The Swiss voice in the world since 1935

Tailândia endurece política de vistos, para desgosto de aposentados suíços

uma praia
Os aposentados suíços adoram o sol da Tailândia durante o inverno, mas a mudança na política de isenção de visto pode tornar a vida mais difícil para eles. Keystone

A Tailândia é um destino muito popular entre aposentadas e aposentados suíços. Todos os anos, muitos fogem do inverno rigoroso da Suíça e passam vários meses no país asiático. Mas o endurecimento das regras de isenção de visto por parte do governo tailandês pode complicar a vida desses viajantes.

“Alguns aposentados que não se sentem à vontade com processos digitais não vão querer solicitar o visto pela internet e provavelmente serão afetados pela medida”, diz Frank Dumoulin, aposentado suíço, natural do Valais, que passa vários meses do ano na Tailândia.

Ele se refere à decisão do país, tomada em maio, de reduzir o período de estadia sem visto para cidadãos de 54 países, entre eles a Suíça. Antes, era possível ficar 60 dias no país asiático sem solicitar visto. Agora, o período será de apenas 30 dias.

Por enquanto, as mudanças anunciadas ainda não foram publicadas no Diário Oficial tailandês, o Royal Gazette. Elas entrarão em vigor 15 dias após a publicação. Até lá, permanece válida a atual isenção de visto de 60 dias.

Todos os anos, centenas de milhares de turistas suíços viajam para a Tailândia. Segundo profissionais do setor, a grande maioria se beneficia da isenção de visto concedida às cidadãs e cidadãos suíços.

Conteúdo externo

É nesse grupo que se encontram os chamados “aposentados sazonais”, que passam parte do inverno sob o sol tailandês. Desde julho de 2024, eles contam com isenção de visto por 60 dias, com a possibilidade de prorrogação por mais 30 dias, o que permite que permaneçam, no total, três meses no país sem enfrentar grandes formalidades burocráticas.

Mostrar mais
Homem deitado

Mostrar mais

Diáspora suíça

Como aposentados suíços vivem entre dois países

Este conteúdo foi publicado em Aposentados suíços que vivem parte do ano no exterior (como no Peru ou Tailândia) enfrentam custos duplicados, cuidado com domicílio fiscal, AVS e seguro saúde.

ler mais Como aposentados suíços vivem entre dois países

Fonte de incerteza

“Essa mudança está gerando incerteza dentro da comunidade”, afirma Dumoulin. Embora o Ministério das Relações Exteriores da Suíça afirme ter recebido poucas solicitações de informação até o momento, “algumas pessoas estão tendo dificuldade para obter informaçõesLink externo sobre as novas regras”, diz o porta-voz Pierre-Alain Eltschinger.

Para Pascale Thibaud, suíça que mora na Tailândia há pouco mais de dois anos, “essas mudanças constantes na regulamentação obrigam a gente a se manter informado o tempo todo”. Ela acrescenta que é possível recorrer a agências especializadas, “mas é preciso ter condições de pagar pelo serviço”.

Mostrar mais
Homem sobre uma colina frente a uma praia

Mostrar mais

Diáspora suíça

Vida digna na Suíça é inviável para muitos aposentados

Este conteúdo foi publicado em Custo de vida alto obriga aposentados suíços a deixar o país. Em 20 anos, dobrou o número deles vivendo fora da Suíça. Portugal e Tailândia lideram destinos.

ler mais Vida digna na Suíça é inviável para muitos aposentados

Combatendo abusos

Antes da pandemia de covid-19, a receita direta do turismo respondia por quase 20% do PIB da Tailândia.

“O colapso do turismo [durante a pandemia] foi um duro golpe para o país. Como resultado, a Tailândia buscou recuperar o setor por meio de diversas medidas. A flexibilização das exigências de visto fez parte desse esforço”, explica Josef Schnyder, representante da comunidade suíça na Tailândia no Conselho dos Suíços no Exterior.

A mudança na política de isenção de visto ocorre em um momento em que as autoridades tailandesas buscam coibir abusos. Nos últimos meses, diversos casos envolvendo estrangeiros ganharam ampla repercussão na mídia tailandesa, incluindo situações de trabalho não autorizado e prorrogações informais de estadia.

Segundo dados do Ministério do Turismo e Esportes da Tailândia, os visitantes estrangeiros permanecem atualmente no país, em média, cerca de nove dias. Para as autoridades, encurtar o período de isenção de visto dificilmente terá um impacto significativo sobre a demanda turística geral.

Mostrar mais
ícone
Maik Disch

Mostrar mais

Diáspora suíça

Uma vida só de mochila e computador

Este conteúdo foi publicado em Maik Disch é um nômade digital: o suíço vive em uma ilha na Tailândia enquanto trabalha à distância para clientes na Suíça. Um modelo para o futuro?

ler mais Uma vida só de mochila e computador

Condições e fiscalizações mais rígidas

Além dessas mudanças administrativas, a Tailândia endureceu de forma geral suas exigências de entrada no país.

Quem viaja sozinho, por exemplo, precisa comprovar ao menos 20 mil bahts (cerca de 480 francos suíços), enquanto uma família precisa de 40 mil bahts (cerca de 970 francos suíços). Segundo Josef Schnyder, a mídia tailandesa informou que, em 2025, quase 30 mil pessoas haviam sido barradas na fronteira. “Um número bem maior do que em anos anteriores”, afirma.

Ao final dos 30 dias de isenção de visto, ainda será possível prorrogar a estadia mais uma vez, por 30 dias, mediante pagamento de 1.900 bahts (cerca de 46 francos suíços). “No fim das contas, porém, a decisão fica a critério dos agentes de imigração. Então sempre existe o risco do pedido ser recusado”, alerta Frank Dumoulin.

Como administrador do grupo no Facebook Suisse Romande-Thaïlande, ele diz já ter recebido diversas perguntas de aposentados suíços sazonais. “A multa por excesso de permanência é baixa (500 bahts por dia, ou 12 francos suíços), mas vale mais a pena pagar a taxa de prorrogação de 1.900 bahts e manter um histórico migratório regular, para evitar possíveis complicações na entrada no país ou em futuros pedidos de visto”, recomenda.

Mostrar mais

Debate
Moderador: Emilie Ridard

Você deixou a Suíça por motivos climáticos?

Muitos suíços deixaram o país em busca de um clima mais ameno. Mas o clima está se aquecendo, sobretudo na Europa. Alguém se arrependeu dessa escolha?

1 Comentários
Visualizar a discussão

Fim das permanências informais

Muitos expatriados que não estão oficialmente registrados como residentes permanentes usam a isenção de visto para viver na Tailândia durante boa parte do ano, fazendo viagens rápidas até a fronteira, prática conhecida como “border run” ou “visa run”. Com a redução da isenção para 30 dias, a necessidade de sair e reentrar no país vai dobrar.

“As pessoas que não atendem às exigências financeiras para obter um visto regular costumam recorrer às border runs. Para elas, a situação vai ficar bem mais complicada”, diz Pascale Thibaud. Ela também acredita que “é em parte por causa desses expatriados que permanecem numa zona cinzenta que a Tailândia está adotando uma postura mais rígida”.

Mostrar mais

Efeito contrário

Há vários anos, a Tailândia vem apostando na estratégia de se posicionar como destino atraente para turistas e expatriados de alta renda. Para isso, o país criou diversas categorias de visto.

“Essa estratégia também pode ter consequências indesejadas, sobretudo o risco de que visitantes ou potenciais residentes optem por outros destinos”, pondera Thibaud. Já para Frank Dumoulin, é pouco provável que os aposentados sazonais deixem o país. “Após o anúncio dessa mudança na isenção de visto, algumas pessoas disseram que iam se mudar para um país vizinho. Mas nenhum desses países chega perto de oferecer a mesma qualidade de vida. E quem realmente toma essa decisão costuma voltar para a Tailândia rapidamente”.

Revisão geral dos vistos

O Ministério das Relações Exteriores da Tailândia planeja revisar todo o sistema de vistos do país, não apenas os vistos de turismo. O anúncio foi feito em maio.

A notícia despertou preocupação na comunidade suíça, que teme que as regras para obtenção de visto se tornem mais rígidas. “Tememos que mudanças nas condições ligadas a certos vistos, incluindo o visto de aposentadoriaLink externo, passem a exigir uma cobertura de seguro específica”, diz Dumoulin. Ele se refere aos seguros-saúde que, além de serem caros, frequentemente excluem aposentados por causa da idade, um problema conhecido entre os suíços e suíças no exterior.

Edição: Samuel Jaberg/fh
Adaptação: Clarice Dominguez

Mostrar mais

Mais lidos

Os mais discutidos

Certificação JTI para a SWI swissinfo.ch

Mostrar mais: Certificação JTI para a SWI swissinfo.ch

Veja aqui uma visão geral dos debates em curso com os nossos jornalistas. Junte-se a nós!

Se quiser iniciar uma conversa sobre um tema abordado neste artigo ou se quiser comunicar erros factuais, envie-nos um e-mail para portuguese@swissinfo.ch.

SWI swissinfo.ch - sucursal da sociedade suíça de radiodifusão SRG SSR

SWI swissinfo.ch - sucursal da sociedade suíça de radiodifusão SRG SSR