hoje, sabemos que a paz e a prosperidade só podem ser realizadas com parcerias entre governos, organizações internacionais, o mundo dos negócios e a sociedade civil. No mundo atual, todos dependemos uns dos outros”.

Kofi Annan está convencido dessa realidade desde que ocupa o cargo de secretário geral da ONU. Sua visão baseia-se numa tríplice evolução.

De um lado, os países não dispõem de meios para realizar seus projetos de forma isolada. De outro, as organizações não-governamentais (ONGs) têm reivindicações cada vez mais complexas, mas precisam de fundos para concretizá-las. Quanto às empresas, elas dispõem de finanças, mas suas ambições quase não ultrapassam o horizonte do interesse próprio.

Uma abertura salutar

A parceria proposta por Kofi Annan seria do interesse de todos os atores desse processo. Desde a 2ª. conferência preparatória da Cúpula de Informação em Genebra, os representantes da sociedade civil acolheram bem essa abertura, mas com algumas restrições.

“É um progresso interessante, quase histórico”, avalia Chantal Peyer, da ONG suíça “Pão para o Próximo”. Mas acrescenta: “Mas a sociedade civil, o setor privado e as organizações internacionais ficam, porém, na condição de consultores”.

Um direito à palavra

De fato, os representantes desses 3 setores conseguiram “tempo de palavra”, ou seja, espaço para intervir nas sessões plenárias e nas reuniões preparatórias da CMSI. Ele terão também a possibilidade de interferir nos temas abordados em grupos de trabalho, dedicados aos diferentes temas abordados pela cúpula.

A CMSI dispõe igualmente de um secretariado da sociedade civil, que tenta vender as idéias das associações que representa. Por fim, algumas delegações governamentais – entre as quais a da Suíça – integraram membros da sociedade civil e do setor privado em sua representação.

Mas segundo Pap Diouf, esses avanços são insuficientes.

“Ainda não se pode falar de verdadeiras negociações em quatro partes, diz esse professor do Instituto Universitário do Estudo do Desenvolvimento (IUED), de Genebra. Porque são os países que continuam a ter a última palavra”.

E, por seu lado, Basheerhamad Shadrach acrescenta que os meios econômicos não se envolvem suficientemente na preparação da conferência de cúpula.

“A parceria entre os setores públicos e privado, preconizada por Kofi Annan, não passa de sonho”, alfineta o responsável pela rede de informação de Oneworld para a Ásia.

Uma parceria balbuciante

Uma coisa é certa, a inclusão, mesmo parcial, da sociedade civil na CMSI permitiu evitar que as ONGs organizassem um cúpula paralela. É uma evolução importante em relação às precedentes conferências da ONU.

De fato, a maioria dos participantes da sociedade civil aceitou entrar no jogo proposto por Kofi Annan, apesar de numerosas frustrações ressentidas nas reuniões preparatórias. Vale reconhecer, porém, que essa parceria ainda engatinha e não deverá continuar a qualquer preço.

A prova é a clara advertência lançada pela sociedade civil no fim da 3ª. conferência preparatória: – “Se os governos continuarem a excluir nossas propostas, não endossaremos os documentos finais da CMSI”.

swissinfo, Frédéric Burnand em Genebra

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