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A ponte sobre as águas turbulentas da política, as contas de Trump e as audiências com Fauci

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As bandeiras dos EUA e do Canadá tremulam no ponto intermediário da Ponte Internacional Gordie Howe em 27 de julho, o primeiro dia em que a ponte foi aberta ao tráfego de veículos. Keystone/Swissinfo

Bem-vindos à nossa análise da cobertura da imprensa sobre os acontecimentos nos Estados Unidos. Todas as quintas-feiras, analisamos como a imprensa suíça tem noticiado e reagido a três notícias importantes nos EUA.

Numa época em que parece estar na moda erguer barreiras com outros países, é bom ver os canadenses inaugurarem uma ponte física com seus vizinhos — poucos dias depois do presidente dos EUA ter imposto uma tarifa de 50% sobre uma ampla gama de produtos canadenses.

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Ponte
A Ponte Internacional Gordie Howe, vista a partir do rio Rouge, que liga Detroit, no Michigan, a Windsor, em Ontário, a 14 de julho. Copyright 2026 The Associated Press. All Rights Reserved

Após oito anos de construção, uma nova ponte que liga os Estados Unidos ao Canadá deve aliviar significativamente o tráfego na fronteira – apesar de ser inaugurada em meio a uma guerra comercial.

“Por quase um século, todo o tráfego no ponto de passagem de fronteira mais movimentado entre os EUA e o Canadá passava pela mesma ponte. Agora, a nova ponte Gordie Howe, com seis faixas, está assumindo essa função”, escreveu a emissora pública suíça SRF no domingo. No futuro, a ponte, que leva o nome de uma lenda do hóquei no gelo canadense, deverá absorver quase metade de todo o tráfego transfronteiriço.

O Canadá financiou integralmente a nova obra de 2,5 km, com um custo de CA$ 6,4 bilhões (CHF 3,7 bilhões), mas os americanos também se beneficiarão dela.

Todos os dias, mercadorias no valor de mais de 500 milhões de francos suíços são transportadas por esse trecho da fronteira, que liga Detroit, em Michigan, a Windsor, em Ontário. Mas, além do impacto econômico mais amplo, pequenas empresas de ambos os lados da fronteira também esperam efeitos positivos. Um barbeiro do bairro de Sandwich, em Windsor, disse à emissora pública suíça RTS que espera receber novos clientes vindos dos EUA.

O Canadá inaugurou a Ponte Internacional Gordie Howe em 24 de julho, sem a presença de nenhum representante dos EUA. A cerimônia conjunta com os EUA foi cancelada após o anúncio, três dias antes, de novas tarifas impostas pelos EUA sobre diversos produtos canadenses.

A inauguração da ponte, originalmente prevista para o início do ano, havia sido adiada várias vezes por capricho de Donald Trump. O presidente dos EUA havia bloqueado o projeto em várias ocasiões e exigido uma parte da receita.

A RTS concluiu, no entanto, que “as manobras políticas e as disputas transfronteiriças não conseguiram diminuir o entusiasmo gerado por essa ponte, que está aberta ao tráfego desde a [última] segunda-feira”.

Dinheiro
Foram abertas sete milhões de contas desde o lançamento do programa, há um mês. Keystone

Sete milhões de crianças nos Estados Unidos já têm uma “Conta Trump”, informou o Neue Zürcher Zeitung (NZZ) nesta quarta-feira. Mas o que acontecerá se os republicanos perderem a presidência em 2028?

Mil dólares (810 francos suíços) do governo – “simples assim e isentos de impostos”, escreveu o NZZ. “Todos os bebês americanos nascidos entre 1º de janeiro de 2025 e 31 de dezembro de 2028 se beneficiarão disso se seus pais abrirem uma Conta Trump para eles. Não é de se admirar que sete milhões de contas já tenham sido abertas desde o lançamento do programa, há um mês.”

O jornal de Zurique não se surpreendeu com a popularidade das contas – “afinal, quem recusaria dinheiro de graça voluntariamente?” Do ponto de vista do governo Trump, também, o programa tem sido um sucesso até agora, escreveu o jornal, explicando que o governo pretende usar as contas para “complementar a previdência, melhorar a educação financeira da população e permitir que ela participe mais plenamente do mercado de ações, o que trouxe riqueza significativa a milhões de americanos nas últimas décadas”.

No dia em que o titular da conta completa 18 anos, a “Trump Account” — seu nome oficial — é convertida em uma conta poupança-aposentadoria padrão.

O programa recebeu avaliações bastante positivas de especialistas independentes, observou o NZZ. “Famílias com recursos financeiros agora podem proporcionar aos filhos um melhor começo de vida”, disse à NZZ a especialista financeira Allison Schrager, do Manhattan Institute, um think tank liberal-conservador. Elas financiam a educação universitária dos filhos ou fornecem o sinal para a compra de uma casa. Graças a essas novas economias, os filhos de famílias mais pobres têm mais condições de acompanhar o ritmo. “Ninguém vai se tornar bilionário por causa disso”, diz ela, “mas isso reduz um pouco a injustiça da origem social”.

Mas o que acontecerá se um democrata assumir a Casa Branca em 2028? As Contas Trump serão extintas? Schrager acredita que os democratas renomeariam a iniciativa, mas continuariam a administrá-la. “As contas foram ideia deles. Mas eles as teriam financiado com títulos, em vez de ações, para que ninguém perdesse seu dinheiro.” Na verdade, o senador democrata Cory Booker havia lançado várias tentativas de criar os “Baby Bonds” desde 2018, mas nunca conseguiu garantir uma maioria.

O Neue Zürcher Zeitung concluiu apontando uma “regra de ferro” que se aplica tanto aos democratas quanto aos republicanos: “Uma vez que o público se acostuma a um novo benefício do governo, é quase impossível abolir esse benefício. É provável que as Contas Trump permaneçam em vigor por muito tempo, independentemente do nome que recebam”.

Fauci
Anthony Fauci presta depoimento perante a Comissão do Senado para a Segurança Interna e Assuntos Governamentais, no dia 29 de julho. Keystone

A recente audiência no Senado dos EUA com Anthony Fauci, ex-consultor médico da Casa Branca durante a pandemia de Covid, foi “uma reminiscência dos dias sombrios do macarthismo”, segundo o Le Temps.

As audiências realizadas no Congresso dos EUA na última quarta-feira envolvendo Fauci refletem um “momento sombrio para a ciência” nos Estados Unidos, escreveu o Le Temps em um editorial na sexta-feira. Fauci foi “atacado verbalmente e insultado por senadores republicanos cujo forte não é a ciência”, afirmou o jornal de Genebra. “Republicanos que ainda acreditam que a hidroxicloroquina ou a ivermectina – cuja eficácia nunca foi comprovada – deveriam ter sido utilizadas em vez das vacinas contra a Covid.”

Fauci foi interrogado mais de 200 vezes pelo Congresso desde o início da pandemia, informou o Le Temps. “Mas, assim como nos dias do macarthismo, Fauci teve que servir de exemplo – o símbolo de um establishment científico que opera nas sombras em detrimento do povo. Uma narrativa bem conhecida das teorias da conspiração”.

Joseph McCarthy (1908-1957) foi um senador republicano convencido de que comunistas, espiões soviéticos e simpatizantes haviam se infiltrado no governo dos EUA, nas universidades, em Hollywood e em outros lugares. Ele liderou investigações agressivas sobre “atividades antiamericanas”, envolvendo repressão política e perseguição a indivíduos de esquerda.

“A politização da ciência está causando efeitos devastadores: uma queda drástica no número de pesquisadores e doutorandos, além do cancelamento de importantes programas de pesquisa”, escreveu o Le Temps. O jornal destacou os efeitos sobre a Fundação Nacional Suíça para a Ciência: “Alguns bolsistas nos Estados Unidos querem voltar para casa ou ir para outro lugar. Aqueles que desejam estudar no exterior estão dando as costas aos Estados Unidos”.

“Os EUA, há muito admirados mundialmente por sua pesquisa, estão sabotando seu status de superpotência científica”, concluiu o jornal. Enquanto isso, a China está investindo “somas astronômicas” nesse campo. Em ensaios clínicos em fase inicial, a China (47% do mercado global) agora supera de longe os Estados Unidos (25%). “Para a China, a ciência é uma garantia de progresso, prosperidade e poder. Para a América de Trump, ela se tornou um inimigo”.

A próxima edição de “Notícias dos EUA” será publicada em 13 de agosto de 2026. Até lá!

Comentário ou críticas? Nos envie um e-mail para o endereço: english@swissinfo.ch

Adaptação: Fernando Hirschy

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