Governo trabalhista recebe advertência em eleição em Manchester
O governo trabalhista britânico sofreu um revés nesta sexta-feira (27) com a derrota na eleição para uma cadeira parlamentar em Manchester, conquistada pelo Partido Verde, também de esquerda.
A circunscrição de Gorton e Denton, ao sul de Manchester, um reduto da esquerda historicamente dominado pelo Partido Trabalhista, viu o partido do primeiro-ministro Keir Starmer terminar em terceiro lugar.
A candidata do Partido Verde, Hannah Spencer, uma bombeira hidráulica de 34 anos, ficou em primeiro lugar com 41% dos votos, à frente do partido de extrema direita Reform UK (29%), do Partido Trabalhista (25%) e do Conservador (2%).
Este golpe para Starmer ocorre pouco mais de duas semanas depois de ele ter descartado a possibilidade de renunciar em meio a um escândalo ligado ao caso Epstein.
O líder trabalhista está sob pressão por ter nomeado Peter Mandelson como embaixador nos Estados Unidos, mesmo sabendo de seus laços com o criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein, embora posteriormente o tenha forçado a renunciar.
– Caso Epstein –
Apelos à sua demissão surgiram dentro do próprio partido, incluindo de seu líder no Parlamento escocês, Anas Sarwar.
A nomeação de Mandelson é a mais recente de uma série de crises que têm assolado o governo trabalhista, em meio a críticas ao seu programa econômico e social.
Muitos cidadãos e eleitores trabalhistas reclamam, em pesquisas, do aumento do custo de vida e da falta de melhorias nos serviços públicos.
Starmer reconheceu que os resultados em Gorton e Denton foram “muito decepcionantes” e que entendia que os eleitores estavam “frustrados” e “impacientes” para ver mudanças. Mas criticou “os extremos, tanto da esquerda quanto da direita”.
Essa tempestade ocorre menos de dois anos após a ascensão de Starmer ao poder e às vésperas das eleições locais de maio, nas quais se espera um desempenho ruim do Partido Trabalhista.
De acordo com uma pesquisa publicada em fevereiro pelo instituto de pesquisa YouGov sobre as intenções de voto no Reino Unido, o partido de extrema direita Reform UK venceria com 24% dos votos.
Em seguida, viriam os conservadores e os trabalhistas, com aproximadamente 18% cada, mantendo uma ligeira vantagem sobre o Partido Verde (17%) e o Liberal Democrata (14%).
Essas pesquisas parecem ameaçar a aliança tradicional entre os trabalhistas, que governam desde julho de 2024, e os conservadores, que estiveram no poder nos quatorze anos anteriores.
Nigel Farage, líder do Reform UK, lamentou no X os resultados desta sexta-feira, que, em sua opinião, selam “a vitória do comunitarismo e da fraude”.
O Reform UK apresentou uma denúncia à polícia e à comissão eleitoral depois que uma organização de monitoramento eleitoral relatou casos de pessoas votando várias vezes nas mesmas seções eleitorais.
A votação na circunscrição de Manchester ocorreu porque Andrew Gwynne, do Partido Trabalhista, renunciou ao seu assento no Parlamento britânico antes de concluir seu mandato.
– Segundo revés eleitoral –
Esta derrota representa o segundo revés sofrido pelo Partido Trabalhista em eleições suplementares, das duas realizadas desde seu retorno ao poder. A anterior, em maio de 2025, foi vencida pelo partido de extrema direita Reform UK.
“Quando fui eleito líder dos Verdes, disse que estávamos aqui para substituir o Partido Trabalhista, e eu estava falando sério. As pessoas agora sabem que votar em nós é a melhor maneira de derrotar o Reform UK”, comemorou o líder do Partido Verde, Zack Polanski, cujo partido tem crescido desde que ele assumiu a liderança em setembro de 2025.
A vitória dos Verdes também alimentará as críticas dentro do Partido Trabalhista, daqueles que acreditam que o partido abandonou sua ala esquerda e tentou competir com o Reform UK endurecendo sua política de imigração.
“Starmer terá que travar uma guerra mais determinada em duas frentes”, disse à AFP Louise Thompson, professora de ciência política da Universidade de Manchester, embora acredite que esse resultado seja produto de um “voto contra o Reform UK” em vez de um apoio ao programa do Partido Verde.
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