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Cientista favoreceu interesses do tabaco

Durante quase 30 anos, um professor sueco da Universidade de Genebra foi pago pela multinacional do tabaco Philip Morris, às escondidas. Suas pesquisas foram publicadas em revistas científicas científicas. Ele confirma que foi pago mas nega que tenha havido fraude científica.

Estudos científicos foram manipulados durante anos, para tentar demonstrar que o tabaco não é tão prejudicial à saúde. A constatação foi feita pela Organização Mundial de Saúde (OMS) no início do ano mas o relatório não citava nomes.

Os documentos começaram a ser revelados quando as multinacionais do tabaco perderam processos milionários nos Estados Unidos. Preocupada com a imagem e tentando demonstrar transparência em suas atividades, a Philip Morris, uma das gigantes do setor, colocou seus arquivos na Internet.

Duas associações suíças antitabaco, OxyGeneve e Cipret, pesquisaram os documentos e descobriram que um professor sueco, que trabalhou quase 30 anos na Universidade de Genebra, também era pago durante esse tempo todo, pela Philip Morris.

O prof. Ragnar Rylander é especialista em medicina ambiental e trabalhou desde 1973 no Instituto de Medicina Social e Preventiva (IMSP) da Universidade de Genebra. Suas pesquisas, financiadas pela Philip Morris desde 1972, tentavam demonstrar que a fumaça do cigarro não é prejudicial para as pessoas que não fumam.

Rylander tinha contatos diretos com a matriz da empresa, em Richemond, Estados Unidos, que mantinha para ele uma conta bancária em Nova York. Até a contabilidade foi encontrada na internet, incluindo passagens aéreas entre Genebra e Estocolmo, além de verbas pessoais.

O mais grave, no entanto, é que seus textos destinados à publicação em revistas científicas eram corrigidos por advogdos da empresa, segundo provas encontradas na internet. Rylander também organizava colóquios internacionais e indicava à multinacional os nomes de outros cientistas que corroboravam suas teses.

Contatato na Suécia por jornalistas suíços, Rylander confirmou que foi financiado mas negou que houve fraude científica com a alteração de seus textos. Hoje ele está aposentado na Unversidade de Genebra e vive na Suécia.

O atual diretor do IMSP, André Rougemont, se diz consternado pelas acusações e que vai examinar cuidadosamente os documentos antes de tomar uma decisão. As duas associações que fizeram as denúncias pedem um inquérito imediato na Universidade, a denuncia pela reitoria dos estudos realizados e a anulação dos títulos universitários atribuidos a professor sueco.

O assunto é destaque em alguns dos principais jornais suíços na sexta-feira, 30 de março.

swissinfo com agências

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