Suíça lança grito de alerta contra mudanças climáticas
O recuo constante das geleiras nos alpes suíços é um dos sinais alarmantes das mudanças climáticas em curso.
Na Conferência da ONU sobre as mudanças climáticas, atualmente em Milão, a Suíça defende uma redução imediata da emissão de gases poluentes, mas de forma “sustentável e consistente”.
“Nós esperamos que os Estados Unidos voltem para estrada da comunidade internacional”, afirmou à swissinfo o embaixador Beat Nobs, chefe da delegação de onze técnicos e pesquisadores da Suíça na Conferência das Nações Unidas para as Mudanças Climáticas, que acontece em Milão, no norte da Itália.
Dever de casa
A declaração foi feita logo após a intervenção do representante da delegação norte-americana sobre a política da Casa Branca para o meio ambiente.
Os Estados Unidos apostam em novas tecnologias a longo prazo, ao contrário da posição da maioria dos 188 países presentes ao evento. Ele não citou em nenhum momento o protocolo de Kyoto, já assinado por 120 nações, entre elas a Suíça.
O país alpino defende a redução imediata da emissão de gases poluentes na atmosfera como prevê o tratado, mas de forma “sustentável e consistente”. E os suíços tentam fazer o dever de casa.
Cota de sacrifício
Na última década, o índice de emissão de CO2 no país subiu 1,3 %, contra uma média de 10% nos países industrializados, com exceção da Inglaterra e Alemanha, que conseguiram reduzir seus índices.
A Suíça é responsável por 0,3 % do total de gases que provocam o efeito estufa na atmosfera. Mas nesta luta contra a agressão ao clima o país não está neutro e ajuda no pagamento da conta global.
“Estamos disponibilizando uma quantia muito alta. Esses recursos estão sendo aplicados em diferentes campos. Eles contém os esforços dos países Suiça, Canadá, Noruega e da Comunidade Européia e fazem parte do Global Financial Facility. Nós sustentamos com 410 milhoes de dólares por ano programas em países em desenvolvimento, desde o ano de 2001, e vamos aumentar esta contribuição até 2005”’, afirmou Beat Nobs, embaixador da Agência para o Meio Ambiente da Suíça.
Esses programas fazem parte do Mecanismo de Desenvolvimento Sustentável, previsto pelo protocolo de Kyoto. Através dele, países industrializados podem financiar projetos em países em desenvolvimento, recebendo em troca uma espécie de atenuante na sua cota de sacrifício de redução da emissão de gases poluentes.
Esse sistema de troca de “créditos ambientais”está sendo colocado em prática mesmo antes do tratado de Kyoto entrar em vigor. Ele ainda depende da assinatura da Rússia para sair do papel.
No entanto, os primeiros acordos já devem surgir no início do próximo ano. E ao Brasil interessa utilizar o dinheiro para programas de reflorestamente e florestamento.
”Assim podemos plantar mais árvores e retirar mais CO2 da atmosfera”, explicou o diretor da Secretaria de Qualidade Ambiental do Ministério do Meio Ambiente, Ruy de Goés Barros, presente na Conferência.
Estrada sem saída
“ Estamos todos vulneráveis. Temos sofridos sérias consequências por conta dos últimos fenômenos climáticos extremos. Estamos enfrentando graves problemas nos Alpes e atenuar os danos custa muito dinheiro”, afirmou o embaixador Nobs.
A Suíça está atuando em todas as frentes possíveis. No clima, nas florestas, na água e até na preocupação com a poluição dos mares, mesmo sem ter sequer uma saída para o mar.
A perda de 3 metros na espessura das geleiras dos Alpes por conta do último verão “africano”, com temperaturas recordes foi mais do que um alerta. E o Ródano, o Pó e o Reno nascem nas geleiras, que podem desaparecer do mapa se os termômetros continuarem a subir.
“Estamos certos de que não se pode ter um desenvolvimento sustentável sem a proteção do meio ambiente. Todo o crescimento, o desenvolvimento, deve receber um apoio, sem este apoio entraremos numa estrada sem saída”’, concluiu o chefe da delegação suíça.
A Conferência vai até o dia 12 de dezembro e estão sendo esperados 92 ministros de Estado para a última parte dos trabalhos na semana que vem.
Até lá, seis mil delegados vão trocar experiências, informações e prestar contas sobre o que cada um dos 188 governos presentes está fazendo para impedir que o clima no planeta torne a Terra um lugar difícil de se viver.
swissinfo, Guilherme Aquino em Milão
– 188 países participam da Conferência de Milão sobre as mundaças climáticas.
– 120 países assinaram o protocolo de Kyoto, que prevê a redução da emissão de gases que provocam o efeito estufa.
– Os Estados Unidos, maiores poluidores, ainda não assinaram o acordo.
– Na última década, as emissões de gases poluentes 10%, em média, nos países industrializados.
– Na Suíças, a emissão desses gases aumentou 1,3%.
– A Suíça emite 0,3% do total de gases poluentes no planeta.
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