Onda de calor sufocante atinge a costa leste dos Estados Unidos
Mais de 150 milhões de pessoas sofrem nesta sexta-feira (3) com temperaturas sufocantes no leste dos Estados Unidos, em meio à Copa do Mundo e as celebrações do 250º aniversário da independência nacional.
Enquanto o país comemora um feriado que antecede seu Dia Nacional, o 4 de julho, as autoridades alertam sobre as temperaturas extremas que são esperadas em várias cidades importantes.
Prevê-se que a sensação térmica alcance os 40ºC em Boston e na Filadélfia, e os 45ºC em Nova York e na capital, Washington D.C, no nordeste dos Estados Unidos.
“Este nível de calor pode ser mortal para quem não tiver ar-condicionado adequado e não se mantiver adequadamente hidratado”, advertiu o Serviço Meteorológico Nacional (NWS) do estado de Nova York.
Esta “perigosa onda de calor sem precedentes” afeta a metade oriental dos Estados Unidos desde o meio da semana e se espera que continue até o sábado, dia do 250º aniversário da declaração de independência do país.
No Brooklyn, Daniel Jefferson, de 39 anos, trabalha duro apesar do calor, descarregando caixas de comida no porão de um restaurante.
“Não vivíamos algo assim em Nova York há muito tempo”, declarou o entregador, reclamando do calor “absolutamente insuportável” que o está “esgotando”.
– 4 de julho e Copa ameaçados –
Em Washington D.C., está em risco a realização de um grande show das festividades de 4 de julho em frente ao Capitólio.
Ao meio-dia desta sexta, uma jovem sofreu uma insolação enquanto fazia fila para entrar na feira organizada para a ocasião na ampla esplanada do National Mall. “Ela já é a trigésima pessoa” atendida, indicaram socorristas.
As piscinas públicas estão lotadas. “Faz um calor sufocante e não há para onde ir”, disse à AFP Anya Gellerman, de 26 anos, enquanto fazia fila em uma piscina com uma caixa térmica na mão.
Os guardas nacionais mobilizados pelo presidente Donald Trump na capital patrulham como podem.
Refugiado à sombra em um parque, Lee Hernández, um militar porto-riquenho, tentava se refrescar. Está acostumado a temperaturas tropicais, mas esta onda de calor lhe parece “ainda pior”, diz à AFP. E os quase “15 quilos” de equipamento que carrega nas costas, entre colete à prova de balas e arma, não ajudam.
As temperaturas mal baixaram durante a noite. Essa onda de calor deve bater novos recordes em algumas regiões, segundo os meteorologistas. Ela poderá afetar a Copa do Mundo da Fifa, que é sediada conjuntamente por Estados Unidos, Canadá e México.
Embora alguns estádios tenham teto e ar-condicionado (em Atlanta, Dallas, Los Angeles), outros não, como o da Filadélfia, onde Paraguai e França se enfrentarão no sábado pelas oitavas de final.
Antes disso, as seleções de Argentina e Cabo Verde já poderiam sentir os efeitos desse calor sufocante em Miami, onde o estádio tem um grande teto, mas não possui ar-condicionado.
Às 18h locais, início da partida, esperava-se uma sensação térmica de 38ºC, segundo as previsões.
– Problemas na rede elétrica –
Embora a maioria dos prédios nos Estados Unidos contem com sistemas de ar-condicionado e refrigeração, as ondas de calor causam mais mortes no país do que os furacões e as inundações.
Esse episódio preocupa as autoridades por sua duração e intensidade, mas também pelas altas temperaturas noturnas que podem afetar a saúde das pessoas vulneráveis e danificar a infraestrutura.
Na quinta-feira, a rede elétrica do estado de Nova York enfrentou problemas e as autoridades pediram aos residentes que reduzissem imediatamente seu consumo para evitar cortes de luz.
Em todo o mundo, as ondas de calor são cada vez mais intensas e frequentes devido às mudanças climáticas, causadas principalmente pela queima de combustíveis fósseis.
A onda de calor recorde que atingiu recentemente grande parte da Europa é um claro exemplo disso.
Nesta sexta, as autoridades meteorológicas dos Estados Unidos alertaram para a possibilidade de uma nova onda de calor extrema que pode afetar o oeste do país a partir de meados de julho.
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