
Festival de Veneza estende o tapete vermelho para as estrelas

O Festival de Veneza estende nesta quarta-feira (27) seu tapete vermelho para receber dezenas de estrelas mundiais, incluindo Julia Roberts e George Clooney, na 82ª edição do evento, que também pode ser marcada por questões políticas.
Na cerimônia de abertura, o cineasta alemão Werner Herzog foi premiado com o Leão de Ouro honorário pelo conjunto de sua obra. Ele recebeu a estatueta das mãos de outro veterano da sétima arte, Francis Ford Coppola, que disse do premiado que “se ele tem algum limite, não sei qual é”.
Ao receber o prêmio, Herzog disse estar “emocionado” e lembrou que não foi a Veneza “de mãos vazias”, pois na quinta-feira estreará seu documentário “Ghost Elephants”, filmado na selva de Angola.
A mostra começou com “La grazia”, filme do renomado diretor Paolo Sorrentino sobre um presidente italiano que chega ao final do mandato com o dilema de aprovar uma lei de eutanásia e dois indultos.
No dia 6 de setembro, o júri, presidido por Alexander Payne, vencedor de dois Oscar, anunciará o melhor filme do evento entre os 21 que competem pelo estimado Leão de Ouro. Seis deles foram dirigidos por mulheres.
Entre os filmes mais aguardados em Veneza estão “O Estrangeiro”, uma adaptação de François Ozon do romance homônimo de Albert Camus, e “Jay Kelly”, de Noah Baumbach, em que George Clooney interpreta um ator renomado afetado por uma crise de identidade.
A 82ª edição de Veneza será a primeira para Julia Roberts, estrela de “After the Hunt”, filme de Luca Guadagnino, que será exibido fora de competição, sobre um caso de agressão sexual em uma universidade americana de grande prestígio.
Os novos trabalhos de diretores como Guillermo del Toro, com sua nova versão de “Frankenstein”, Yorgos Lanthimos, que volta a colaborar com Emma Stone em “Bugonia”, e Kathryn Bigelow, com seu thriller político “A House of Dynamite”, estão na disputa pelo prêmio principal.
– “Local de debate” –
Além do glamour do tapete vermelho, o festival exibirá vários filmes de temática política, que podem provocar debate.
Vinte pessoas protestaram nesta quarta-feira diante da sede do festival com cartazes com frases como “Free Palestine” e “Stop Genocide”.
“Precisamos aproveitar a atenção aqui, durante o festival de cinema, para mudar o foco de atenção para a Palestina”, declarou Giulia Cacopardo, 28 anos, integrante de um coletivo político da região de Veneza.
O diretor artístico da mostra, Alberto Barbera, insistiu que o evento é “um local de abertura e debate”. “Nunca hesitamos em declarar claramente nosso enorme sofrimento diante do que está acontecendo na Palestina (…) com a morte de civis e, sobretudo, de crianças”, acrescentou.
Para sábado está programada uma manifestação pró-palestina no Lido, onde é realizado o festival, apoiada por dezenas de associações políticas e movimentos da sociedade civil.
Entre os filmes, a questão será abordada no longa-metragem mais recente da franco-tunisiana Kaouther Ben Hania, “The Voice of Hind Rajab”, que conta a história real de uma menina palestina assassinada em janeiro de 2024 pelas forças israelenses ao lado de seis parentes quando tentavam fugir da Cidade de Gaza.
Longe de Veneza, o diretor espanhol Pedro Almodóvar, vencedor no ano passado do Leão de Ouro por ‘O Quarto ao Lado’, pediu nesta quarta-feira que o governo de seu país rompa todas as relações diplomáticas e comerciais com Israel “em repulsa ao genocídio que está cometendo contra o povo de Gaza”.
Com a guerra na Ucrânia sem sinais de terminar, Jude Law interpreta o presidente Vladimir Putin em “The Wizard of the Kremlin”, um filme de Olivier Assayas sobre a ascensão do presidente russo.
Questionado sobre a ausência de filmes latino-americanos na competição oficial, o diretor artístico da Mostra, Alberto Barbera, disse à AFP que há “situações complexas que precisam ser levadas em consideração”.
Ele citou como exemplos o Brasil, que “sai de quatro anos de ditadura de [Jair] Bolsonaro, que fez de tudo para colocar o cinema de autor brasileiro em segundo plano”, e a “Argentina, onde o novo governo de [Javier] Milei cortou todo o financiamento”.
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