EUA suspende sanções ao petróleo iraniano
Os Estados Unidos anunciaram nesta segunda-feira (22) que suspenderam por dois meses suas sanções ao petróleo iraniano e asseguraram que o Irã voltará a receber inspetores nucleares da ONU, após negociações realizadas na Suíça com o objetivo de encerrar a guerra no Oriente Médio.
“Todas as transações” anteriormente “proibidas” relacionadas à produção, venda e transporte de hidrocarbonetos de origem iraniana “estão autorizadas até 21 de agosto, às 00h01 [de Washington]”, indica uma licença publicada no site do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos.
O preço do petróleo Brent do Mar do Norte, que já era negociado em torno de 80 dólares por barril — após ter atingido um pico de 126 dólares no fim de abril em razão da guerra — caiu para 77,5 dólares após o anúncio nesta segunda. Fechou em 77,90.
Em Washington, o presidente Donald Trump afirmou que o Estreito de Ormuz, via crucial para grande parte do petróleo do mundo, está agora “totalmente aberto” à navegação. O Irã havia fechado essa rota marítima no início da guerra, provocando um golpe na economia mundial.
“Estamos negociando — veremos como tudo isso vai acabar —, mas temos duas coisas”, disse Trump. “Temos um estreito aberto e temos um país que nunca terá uma arma nuclear”, concluiu.
Na semana passada, Irã e Estados Unidos assinaram um memorando de entendimento que estabeleceu as bases para as negociações, após quase 40 dias de ataques seguidos por semanas de um cessar-fogo frequentemente violado.
A nova fase do diálogo começou no domingo, na Suíça, com o objetivo de alcançar, em um prazo de 60 dias prorrogável, um acordo definitivo sobre temas como o programa nuclear iraniano e as sanções internacionais contra Teerã.
“Estabelecemos bases muito boas para um acordo final bem-sucedido”, declarou o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, no luxuoso resort de Burgenstock, próximo a Lucerna, nos Alpes suíços, onde ocorrem as negociações.
O vice-presidente afirmou, por exemplo, que o Irã havia aceitado o retorno ao país dos inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Ele classificou isso como um “primeiro passo rumo à desnuclearização permanente”.
Teerã, que não confirmou essa informação, suspendeu há um ano sua cooperação com essa agência da ONU e proibiu seus inspetores de acessar instalações nucleares estratégicas bombardeadas pelos Estados Unidos e por Israel durante a guerra de 12 dias de 2025.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, afirmou que houve “uma discussão muito breve sobre a questão nuclear, mas nenhum detalhe foi discutido”, e que as negociações sobre esse tema ainda não começaram.
– “Avanços encorajadores” –
Nas semanas e dias que antecederam as reuniões entre Irã e Estados Unidos, os repetidos confrontos no Líbano ameaçaram inviabilizar as negociações, com ameaças iranianas de voltar a bloquear o Estreito de Ormuz.
O acordo estabelece a cessação das hostilidades em todas as frentes, incluindo o Líbano, uma das principais exigências de Teerã.
Mas os líderes israelenses discordam. O primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, declarou que seus “soldados posicionados no sul do Líbano dispõem de total liberdade de ação para neutralizar qualquer ameaça direta ou potencial contra eles ou contra os habitantes do norte” de Israel.
“O Exército israelense não está sujeito a nenhuma restrição nesse assunto”, acrescentou, referindo-se às tropas que combatem o movimento pró-iraniano Hezbollah.
Ao fim da primeira rodada de negociações na Suíça, Washington e Teerã decidiram pela criação de uma “unidade de gestão de conflitos” para o Líbano, segundo os mediadores do Paquistão e do Catar.
A célula, que não inclui Israel, foi proposta às vésperas de novos diálogos diretos em Washington entre Líbano e Israel, que não mantêm relações diplomáticas. Será a quinta rodada de negociações desde o início da guerra entre o Hezbollah e Israel, em 2 de março.
“As conversações continuarão (na terça-feira) com o objetivo de avançar rumo a um acordo global de paz e segurança entre os dois países”, confirmou nesta segunda-feira um funcionário do Departamento de Estado dos Estados Unidos à AFP.
Desde o início das hostilidades, as operações israelenses no Líbano mataram 4.106 pessoas, segundo o mais recente balanço do Ministério da Saúde libanês. No mesmo período, o exército israelense informou a morte de 36 militares.
Além disso, mais de 11 mil edifícios no sul do Líbano ficaram “completamente destruídos” pela guerra, informaram nesta segunda a ONU e o Conselho Nacional de Pesquisa Científica do Líbano (CNRS), um instituto público.
As duas entidades estimaram em 1,38 bilhão de dólares (R$ 7 bilhões) o custo dos danos causados pelo conflito.
“A incansável mediação do Paquistão e do Catar proporcionou grandes avanços para acabar com a guerra no Líbano”, comentou no X o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, após o encontro na Suíça.
“As exportações de petróleo e petroquímicos são liberadas, o bloqueio é suspenso, parte dos ativos congelados é desbloqueada e um importante plano de reconstrução e desenvolvimento para o Irã é colocado em marcha”, acrescentou.
JD Vance prometeu, no entanto, que seu país garantirá que o desbloqueio desses ativos “não contribuirá para financiar o terrorismo”.
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