A economia suíça fica de fora
A Comissão Europeia quer reformular as regras do mercado de compras públicas (licitações e contratações de produtos e serviços pelo governo) da União Europeia (UE). A Suíça fica de fora.
A União Europeia pretende impulsionar a inovação dentro do bloco. Os recursos públicos também devem ser direcionados a esses incentivos. Agora, a UE quer definir novas normas sobre como esses fundos serão distribuídos.
Para o polo suíço de pesquisa e desenvolvimento, que mantém fortes laços com a Europa, trata-se de uma decisão crucial. Contudo, de acordo com a proposta da Comissão Europeia, as empresas suíças, em princípio, não poderão concorrer nessas licitações.
Nova regulamentação para as compras públicas
O foco dos incentivos são novas tecnologias experimentais, isto é, soluções que municípios ou empresas estatais desejam encomendar, mas que ainda não se encontram disponíveis no mercado. É o caso de robôs para hospitais ou de softwares de inteligência artificial voltados para a coleta de lixo.
A Comissão Europeia pretende reformular essa área de compras governamentais e simplificar tais contratações de forma geral. Afinal, de cada 100 francos destinados a contratações públicas na Europa, apenas 60 centavos (rappen) são atualmente gastos em projetos inovadores. Para efeito de comparação: nos Estados Unidos, esse montante atinge 7 francos e 50 centavos, segundo dados da comissão.
A UE quer diminuir essa defasagem e fortalecer os setores inovadores do continente. Segundo a comissária europeia Ekaterina Zaharieva, essa cooperação deve ocorrer em escala transfronteiriça.
Produção de tecnologias-chave nos países da UE
Muitas vezes, o desenvolvimento de tecnologias estratégicas torna-se caro demais para ser realizado em um único Estado-membro. Assim como outras normas de contratação pública, o novo texto legal estabelece uma preferência europeia.
Cinquenta por cento dos recursos devem permanecer no território da UE ou em países que possuam tratados específicos com o bloco. Esse é o caso de nações do Espaço Econômico Europeu (EEE, bloco que integra países da Europa ao mercado interno da UE) ou da região dos Bálcãs. A Suíça não dispõe de um acordo nesses moldes. Como país não membro, não pode se beneficiar do peso do seu centro de pesquisa e inovação. A comissária europeia assegurou, contudo, que a exclusão não tem como alvo a Suíça.
Caso a Suíça firmasse um tratado correspondente, as companhias suíças também poderiam ser contempladas, apontam em Bruxelas. No entanto, até que Berna e a UE definam suas relações por meio do pacote dos Acordos Bilaterais III (conjunto de tratados bilaterais em negociação para regular as relações institucionais e econômicas entre a Suíça e o bloco europeu), a UE não pretende assinar novos convênios.
Preocupação de representantes da economia suíça
O fato de a UE manifestar preferência pelo próprio mercado interno não chega a ser uma novidade. Ainda assim, representantes da economia suíça manifestam apreensão.
Stefan Brupbacher, diretor da Swissmem (a associação do setor da indústria de máquinas, equipamentos elétricos e metais da Suíça), afirmou que a entidade recebeu a notícia com frustração: «Isso prejudica a Suíça, com certeza, mas prejudica sobretudo a própria UE».
«As empresas e universidades suíças figuram entre os melhores e mais importantes parceiros, inclusive quando o assunto envolve infraestruturas de pesquisa. Nossas companhias podem contribuir bastante nesse sentido», ressaltou o dirigente da Swissmem.
Agora, cabe à Suíça convencer a União Europeia, mais uma vez, a incluí-la no novo marco regulatório.
Adaptação: Alexander Thoele
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