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Balé de São Paulo apresenta-se na Suíça

Dicotomia swissinfo.ch

O Balé da Cidade de São Paulo apresentou-se quarta-feira (28/4) em Basileia. É a 16ª turnê internacional do grupo, que fará mais dois espetáculos na Suíça - em Berna e Lugano - e um na França, em Anemasse.

Este conteúdo foi publicado em 29. abril 2010 - 18:21

A apresentação faz parte do festival de dança Migros, o Steps 12, que exibe o trabalho de uma nova geração de coreógrafos até dia 13 de Maio.

O espetáculo do Balé da Cidade de São Paulo reuniu três coreografias, que exibiram não só o alto nível técnico do grupo, mas também a musicalidade brasileira. “A companhia tem uma qualidade técnica, mas a força do elenco faz a diferença”, diz a atual diretora do grupo, Lara Pinheiro.

O público de Basiléia parece ter percebido esta força. O grupo foi aplaudido mais de 10 minutos no encerramento do espetáculo pela plateia, composta, basicamente, por europeus.

Maturidade e história

Na opinião dela, cabe aos bailarinos incorporar a musicalidade e expressá-la na linguagem da dança. “O grupo tem hoje uma maturidade artística que é mostrada no palco”, diz. Não é para menos. Afinal, o balé existe há 42 anos.

Embora já trabalhe com o grupo há algum tempo, esta é a primeira turnê internacional que acompanha como diretora,cargo que assumiu no mês passado. “É uma experiência muito especial e temos muitos planos para o Balé, que hoje já é uma referência internacional”, explica Lara, bailarina, coreógrafa, que antes de assumir a direção do grupo foi assessora da secretaria da cultura de São Paulo.

Coreografias cosmopolitas

O grupo é brasileiro, mas as coreografias apresentadas não têm um estilo nacionalista ou mesmo regionalista. Nada de samba, capoeira ou bossa-nova. A energia brasileira está na forma como os bailarinos mostram a musicalidade – no corpo. Ao longo de uma hora e meia, os 30 bailarinos apresentam um trabalho cosmopolita – uma espécie de marca registrada da cidade de São Paulo. “Cada coreógrafo lida com uma questão atual, que ganha força na expressão corporal dos bailarinos”, diz Luiz Fernando Bongiovanni, diretor artístico e um dos coreógrafos do espetáculo.

Conceito aristotélico

Em “Dicotomia”, o coreógrafo Bongiovanni utilizou o conceitos da filosofia aristotélica. Depois de morar algum tempo na Europa, o bailarinho Bongiovanni voltou ao Brasil e resolveu estudar filosofia. Um dos conceitos utilizados foi o de que uma coisa não pode ser e não ser ao mesmo tempo. O outro foi o de que tudo o que é simples antecede o que é complexo. Assim, enumerou várias dicotomias: frente e trás, curvo e reto, direito e esquerdo. De acordo com ele, a coreografia só foi construída graças ao grupo. “Eles ficaram abertos e receberam a proposta com entusiasmo e por isso digo que são criadores, junto comigo”, explica. Os movimentos trabalham as dicotomias, numa apresentação de 35 minutos.

Mundo virtual

A segunda coreografia apresentada, “Wii Previsto”, mostra a percepção do mundo virtual, uma vez que o console de videogame pode detectar movimentos em três dimensões. A coreografia, assinada por Alex Soares, alterna a linguagem da dança e da música com a digital. O resultado é um espetáculo nem um pouco virtual, marcado pela expressão de cada movimento dos bailarinos – ora personagens de videogames manipulados, ora humanos no controle de seus consoles.

Cheiro de canela

“Canela Fina”, a última coreografia apresentada pelo balé, foi criada em 2008 pelo espanhol Cayetano Soto. É uma espécie de apoteose, onde o glamour fica por conta da exuberância técnica dos bailarinos da companhia. Durante 20 minutos, a música do compositor contemporâneo Michael Gordon, mostra uma atmosfera emocional e sensual, com a cor e o aroma de canela – são despejados 100 quilos do produto no palco. Mas o uso da canela não tem nada a ver com a cultura brasileira. Em catalão antigo, canela fina significa “o melhor que se possa imaginar”. Isso sim tem a ver com o Balé da Cidade de São Paulo – aplaudido por mais de 10 minutos na noite de ontem no final do espetáculo.

Lourdes Sola, Basileia, swissinfo.ch

Saiba mais

O balé da cidade de São Paulo foi criado em 1968, durante a ditadura militar. Chamava-se Corpo de Baile e seguia o estilo europeu, com coreografias clássicas.

Depois de um ano passou a fazer apresentações independentes e em cinco anos mudava o estilo de suas coreografias – mais modernas.

Sob a direção de Antonio Carlos Cardoso, Iracity Cardoso e Marilena Ansaldi, em 1974, a companhia passou a expressar os conflitos da época pela dança – tendência que se mantém.

Nos anos 80 foi dirigido por Klaus Vianna, quando o grupo foi estimulado a contribuir com ideias coreográficas.

Como o balé está ligado à prefeitura de São Paulo, vez ou outra tem de adaptar às exigências das trocas de mandato. Na gestão de Jânio Quadros, por exemplo, foi proibido de se apresentar fora de São Paulo e de contratar homossexuais.

Atualmente 39 bailarinos integram o Balé. Em julho do ano que vem, haverá a comemoração do centenário do Teatro Municipal. Vários trabalhos estão sendo preparados, como um balé do IV cenenário, que contava com 80 bailarinos e com a participação de Abelardo Nogueira e Ismael Guiser, entre outros. Durante dois anos ensaiaram quatro peças – em 1955, quando o Teatro Municipal ficou pronto, o prefeito Jânio Quadros desfez a companhia.

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