Museu protege tesouro afegão
Ataques norte-americanos e os próprios talibans representam ameaçam para tesouros culturais do Afeganistão. Museu em Basiléia os protegem.
Em março, os taliban destruíram Budas gigantescos na região afegã de Bamiyan. As estátuas datavam dos séculos IV e V e eram consideradas patrimônio da humanidade. Mas protestos internacionais de nada valeram…
Neste mês, os Estados Unidos bombardeiam posições talibans. Guerra « cirúrgica » ainda não existe: dificilmente os estragos ficam circunscritos.
Um instituto afegão fundado há 25 anos
Na Suíça foi criado em 1975 o Instituto Afegão, em Bubendorf, nos arredores de Basiléia. É obra de Paul Bucherer-Dietschi, ex-arquiteto suíço, especialista em Afeganistão. Bucherer que viajou no país desde 1971, decidiu fundar, há um ano, um museu para proteger peças do patrimônio afegão.
Ele atendia a pedido de talibans moderados e da Aliança da Norte, movimento de oposição afegã. O objetivo foi proteger um acervo constituído de centenas de peças, verdadeiros tesouros. Algumas datam de milhares de anos. São obras religiosas ou relíquias culturais que incluem vasos de argila, colares, bonecas, vestidos, cobertores, estátuas, e fotografias branco e preto.
« Não quero ser apontado como ladrão »
Nenhum dos artefatos de que Paul Bucherer cuida foi coletado por ele. Foram objetos recebidos de particulares ou funcionários. E todos serão restituídos, uma vez que a situação seja de segurança no país: “Não quero ser apontado como ladrão”, se defende Bucherer. Ele recebeu do governo federal e governos cantonais 650 mil francos e pagou 165 mil do próprio bolso.
O ex-arquiteto hoje dedica sua vida ao Museu e ao Instituto Afegãos. E lembra que nos anos 80, quando da invasão russa, o Instituto realizou pesquisa sobre violações dos direitos humanos e a situação militar e política no Afeganistão. Sua preocupação, afirma é preservar a herança cultural afegã “por tanto tempo quanto for necessário”.
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