Governadora de Nova York propõe reforma de lei após suposto estupro coletivo em universidade
A governadora de Nova York prometeu, nesta sexta-feira (2), reformar uma polêmica lei que dificulta o reconhecimento de uma agressão sexual quando a vítima consumiu álcool ou drogas de forma voluntária, após um suposto estupro coletivo em uma universidade do estado.
A decisão de não apresentar acusações no caso ocorrido há dois anos na renomada Universidade de Cornell provocou indignação nos Estados Unidos. Na segunda-feira, a investigação foi reaberta e a governadora Kathy Hochul nomeou a procuradora-geral do estado, Letitia James, como promotora especial.
“Não deveria importar se decidiram consumir drogas ou álcool. A intoxicação voluntária não é uma licença para a agressão sexual ou o estupro coletivo”, afirmou Hochul.
“Sou a favor de mudar essa lei e vou trabalhar com o Parlamento de Nova York para conseguir isso”, anunciou. Cerca de 20 estados americanos têm leis semelhantes.
Letitia James, uma democrata que já entrou em choque repetidas vezes com o presidente Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira que “vai analisar os fatos, reunir provas, entrevistar testemunhas e, se for o caso, promover ações penais”.
A vítima apresentou uma ação cível em Nova York pelo suposto ataque de 2024. Com 20 anos na época dos fatos, afirma que foi drogada com cetamina, agredida e estuprada por sete membros da fraternidade masculina Chi Phi.
Cornell fechou a fraternidade e suspendeu temporariamente os estudantes envolvidos, vários dos quais foram posteriormente expulsos.
Shiwali Patel, diretora do Centro Nacional de Direito das Mulheres, considerou “assombroso” que existia uma legislação deste tipo.
“Ela tem um enorme impacto nos casos universitários porque a realidade é que uma grande maioria das agressões sexuais nos campi envolve, sim, álcool e drogas”, declarou à AFP.
O promotor do condado de Tompkins, no norte do estado de Nova York, onde fica o campus de Cornell, anunciou na segunda-feira a reabertura da investigação.
O promotor Matthew Van Houten, que já ocupava o cargo em 2024, explicou que, na ocasião, não deu andamento à denúncia porque, segundo ele, os elementos enviados pela polícia indicavam que se tratava de relações consensuais.
De acordo com vários meios de comunicação, a polícia teria apagado uma parte do depoimento da suposta vítima em que ela classificava os fatos como estupro e afirmava ter sido coagida.
“Ela passou horas contando exatamente (à polícia) o que havia acontecido com ela. E, segundo novos relatos, não poderia ter sido mais clara ao afirmar que estava 100% certa de que havia sido estuprada”, declarou a governadora Hochul.
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