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Irã examina proposta mais recente dos Estados Unidos para acabar com a guerra

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O Irã examina, nesta quinta-feira (7), a proposta mais recente de acordo dos Estados Unidos para acabar com a guerra no Oriente Médio e reabrir o Estreito de Ormuz, fundamental para o comércio mundial de hidrocarbonetos.

Os preços do petróleo caíram depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, reiterou que um acordo poderia ser iminente. O Irã respondeu que está estudando a proposta e comunicará sua posição ao Paquistão, que atua como mediador.

Um acordo para prolongar o cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, em vigor desde 8 de abril, também poderia reduzir as tensões no Líbano, onde as forças israelenses combatem o movimento pró-iraniano Hezbollah.

Segundo um funcionário americano, que pediu anonimato, representantes do Líbano e de Israel se reunirão em Washington nos dias 14 e 15 de maio para buscar um acordo de paz.

Os dois países já participaram de uma primeira rodada de negociações na capital americana em meados de abril, que resultou no estabelecimento de um frágil cessar-fogo.

A guerra, desencadeada pelo ataque de 28 de fevereiro de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã, provocou ações de retaliação do Irã em vários países da região e o bloqueio do Estreito de Ormuz, uma rota comercial estratégica por onde passavam 20% do petróleo e do gás liquefeito consumidos no planeta antes da guerra.

Na segunda-feira, por ordem de Trump, as forças americanas iniciaram uma operação para escoltar os navios mercantes bloqueados e forçar a abertura do estreito, mas a iniciativa foi interrompida poucas horas depois, quando o presidente americano citou avanços nas negociações com o Irã.

“Tivemos conversas muito boas nas últimas 24 horas, e é muito possível que consigamos um acordo”, disse Trump na quarta-feira, antes de ameaçar, como já fez outras vezes, retomar os bombardeios contra o Irã caso o país se recuse a aceitar suas condições. 

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, respondeu que a proposta americana está “em estudo” e que Teerã comunicará “seus pontos de vista” ao Paquistão.

Mas no Irã, muitos se mostram céticos em relação às negociações. 

“Nenhum dos lados nessas negociações é realmente capaz de chegar a um acordo”, disse Shervin, um fotógrafo de 42 anos, a jornalistas da AFP em Paris. 

“Isso é apenas mais um dos jogos de Trump; caso contrário, por que estariam enviando tantos navios de guerra e forças militares para o Irã?”, acrescentou.

– Mudança de rumo –

Segundo a rede americana NBC News, a mudança de rumo de Trump aconteceu depois que a Arábia Saudita — cujo príncipe-herdeiro, Mohammed bin Salman, teria conversado diretamente com ele — se recusou a permitir que as forças americanas utilizassem seu espaço aéreo do país e suas bases para a operação de forçar a passagem por Ormuz. 

O portal americano Axios, que citou dois funcionários como fontes, informou que Teerã e Washington estão próximos de um acordo sobre um memorando de entendimento de uma página para encerrar a guerra e estabelecer um marco de negociação sobre o programa nuclear iraniano.

Trump afirma que a classe dominante do Irã está dividida após vários líderes, incluindo o guia supremo Ali Khamenei, terem morrido em bombardeios dos Estados Unidos e de Israel. 

No entanto, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou nesta quinta-feira que se reuniu com o líder supremo Mojtaba Khamenei, que não é visto em público desde que assumiu o cargo de seu falecido pai no início de março. 

“O que mais me impressionou neste encontro foi a visão e a abordagem humilde e sincera do líder supremo da Revolução Islâmica”, disse Pezeshkian em um vídeo transmitido pela televisão estatal. 

Mojtaba Khamenei, que teria sido ferido nos bombardeios do primeiro dia da guerra que mataram seu pai, só se pronunciou por meio de comunicados desde sua nomeação.

Os preços do petróleo caíram novamente nesta quinta-feira, embora menos do que nos dois dias anteriores, quando recuaram cerca de 10%. 

Por volta das 10h30 no horário de Brasília, o preço do petróleo Brent do Mar do Norte, a referência internacional, estava em queda de 3,7%, a 97,50 dólares (R$ 480,36, na cotação atual) o barril; e o West Texas Intermediate, a referência dos EUA, estava em queda de 3,9%, a 91,37 dólares (R$ 450,17). 

Esses preços estão longe das máximas atingidas durante o conflito, em torno de 126 dólares o barril, mas bem acima dos 70 dólares em que rondavam antes do conflito.

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