Ilhas Canárias em alerta com chegada de navio com surto de hantavírus
Seis anos após registrar o primeiro caso de coronavírus na Espanha, em um turista alemão, as Ilhas Canárias aguardam a chegada do navio de cruzeiro que registrou o surto de hantavírus.
“Não era nada, e de repente, veja só”, lembra o aposentado Marco González, referindo-se à pandemia de covid-19. González, de 74 anos, conversou com a AFP durante sua caminhada matinal pela orla de El Médano, um bairro litorâneo de Granadilla de Abona, na ilha de Tenerife.
O cruzeiro MV Hondius se aproximará do porto de Granadilla neste fim de semana, sem atracar, após a morte de três passageiros e a retirada de outros três.
Trata-se de um porto com pouco movimento e atividade comercial, localizado a uma curta distância do Aeroporto Internacional de Tenerife Sul, o que facilitaria o retorno dos 140 passageiros e tripulantes do navio aos seus países de origem.
“Nos últimos três dias, esse tem sido o principal assunto”, explica Alicia Rodríguez proprietária da sorveteria Picacho, um ponto de encontro movimentado em El Médano.
“As pessoas pensam nisso, no que aconteceu há cinco ou seis anos”, em uma pandemia cujas “consequências pagamos por dois anos”, diz a mulher, de 57 anos.
– “Ajuda” –
O governo central afirma que a chegada do MV Hondius “não representa nenhum risco para a população das Ilhas Canárias ou para a sua atividade econômica”, mas o governo regional se opôs à chegada do navio e reclama de não ter sido informado ou consultado.
“Todos estão preocupados com o que o navio pode trazer”, disse Cristo Álvarez, um entregador de 42 anos que tomava café na sorveteria de Alicia Rodríguez. No entanto, como a maioria dos entrevistados, ele enfatizou que os passageiros do navio “precisam de ajuda”.
El Médano depende principalmente do turismo, graças a uma parte dos mais de 18 milhões de turistas que visitaram as Ilhas Canárias em 2025.
O problema do hantavírus não afastou os visitantes, explicou Mayte González, diretora do Hotel Médano, à AFP.
“O fluxo de reservas está normal para esta época do ano. As reservas não pararam de chegar, nem tivemos cancelamentos. Até agora, tudo está normal”, afirmou a hoteleira de 46 anos, expressando confiança de que “tudo vai correr bem”.
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