Este bunker no cantão de Berna era usado pela P-26 para reuniões e operações de treinamento
Keystone
Um relatório oficial sobre as atividades de uma unidade secreta do exército suíço durante a Guerra Fria foi publicado pelo governo quase três décadas depois de ter sido escrito.
Este conteúdo foi publicado em
3 minutos
SDA-ATS e RTS
English
en
Details of secret Cold War Swiss army finally revealed
original
O “relatório Cornu” de 115 páginas, em homenagem ao magistrado de Neuchâtel que o autorizou em 1991, foi lançado (em francês) em formato anônimo e editado pelo Conselho Federal na quarta-feira.
O relatório considera as atividades do P-26 (ou “Projekt 26”, em menção aos 26 cantões suíços), uma unidade secreta do exército que foi estabelecida sem aprovação parlamentar em 1979 para antecipar uma possível invasão inimiga – o maior medo sendo a União Soviética.
As descobertas, que o governo se recusou a publicar até agora, mostram que os 400 homens e mulheres do P-26 realizaram exercícios regulares de treinamento de combate num cenário de ocupação inimiga. Os exercícios se deram particularmente na Grã-Bretanha, por meio de contatos diretos através da embaixada britânica em Berna.
Embora tais unidades não fossem incomuns na Europa Ocidental durante as tensas décadas da Guerra Fria, a versão suíça foi particularmente sensível, dada a neutralidade do país e a não-adesão à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).
A primeira investigação do governo sobre a P-26, em 1991, veio depois de um clamor público por conta da falta de transparência e pelo fato de que não havia nenhum mecanismo de prestação de contas pela unidade; considerou-se a falta de supervisão civil “intolerável”, e concluiu-se que “é alarmante que os serviços britânicos soubessem mais sobre a P-26 do que o próprio governo suíço”.
A P-26 foi oficialmente dissolvida em 1992.
Transparência embaçada
Embora vários nomes, locais e detalhes tenham sido retirados do relatório, o governo disse que o publicou por “uma preocupação com a transparência” e um desejo de esclarecer o contexto histórico e político que cercava as atividades do P-26.
“É uma boa idéia [publicá-lo]”, disse Cornu à rádio pública suíça RTS, na manhã de quinta-feira. “É preciso esclarecer esse assunto.” Ele também explicou que os detalhes omitidos dizem respeito principalmente a locais e nomes específicos, omissões que o governo justificava pelo fato de que algumas das pessoas mencionadas ainda estão vivas.
Em tal caso, no entanto, “as pessoas sempre terão suspeitas”, disse Cornu. Mesmo quando, ou se, a versão completa for lançada, “as pessoas pensarão que é um relato falso”.
Os esforços do governo com transparência também não foram ajudados pela recente revelação de que 27 pastas e dossiês associados ao relatório de Cornu desapareceram, algo que o ministério da defesa confirmou novamente à RTS na quinta-feira.
“Isso é frustrante, porque aumenta desnecessariamente as suspeitas”, disse Cornu. Para ele, uma comparação entre os documentos desaparecidos e a versão do relatório eventualmente publicada não revelaria quaisquer omissões ou descuidos importantes.
O Conselho Federal rejeitou uma moção apresentada por um parlamentar do Partido Verde para liberar uma versão integral do relatório; isso parece destinado a permanecer em segredo até que o status de proteção de 50 anos acabe em 2041.
swissinfo.ch/ets
Mais lidos
Mostrar mais
Política exterior
Quatro em cada dez adultos na Suíça têm origem migratória
Na Suíça, falta moradia e os aluguéis disparam. A imigração cresce, mas a construção não acompanha. Gentrificação avança e a crise habitacional se agrava. Acontece o mesmo onde você vive?
Trens alugados para servir as ligações ferroviárias suíças com a Europa
Este conteúdo foi publicado em
A Companhia Ferroviária Suíça (SBB) alugará 40 trens de alta velocidade para conexões internacionais com a França, Itália e Grã-Bretanha.
Morre aos 99 anos Shlomo Graber, sobrevivente do Holocausto
Este conteúdo foi publicado em
Morreu aos 99 anos Shlomo Graber, sobrevivente de Auschwitz e um dos últimos testemunhos vivos da Shoah na Suíça. Ele dedicou sua vida à arte e à preservação da memória.
Este conteúdo foi publicado em
O voluntariado pode ter um efeito positivo na saúde mental. De acordo com uma pesquisa realizada na Suíça, Alemanha e Áustria, as pessoas que fazem voluntariado para ajudar os outros também se fortalecem.
Estudo suíço revela porquê mulheres e homens escolhem profissões diferentes
Este conteúdo foi publicado em
De acordo com um novo estudo, o fato de ainda haver profissões predominantemente femininas e masculinas se deve à natureza do trabalho.
Duas em cada três pessoas na Suíça usam mais de um idioma diariamente
Este conteúdo foi publicado em
Duas em cada três pessoas na Suíça usam regularmente vários idiomas no dia a dia, geralmente os idiomas nacionais do país.
Suíça desafia tendência com nível recorde de teletrabalho
Este conteúdo foi publicado em
Cada vez mais empresas suíças estão oferecendo a possibilidade de trabalhar de casa – em contraste com a tendência no exterior.
Se quiser iniciar uma conversa sobre um tema abordado neste artigo ou se quiser comunicar erros factuais, envie-nos um e-mail para portuguese@swissinfo.ch.
Consulte Mais informação
Mostrar mais
Como funciona o servico secreto suíço?
Este conteúdo foi publicado em
Qual é o trabalho do FIS? Em resumo, o FISLink externo “se ocupa da detecção e prevenção do terrorismo, extremismos violentos, espionagens, proliferação de armas de destruição em massa e a disseminação de suas tecnologias, assim como ataques cibernéticos contra infraestrutura de interesse vital”, explica no seu site. Ele atua também no exterior para obter…
Como a propaganda inundou a Suíça durante a Primeira Guerra Mundial
Este conteúdo foi publicado em
O dramaturgo grego Ésquilo observou que a verdade era a primeira vítima da guerra a quase 2.500 anos atrás. No entanto, os esforços para influenciar a opinião pública alcançou novas dimensões em 1914, com a pequena Suíça, uma ilha neutra entre as nações em guerra, se transformando em um campo de batalha da mídia. Por…
Este conteúdo foi publicado em
O governo na época temia uma invasão estrangeira entre os anos 1970 e 1980 e ordenou a construção de um sistema de defesa por todo o país. Hoje, uma parte das fortificações de concreto foi destruída, removida ou abandonadas. Porém algumas delas, especialmente a de grandes dimensões, estão sendo utilizadas como bares ou até pensões.…
Este conteúdo foi publicado em
Desde o final da Guerra Fria, vários grandes países europeus abandonaram o sistema de serviço militar obrigatório. Durante os plebiscitos federais do domingo (22 de setembro de 2013), o eleitor suíço foi convidado a acompanhar essa tendência através de uma iniciativa popular (projeto de lei lançado através do recolhimento de assinaturas e levado a plebiscito)…
Este conteúdo foi publicado em
O bunker secreto localizado abaixo de um paiol agrícola poderia ser utilizado pelo governo cantonal de Berna e o exército em caso de guerra nuclear. Hoje é apenas uma relíquia da Guerra Fria, sem utilização prática. swissinfo esteve por lá. (fotos e texto: Alexander Thoele, swissinfo.ch)
Veja aqui uma visão geral dos debates em curso com os nossos jornalistas. Junte-se a nós!
Se quiser iniciar uma conversa sobre um tema abordado neste artigo ou se quiser comunicar erros factuais, envie-nos um e-mail para portuguese@swissinfo.ch.