Jogo contra o Canadá vira vitrine para a Suíça
Partida em Vancouver mobiliza diplomatas, comunidade suíça e torcedores, que sonham com uma campanha prolongada da seleção no Canadá.
A Copa do Mundo tomou conta de Vancouver, uma das cidades-sede do torneio de 2026. Para o cônsul-geral da Suíça na cidade, Thomas Schneider, o confronto entre a seleção suíça e o Canadá, disputado nesta terça-feira (24), representa uma oportunidade única de dar visibilidade ao país em território canadense.
Embora o clima de Copa seja visível nas ruas, com torcedores circulando por bares, áreas de entretenimento e arredores do estádio, a rotina da cidade segue relativamente normal. Nos bastidores, porém, o trabalho tem sido intenso. Desde o ano passado, o consulado suíço vem se preparando para o torneio, em coordenação com organizadores, autoridades locais e forças de segurança.
Um “prêmio de loteria” para a Suíça
Schneider não esconde a satisfação com o sorteio dos grupos realizado em dezembro. O fato de a Suíça enfrentar justamente a seleção anfitriã em Vancouver foi descrito por ele como um verdadeiro “prêmio de loteria”.
Segundo o diplomata, o duelo despertou interesse tanto entre canadenses quanto entre suíços residentes no país. O tema passou a fazer parte de conversas frequentes em ambientes profissionais e sociais, aumentando a exposição da Suíça no Canadá.
O Canadá abriga 41.958 cidadãos suíços registrados, o que o torna a quinta maior comunidade suíça no exterior, depois da França, da Alemanha, dos Estados Unidos e da Itália.
Comunidade suíça entra no clima
A comunidade suíça na região acompanha de perto a competição. O consulado criou uma página especial sobre a Copa do Mundo, divulga informações por meio de newsletters e redes sociais e ajudou a organizar uma área de encontro para torcedores em um pub no centro da cidade.
Apesar da frustração com o empate sofrido nos minutos finais contra o Catar na fase de grupos, a vitória sobre a Bósnia e Herzegovina manteve vivas as chances de a seleção terminar na liderança da chave.
Quando a seleção suíça entra em campo na Copa do Mundo de 2026, ela não joga apenas diante de torcedores que viajaram até lá especialmente para o torneio. Muitos suíços no exterior que moram nos EUA e no Canadá também estão torcendo por ela.
A Swissinfo conversou com cidadãos suíços em São Francisco, Los Angeles e Vancouver – três cidades onde a seleção suíça joga durante o torneio. Como é a experiência deles com a Copa do Mundo em seu novo lar? E o que significa ver, de repente, a Suíça jogando bem perto de casa?
Começamos com Micky Hohl em Los Angeles
Depois, conversamos com uma família suíça no Vale do Silício
A última partida do Grupo B é:
Suíça x Canadá, 24 de junho, em Vancouver
A expectativa é grande porque, caso avance em primeiro lugar, a Suíça voltará a jogar em Vancouver na fase seguinte. Uma campanha bem-sucedida poderia levar a equipe a disputar até três partidas na cidade canadense.
Futebol como paixão pessoal
A Copa também tem um significado especial para Schneider. Nascido em Muri, nos arredores de Berna, ele cresceu em uma família ligada ao futebol. Seu pai presidiu o clube local FC Muri-Gümligen.
“Costumo dizer que nasci em um campo de futebol”, afirma.
Ao longo da carreira diplomática, Schneider já viveu outras Copas do Mundo de perto. Em 1998, quando estava lotado na França, assistiu à final em Paris e viu a seleção francesa conquistar o título. Em 2022, acompanhou a equipe suíça como torcedor no Catar.
Ingressos caros afastam torcedores
Nem todos os suíços residentes em Vancouver conseguirão assistir ao jogo no estádio. A dificuldade para obter ingressos e os altos preços têm sido alvo de reclamações.
Segundo Schneider, muitos torcedores desistiram de comparecer devido aos custos elevados. Ainda assim, ele estima que cerca de 4 mil suíços tenham viajado ao Canadá para acompanhar a partida.
Com um voo diário direto entre Zurique e Vancouver e cerca de 10 mil turistas suíços visitando a região todos os anos, a presença de compatriotas não chega a ser novidade para o consulado.
Às vésperas do confronto, Schneider espera que o jogo seja uma celebração do futebol. Seu jogador favorito é o atacante Breel Embolo, de quem admira tanto o desempenho em campo quanto a personalidade.
Para o cônsul, a Suíça tem todas as condições de avançar no torneio. Agora, resta transformar a expectativa em resultado dentro de campo.
Adaptação: Fernando Hirschy
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