Onda de calor se intensifica na Europa
O calor sufocante que atinge o oeste da Europa, ligado às mudanças climáticas, se intensificou nesta segunda-feira (22), especialmente na França, onde duas crianças foram encontradas mortas dentro de um carro.
Trata-se da segunda onda de calor a atingir milhões de europeus em menos de um mês. Segundo o consenso científico, a mudança climática provocada pela atividade humana torna mais intensos os fenômenos meteorológicos extremos.
O novo episódio, mais duradouro que o de maio e que pode durar até o fim da semana, lembra a onda de calor de agosto de 2003, que marcou a Europa com mais de 70.000 mortos ao longo de suas duas semanas de duração.
Segundo um estudo científico, sem as mudanças climáticas as temperaturas atuais seriam entre 2°C e 4°C mais baixas.
“O padrão meteorológico que está na origem desta onda de calor não tem nada de extraordinário. O extraordinário é que as mudanças climáticas acrescentaram até 4°C às temperaturas em algumas regiões da Europa Ocidental”, afirmou Davide Faranda, diretor de pesquisa em ciências climáticas do Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS) da França.
– Crianças e idosos mortos –
A França é o epicentro nesta segunda-feira, com temperaturas previstas entre 36º e 43º. O serviço meteorológico Météo France decretou alerta vermelho, seu nível máximo, em metade do país, onde vivem mais de 35 milhões de habitantes.
A temperatura média francesa bateu um recorde para o mês de junho ao atingir 29,2°C, anunciaram os serviços meteorológicos.
Dois irmãos de 2 e 4 anos foram encontrados mortos dentro do carro de sua família em Carpentras, no sudeste da França, e a principal hipótese da causa da morte é a “onda de calor”, indicou à AFP a promotora Hélène Mourges.
No domingo, três idosos morreram em suas residências no sudoeste da França devido às altas temperaturas, segundo autoridades. Treze pessoas se afogaram durante o fim de semana em diferentes partes do país.
– Aulas sufocantes –
Mais de 1.300 das 60.000 escolas do país permanecerão fechadas nesta segunda-feira, enquanto outras 4.000 ajustaram seus horários, informou o Ministério da Educação.
Desde a semana passada, outros centros educativos vêm sugerindo aos pais que mantenham seus filhos em casa ou que os busquem na hora do almoço para tirá-los das salas de aula sufocantes.
– Trens cancelados –
A região de Paris cancelou preventivamente 10% dos trens. Na véspera, a companhia SNCF recomendou que pessoas “vulneráveis” os evitassem.
Na estação de trem Saint-Charles de Marselha, no sudeste da França, as autoridades distribuíram garrafas de água, leques e chapéus aos passageiros antes de embarcarem no trem.
“É preciso se hidratar”, disse à AFP Mamone Outhaithany, uma enfermeira de 31 anos.
Mais ao norte, na Bélgica, esta semana pode ser “a mais quente já registrada”, com uma temperatura média superior a 27°C, segundo David Dehenauw, do instituto meteorológico IRM.
Alguns trens em horário de pico foram cancelados nesta segunda e terça-feira neste pequeno país, onde esse tipo de transporte é muito popular, informou a SNCB, a companhia nacional de ferrovias.
– Transmissão da Copa cancelada –
A onda de calor também atinge o restante da Europa ocidental.
A Espanha enfrentou seu segundo dia de onda de calor, com valores “entre 5 e 10 graus superiores aos próprios desta época em geral”, segundo Rubén del Campo, porta-voz da agência meteorológica espanhola Aemet.
As altas temperaturas já obrigaram ao cancelamento no domingo de eventos como a transmissão em telão da partida de futebol Espanha-Arábia Saudita no centro de Madri.
Em Portugal, foi decretado alerta laranja na terça-feira em zonas do interior, enquanto os Países Baixos se encontram em “código amarelo”, com temperaturas de até 37 ºC até o fim da semana.
O Reino Unido declarou alerta vermelho, algo muito raro, para “calor extremo” na quarta e quinta-feira no sul do país.
Na Alemanha, a onda de calor aumentou o número de afogamentos acidentais. Cinco pessoas morreram durante o fim de semana, informou a polícia.
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