Espanha enfrenta ‘o maior incêndio florestal’ de sua história recente
A Espanha enfrenta o maior incêndio florestal de sua história recente, com quase 77.000 hectares afetados pelas chamas, enquanto na França os bombeiros combatem uma “tempestade de fogo” a apenas 15 quilômetros da periferia de Bordeaux.
Incêndios florestais de grandes proporções consumiram dezenas de milhares de hectares na Europa e forçaram a evacuação de 325 mil pessoas na França e na Espanha.
Na Espanha, vários focos na região de Madri e nas províncias vizinhas ameaçaram convergir em um enorme incêndio ao redor da capital e forçaram a evacuação de cerca de 60.000 pessoas.
Um dos incêndios em Ávila, a noroeste de Madri, devastou quase 50.000 hectares. “Estamos falando do maior incêndio florestal da história recente” da Espanha, declarou a ministra da Transição Ecológica, Sara Aagesen.
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, alertou que “horas difíceis” estão por vir.
Vestidos casualmente, o rei Felipe VI e sua esposa, Letizia, juntamente com outras autoridades, visitaram um clube esportivo municipal transformado em alojamento improvisado para centenas de pessoas deslocadas da localidade madrilenha de Villamanta.
“Perdemos um patrimônio natural incalculável”, lamentou o monarca. Enquanto isso, a rainha destacou a angústia dos desabrigados e falou sobre “aquelas perguntas que ficaram no ar: quando voltarei? como estará a minha casa?”.
“Viemos apenas com a roupa do corpo porque pensávamos que voltaríamos no dia seguinte. Estamos tão cansados, exaustos e ansiosos para voltar para casa”, disse Helena, uma mulher de 45 anos que dorme no abrigo improvisado desde quinta-feira.
Outro evacuado, Juan Manuel Moreno, de 71 anos, mostrou à AFP fotos em seu celular das cheias que inundaram seu quintal em 2023 e da tempestade Filomena, que cobriu sua casa de neve em 2021.
Agora, os incêndios florestais o obrigaram a deixar sua casa e se refugiar no pavilhão esportivo.
“Estamos acumulando aqui uma quantidade de problemas, mas estas coisas podem ser evitadas”, disse este morador da localidade madrilenha de Aldea del Fresno.
“A maior parte da Espanha é floresta. Quem não digam que a Espanha é propícia a incêndios: é porque não se limpa nada”, sentenciou.
O presidente do governo vai visitar na segunda-feira Castellón, onde outro incêndio obrigou a evacuação de pelo menos 15.000 pessoas.
– “Tempestade de fogo” –
Na costa atlântica da França, na região de Bordeaux, os bombeiros combatem um fenômeno conhecido como “tempestade de fogo”, que faz com que as chamas se tornem incontroláveis, explicou o tenente-coronel Éric Brocardi, porta-voz da Federação Nacional dos Bombeiros.
No centro do incêndio, o calor é tão intenso que “faz com que tudo em seu caminho entre em combustão espontânea. Em seu interior se formam relâmpagos que atingem as brasas no solo, alimentando ainda mais o fogo”, afirmou Brocardi.
Em Le Porge, entre Bordeaux e a zona turística abastada de Cap Ferret, imagens aéreas da AFP mostraram fileiras de casas queimadas e veículos carbonizados.
“Não sobrou nada. Tudo queimou”, lamentou Mathieu Plessis no sábado, ao voltar à aldeia. “Aquilo era a minha casa. Não vejo nada, só desolação”, disse à AFP.
As chamas ameaçam a metrópole de Bordeaux, coração da região vinícola de Gironde, e forçaram o fechamento de uma importante rodovia e a interrupção parcial do serviço ferroviário.
Segundo o prefeito Thomas Cazenave, o incêndio está a “15 km” da cidade. Embora uma evacuação de seus 270 mil habitantes não seja considerada no momento, “estamos preparados para tudo”, afirmou.
– Nova onda de calor –
As autoridades alertaram que uma onda de calor prevista para começar na terça-feira pode agravar a situação, com temperaturas previstas de 40°C.
Milhares de bombeiros exaustos, auxiliados por 1.500 soldados e 1.200 policiais, combatem as chamas que consomem quase tudo em seu caminho.
Além desse incêndio gigantesco, os bombeiros franceses também combatem focos de incêndio há dias nas regiões de Landes (sudoeste), Var (sudeste) e na ilha turística da Córsega.
“Estão sendo combatidos entre 30 e 40 incêndios simultaneamente”, afirmou, neste domingo, o ministro do Interior, Laurent Nuñez, à emissora France 2.
Nuñez disse que desde o início do ano, os incêndios afetaram 115.000 hectares na França.
Tanto na França quanto na Espanha, estes incêndios são consequência da maior inflamabilidade das florestas e da vegetação por causa da seca e das ondas de calor excepcionais que se sucedem desde junho na Europa.
As mudanças climáticas, causadas principalmente pela queima continuada de petróleo, carvão e gás, agravam a seca atual, concluíram climatologistas do grupo World Weather Attribution em um estudo publicado na quinta-feira.
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